Não à retirada de direitos

Bancários do Itaú protestam em todo o Brasil contra implantação da reforma trabalhista

Banco informou que não realizará mais homologações nos sindicatos; também houve tentativa de imposição de parcelamento e definição de datas das férias

  • Redação Spbancarios, com informações da Contraf-CUT
  • Publicado em 01/02/2018 09:24 / Atualizado em 01/02/2018 16:20

Paralisação mantém fechados os centros administrativos do Itaú no Tatuapé, na Rua Jundiaí e o ITM, em São Paulo

Foto: Seeb-SP

São Paulo - Bancários de todo o país realizam protestos e paralisações em agências do banco Itaú, contra a implementação de pontos da reforma trabalhista pelo banco . Em São Paulo, nesta quinta-feira 1 de fevereiro, estavam parados pela manhã os centros administrativos Brigadeiro, Tatuapé (CAT) e o ITM. Os dois últimos permanecem fechados, assim como o prédio da Rua Jundiaí.

“Hoje é uma paralisação nacional no Banco Itaú - ontem fizemos uma paralisação no Santander - contra a reforma trabalhista. O Itaú decidiu retirar as homologações do Sindicato. Fazendo isso, o trabalhador será, com certeza, prejudicado“, ressalta a presidenta do Sindicato, Ivone Silva. “Nas homologações, nós barrávamos demissões injustas de pessoas doentes, assediadas sexual e moralmente, pessoas que sofreram homofobia", complementou. 

O banco informara, por intermédio de seu diretor de RH e Relações Sindicais, Sergio Farjeman, que as homologações não seriam mais feitas nos sindicatos. Em dezembro, o Itaú também havia tentado promover alterações com relação à definição da data e período de férias. E ainda estipulado que seus departamentos Jurídico e de RH definiriam novas regras de acordo com as mudanças da nova lei trabalhista.

Fique atento: homologação fora do Sindicato é roubada

“Conseguimos reverter a decisão sobre as férias. Agora chega a informação sobre as homologações, que deixa o trabalhador sem o respaldo dos sindicatos para a conferência dos valores a serem pagos pelo banco. Se não mostrarmos nosso descontentamento, após o término da vigência da nossa Convenção Coletiva o banco vai querer retirar todos os direitos que ela garante", disse Jair Alves, coordenador da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.

Devido ao acordo de dois anos, firmado na campanha de 2016, a categoria tem vários direitos garantidos até 31 de agosto de 2018. A decisão pela realização das atividades em protesto contra medidas que tenham como base a nova lei trabalhista foi tomada pelo Comando Nacional dos Bancários, reunido em Porto Alegre no dia 25 de janeiro.

“Toda a categoria tem de se mobilizar, não apenas os bancários do Itaú. O Santander já havia anunciado medidas prejudiciais aos trabalhadores levando em conta a famigerada reforma. Agora, foi a vez do Itaú. Se toda a categoria não se mobilizar agora, logo todos os bancos retirarão nossos direitos. Temos de nos unir para nos defender uns aos outros”, disse Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e um dos coordenadores do Comando Nacional.

Sindicato e bancários resistem pacificamente à truculência do Santander

"Nós somos uma das poucas categorias que têm um acordo nacional, que reúne no comando nacional, do qual a Ivone (Silva, presidenta do Sindicato) é coordenadora, bancos públicos e privados, para fazer campanhas nacionais em torno dos nossos direitos", lembra Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato.

Homologação é no Sindicato! - "No CA Brigadeiro, a paralisação é de conscientização e diálogo com os trabalhadores do que vem a ser a reforma trabalhista. Estamos hoje dialogando da importância das homologações serem feitas no Sindicato, e não dentro do banco (justamente no CA), como eles estão colocando a partir de hoje", diz Sérgio Francisco, dirigente sindical e bancário do Itaú.

Decisão sem sentido - Para Jair Alves, a decisão unilateral tomada pelo Itaú não faz sentido. “Nos reunimos constantemente com o banco em mesa de negociações. Esse importante canal de diálogo é muito valorizado pela categoria e, acreditamos, também pelo banco. Não há porque não mantermos esse canal, ainda mais agora com a aquisição do Citibank e a tensão criada pela nova lei trabalhista. Vamos procurar negociar com o banco, mas estamos mobilizados para lutar por nossos direitos”, afirmou.

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Negociações em andamento - As negociações sobre a criação do Centro de Realocação e Requalificação Profissional, previsto na cláusula 62 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, é um exemplo de conversas em andamento entre o banco e os representantes dos trabalhadores.

Conquista da Campanha Nacional de 2016, a redação final da cláusula havia ficado pendente no fechamento da negociação e foi aprovada pelo Comando Nacional e pela Federação dos Bancos (Fenaban) no final de setembro de 2017.

No Itaú, os trabalhadores criarão um grupo para monitorar o andamento das realocações e requalificação, como já aconteceu após a incorporação do Unibanco.

As negociações para a próxima Campanha Nacional também já foram iniciadas. “Nos antecipamos com as negociações para buscar evitar perdas. Com a nova lei trabalhista, se não assinarmos um novo acordo até o final da vigência da convenção atual, podemos amanhecer no dia 1º de setembro sem nenhum direito garantido, desde férias contínuas de 30 dias, vale-refeição até PLR e todos os demais direitos que hoje temos. Por isso, temos que estar atentos e mobilizados”, explicou o coordenador da COE do Itaú.



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