Representação

Democracia tem de ser resgatada e fortalecida

Brasil, que já passou por períodos de exceção, volta a sofrer um golpe. Sindicato reforça que momento é de defender nossa frágil democracia e de ir às ruas e às urnas contra os retrocessos

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 05/06/2018 18:15 / Atualizado em 15/06/2018 14:10

Montagem: Linton Publio/Seeb-SP

Um olhar panorâmico sobre a história do Brasil revela uma amarga constatação: nossa frágil democracia – interrompida por vários períodos de exceção, como a ditadura civil militar (1964 e 1985) –, volta a ser ameaçada. O golpe de 2016, disfarçado de impeachment, e que se propunha a ser “uma ponte para o futuro”, resultou em enormes retrocessos para trabalhadores e população em geral (veja abaixo), com altos índices de desemprego, perda de direitos, redução do poder de compra das famílias, aumento das desigualdades sociais e desmonte do patrimônio nacional.

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A presidenta do Sindicato, Ivone Silva, destaca que o desrespeito à eleição de 2014 (Dilma Rousseff ganhou com 54,5 milhões de votos) só foi possível com a ajuda de um Poder Legislativo que, apesar de também ter sido escolhido nas urnas, não representa de forma alguma a sociedade brasileira. “É um contrassenso, mas em 2014 o Brasil elegeu o Congresso Nacional mais conservador e elitista do período de redemocratização. Para ser ter uma ideia, os empresários são apenas 2% da população brasileira, mas são 42% dos deputados federais e senadores. Já os trabalhadores, que são a imensa maioria dos brasileiros, são representados por apenas 10% dos parlamentares”, destaca Ivone, citando dados do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

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O resultado disso? Um Legislativo que não apenas promoveu o golpe como continua votando contra a sociedade brasileira. “A reforma trabalhista, por exemplo, é um desmonte dos nossos direitos e foi feita para defender os lucros de empresários, banqueiros, ruralistas, cujos interesses estão muito bem representados no Congresso.”

Para a dirigente, a saída é o fortalecimento da nossa frágil democracia. “Os trabalhadores e a maioria da população já se deram conta do que significou o golpe: cortes em saúde, educação, em programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minhas Vida, desmonte da Caixa e do Banco do Brasil, alta no preço dos combustíveis, ameaças à aposentadoria, desemprego, aumento da população de rua. Agora o momento é de resistência e de valorização do voto, com a eleição de representantes alinhados com um projeto de país democrático e popular.”

Ivone lembra que a categoria bancária está iniciando sua Campanha em meio ao desmonte trabalhista promovido pela reforma de Temer. “Nesse contexto, onde não temos mais nem a garantia da nossa CCT após 31 de agosto (a nova lei trabalhista acabou com o princípio da ultratividade que garantia a validade de um acordo até a assinatura de outro), vamos defender a manutenção de direitos conquistados em décadas, mas também vamos lutar por nossa democracia, inclusive pela realização de eleições, que também correm risco com o golpe. A classe trabalhadora tem de sair fortalecida das urnas em outubro deste ano”, reforça.

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Dois anos de golpe

A população brasileira está sentindo na pele o significado da ruptura da ordem democrática. Com a ascensão de Michel Temer ao poder, um projeto de governo caracterizado pelo desinvestimento público e sem qualquer respaldo popular passou a ser imposto à sociedade com apoio de um Congresso Nacional dominado por representantes da elite predatória que caracteriza o Brasil. O resultado é a crise econômica sem fim e a avalanche de retrocessos que assola o país desde 2016. Veja abaixo alguns dos retrocessos do golpe.

 



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