Luta

Resistiremos por nossos direitos

Próximo governo federal defende reforma da Previdência, privatizações e é favorável à nova lei trabalhista que legalizou contratos precários e terceirização irrestrita. Sindicato manterá sua luta em defesa da categoria

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/10/2018 16:11 / Atualizado em 01/11/2018 12:46

Arte: Linton Publio/Seeb-SP

Mesmo antes de tomar posse, o novo presidente e integrantes de sua equipe já anunciam medidas prejudiciais aos trabalhadores. Em entrevistas à mídia, na segunda-feira 29, o recém-eleito presidente disse que estará em Brasília na próxima semana para colaborar com a aprovação da reforma da Previdência, cuja tramitação foi interrompida por conta da pressão dos movimentos sociais e sindical. A proposta atual aumenta tempo de contribuição e idade mínima para aposentadoria, prejudicando os trabalhadores.

Seu futuro ministro da Fazenda, que é ultraliberal, também falou recentemente que a aprovação da reforma da Previdência é prioridade, e já defendeu inclusive a implantação de um sistema de previdência privado, nos moldes do chileno, que achatou o valor da maioria dos benefícios dos aposentados naquele país.

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CUT

“Vamos mobilizar a sociedade para impedir a reforma da Previdência da forma que quer se fazer”, disse o presidente da CUT, o bancário Vagner Freitas, na terça-feira 30, ao comentar a proposta do candidato eleito.

Privatizações

Em entrevista na terça-feira 30, o futuro ministro reforçou que as privatizações de estatais serão os próximos passos. Antes do segundo turno, ele havia dito à Globo que o objetivo era privatizar o máximo possível, o que incluía até mesmo os bancos públicos, como Caixa e Banco do Brasil. 

Quando deputado federal, o novo presidente votou a favor da reforma trabalhista de Temer, que retira direitos com a legalização de contratos precários e com a permissão da terceirização irrestrita. Portanto, é esperado que seu governo trabalhe no sentido de garantir as condições para que a nova lei trabalhista seja implementada com mais facilidade.

O diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Sócio Econômicos), sociólogo Clemente Ganz Lúcio, destaca que a eleição do candidato do PSL foi um cheque em branco dado pela sociedade ao futuro presidente. Isso porque seu programa de governo é “extremamente vago” e o candidato se recusou a ir a debates durante a campanha, o que contribuiu para a falta de clareza sobre suas propostas. 

“Podemos deduzir o que está por vir levando em consideração que seu futuro ministro da Fazenda defende medidas de um liberalismo radical. Portanto, podemos esperar a diminuição do Estado e maior presença do mercado em políticas sociais como previdência, seguridade, saúde”, pondera Clemente.

Segundo ele, o aprofundamento das políticas de Temer foram confirmadas pelas urnas e há autorização para uma reorganização do sistema produtivo a partir da ótica financeira.

Vai ter luta!

A presidenta do Sindicato, Ivone Silva, reforça que haverá oposição à retirada de direitos trabalhistas e sociais. “Faltou clareza em suas propostas e respeito aos eleitores quando o candidato se recusou a participar de debates. Ao invés de expor suas ideias para o Brasil, preferiu ameaçar com prisões ou exílio seus opositores políticos. Mas o Sindicato sempre lutou pela democracia em nosso país e pela manutenção e ampliação dos direitos dos trabalhadores. E não será diferente agora”, afirma.

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A dirigente lembra que o acordo de dois anos, fechado na campanha dos bancários deste ano, garante à categoria a manutenção da CCT em 2019, além de aumento real de 1% em 1º de setembro do próximo ano (o aumento real deste ano foi de 1,31%). “Mais uma vez nossa estratégia se manteve acertada e estaremos mobilizados para resistir a possíveis ataques contra nossas conquistas.”

 



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