Ocupa Brasília

Mais de 200 mil tomaram Brasília por Fora Temer e Diretas Já

Trabalhadores e integrantes de movimentos sociais de todos os estados brasileiros tomaram as ruas da capital federal e a Esplanada dos Ministérios e enfrentaram a violência da polícia; presidente da CUT diz que resistência vai continuar e uma nova greve geral será convocada

  • Andréa Ponte Souza, Spbancarios
  • Publicado em 24/05/2017 18:49 / Atualizado em 24/05/2017 20:17

Trabalhadores tomaram ruas e Esplanada dos Ministérios em ato pacífico contra reformas que retiram direitos, pelo fora Temer e por diretas já

Foto: Tiago Macambira/Jornalistas Livres

Brasília – O #OcupaBrasília, nesta quarta 24, reuniu mais de 200 mil manifestantes, superando a meta de 100 mil dos organizadores da mobilização. Trabalhadores do campo e da cidade e movimentos sociais iniciaram o protesto com marcha que saiu do estádio Mané Garrincha em direção à Esplanada dos Ministérios. Apesar de pacífica, quando o início da marcha chegou próximo ao Congresso Nacional foi recebida com bombas de efeito moral e balas de borracha pela Polícia Militar do Distrito Federal e pela Força Nacional. Segundo imagens da Rede Globo, há suspeitas inclusive do uso de arma de fogo por policiais.

Foto: Mídia Ninja


“A PM está reprimindo os trabalhadores, atacando os trabalhadores em uma marcha pacifica. Nossas únicas armas são nossa unidade, nossa fala, nossa voz. Nós não podemos permitir isso. E vamos continuar lutando pela saída desse governo golpista”, disse a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, que participou do ato ao lado de outros dirigentes sindicais bancários.

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A repressão ao movimento, que começou pacífico e mudou de rumo após a agressão policial, foi defendida pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, inclusive com decreto assinado por Temer de intervenção das Forças Armadas em Brasília, até o dia 31 de maio, numa trágica volta ao passado. “O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições”, afirmou, sem explicar de que respeito ou democracia falava, diante de um governo tomado por denúncias de corrupção e violação às leis.

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“Os trabalhadores faziam uma passeata pacífica, havia crianças, mulheres, idosos... e provavelmente tinha pessoas infiltradas. O governo está se aproveitando disso, já que está em cheque, e quer criar um estado de sitio, de exceção”, criticou Juvandia.

Foto: Jornalistas Livres


A dirigente refroçou os motivos da manifestação, contra as reformas da Previdência, a trabalhista, pela saída de Temer e convocação de eleições diretas já. “Não podemos aceitar que retirem direitos dos trabalhadores, direitos do povo brasileiro para favorecer mais ainda uma minoria rica. Querem acabar com a aposentadoria para que os bancos lucrem vendendo aposentadoria privada. Querem tirar da classe trabalhadora para favorecer interesses de organizações patronais como CNI [Confedereção Nacional da Indústria], CNT [Confederação Nacional dos Transportes], Fenaban [Federação Nacional dos Bancos]”, destacou.

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“É por isso que estamos aqui, a CUT [Central Única dos Trabalhadores] e todas as demais centrais, trabalhadores do campo e da cidade, do setor público e do setor privado e movimentos sociais. Para lutar pelo Fora Temer, por Diretas Já e para impedir essas reformas que retiram nossos direitos. E temos de continuar lutando para derrubar esse golpista e para retomar a democracia no país”, acrescentou.

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Seeb/SP

O ator Osmar Prado, que também participou da marcha, declarou: “Estamos vivendo um regime de exceção. Desde que retiraram, com um golpe, uma presidenta que tinha sido eleita de forma legítima”.

Foto: Tiago Macambira / Jornalistas Livres


Ao final do ato, o presidente da CUT, Vagner Freitas, parabenizou a militância da central e os demais participantes da manifestação pela “maior marcha” que já ocorreu em Brasília. “Viemos enfrentar aqui esses golpistas. Se eles não conseguem completar o golpe, com a aprovação das reformas, é por causa da nossa resistência.” Vagner também lembrou da greve geral histórica do dia 28 de abril e anunciou uma nova greve geral no país, em data a ser definida. “Vai ser maior do que a do dia 28”.



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