Sem diálogo

Cassi: BB rompe mesa de negociação

Banco encerra discussão apresentando proposta diferente, que onera ainda mais o participante

  • Danilo Motta, Redação Spbancarios
  • Publicado em 01/06/2018 17:46 / Atualizado em 01/06/2018 18:16

Em uma medida arbitrária, o Banco do Brasil rompeu com a mesa de negociação da Cassi. Após críticas do movimento sindical e sem respeitar o rito negocial, foi apresentada à diretoria executiva da Cassi uma nova proposta que não foi discutida com as entidades representativas dos trabalhadores. Segundo um comunicado oficial enviado pelo banco, as discussões a partir de agora se darão apenas dentro da Governança da Cassi.

O texto prevê aumento na coparticipação do associado em exames e em consultas, onerando ainda mais o participante, principalmente aqueles que recebem salários inferiores. Para se ter uma ideia, a um funcionário da ativa que tenha dois dependentes e que ocupe cargo igual ou inferior a uma gerência média, por exemplo, já atingirá o limite dos 8%.

Parte da gerência média e assessores, por sua vez, nas mesmas condições, teria sua contribuição aumentada para 6,3%. Já um funcionário que ocupe um cargo de gerente de área ou gerente-geral de agência por exemplo, ou cargo superior, teria sua contribuição aumentada de até 4% pagos atualmente para até 5,7%.

Dependentes

O secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato, João Fukunaga, explica que o dependente de 0 a 24 anos – ou seja, o filho – tem gasto em exames e consultas médicas que não são geradoras de altos custos na Cassi. Todos esses procedimentos possuem coparticipação, isto é, parte é paga por quem tem dependentes e, por isso, não há déficit relativo a esta questão.

Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), o custo médio mensal per capita de 0 a 24 anos é cerca de R$ 169,13. Após os 24 anos, o dependente filho tem de sair do plano associados e ir para o Cassi Família, cujo fluxo de caixa é outro e não impacta no dos associados.

O dependente que gera efetivamente custo para o banco é o cônjuge da ativa que passa para a aposentadoria. E é justamente desse dependente que a empresa quer se livrar, pois ao passar dos anos, ele representa um custo maior.

“A proposta do banco é perversa nesse sentido e vai ao encontro da CGEPAR 23, que quer que as empresas estatais se desobriguem com o pós-laboral. Não dá para o banco ser hipócrita e esconder esses dados. Ao abrir mão do dependente cônjuge, o BB quer economizar, pois, segundo a ANS, a média mensal per capita dos 60 aos 90 anos é de cerca de R$ 3.305,31”, explicou o dirigente.

Arbitrariedade

Fukunaga critica postura adotada pelo banco, de encerrar a negociação sobre a proposta para a Cassi. Ele defende que tal atitude só foi possível porque a diretoria confia na inépcia da chapa eleita, Mais Cassi, que tomou posse na sexta-feira 1º de junho.

“Inclusive está na hora de a chapa se posicionar! O banco quer onerar apenas o participante, aumentando a coparticipação. Uma mudança dessas não pode ser tomada da noite para o dia, sem diálogo. É importante lembrar que o movimento sindical nunca se recusou a negociar. Nós entendemos que onerar o participante não é a solução, e a chapa Mais Cassi deveria ter mais responsabilidade neste caso e passar a defender o associado”, destaca o dirigente.

Ameaça

O comunicado do BB menciona, ainda, o risco de intervenção da ANS. A empresa omite uma dívida de cerca de R$ 450 milhões com a Cassi relacionados ao Grupo de Dependentes Indiretos, de responsabilidade exclusiva do BB.

“Este é apenas um dos exemplos das atrocidades que o banco vem sempre praticando, desde 1997, em relação à Cassi. Ele joga essa ameaça de intervenção da ANS, mas isso só atesta a incompetência administrativa da atual direção do BB, que será a principal afetada. Mas dada esta postura autoritária do banco, devemos questionar se de fato existe uma diretoria de pessoas, ou apenas burocratas inescrupulosos sentados em suas salas”, afirmou Fukunaga.

Após encerrar arbitrariamente a negociação, o banco enviou a proposta para análise da diretoria executiva da Cassi. Em seguida, a proposta irá para o conselho deliberativo que é composto por metade dos integrantes indicada pelo banco, e a outra metade indicada pelos associados. Caso seja aprovada, a proposta vai para consulta do corpo social.

“Agora que a chapa Mais Cassi tomou posse, terá que sair do discurso de ‘ainda não sabemos de nada’. Neste momento, é importante que as negociações sejam feitas com os associados. Essa postura de achaque do banco deve ser denunciada inclusive pelos eleitos para o conselho deliberativo”, completou Fukunaga.



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