Alta com sucateamento

Lucro do Banco do Brasil sobe 20% no primeiro trimestre de 2018

Quase 2 mil postos de trabalho foram eliminados e 270 agências foram fechadas nos últimos 12 meses, reforçando processo de encolhimento do banco público 

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 10/05/2018 16:41 / Atualizado em 10/05/2018 18:09

Protesto do Sindicato contra redução dos postos de trabalho no Banco do Brasil

Foto: Seeb-SP

O Banco do Brasil atingiu lucro líquido ajustado de R$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2018, crescimento de 20,3% em relação ao mesmo período de 2017. O resultado foi influenciado pelo aumento das rendas de tarifas, pela redução das despesas de provisão e as administrativas. Com isso, o retorno sobre patrimônio líquido (RSPL) aumentou para 13,2%.

O BB cortou 1.983 postos de trabalho nos últimos 12 meses e chegou a 97.981 trabalhadores. Além disso, fechou mais 270 agências no período, chegando a 4.159 em março de 2018.

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Não por acaso, no primeiro trimestre o Banco do Brasil foi o terceiro banco com maior número de reclamações consideradas procedentes pelo Banco Central, segundo ranking elaborado pelo órgão, no segmento de instituições financeiras com mais de 4 milhões de clientes. 

Nos primeiro três meses do ano, as despesas de pessoal apresentaram queda de 2,6% em relação ao mesmo trimestre de 2017.

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,4%, chegando a R$ 6,5 bilhões apenas nos primeiros três meses de 2018. Com essa receita, o BB paga toda sua despesa de pessoal, incluindo PLR, e ainda sobra R$ 1,3 bilhão. 

“Mais um trimestre em que o Banco do Brasil cresce em detrimento da piora do atendimento, sucateamento das agências, aumento das tarifas e redução do número de funcionários, comprovando que o aumento do lucro foi construído sobre a exploração da sociedade e dos bancários, e do próprio sucateamento da instituição”, avalia Sílvia Muto, dirigente sindical e bancária do Banco do Brasil.

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As despesas de intermediação financeira tiveram forte queda de 31% em relação ao mesmo período de 2017, com destaque para as despesas de captação com recuo de 44% e as provisões para devedores duvidosos que caíram 18%.

A carteira de crédito ampliada PJ reduziu 6,3% no ano, influenciada pelo decréscimo de R$ 8,7 bilhões nas operações de capital de giro (7,4%), investimentos em R$ 3,8 bilhões e crédito imobiliário (R$ 2,5 bilhões).

“A redução das carteiras de credito Pessoa Jurídica e o aumento das tarifas reforçam o afastamento do Banco do Brasil da sua função pública de fomento à economia e inclusão bancária da população de menor renda”, denuncia Sílvia Muto.

“Ao mesmo tempo em que diminui a carteira de crédito, a direção do BB incentiva a atuação das agências de crédito terceirizadas, chamadas de Cobans (Correspondentes Bancários), inclusive com a atuação de agentes terceirizados dentro das agências, o que é expressamente proibido pela resoluição 4.035 do Banco Central”, ressalta a dirigente. 

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A carteira Pessoa Física orgânica, por sua vez, cresceu 3,0% em 12 meses, fruto do desempenho positivo em crédito consignado (R$ 5,1 bilhões) e da alta de 6,8% do financiamento imobiliário (R$ 2,9 bilhões).

A taxa de inadimplência chegou a 3,65% no primeiro trimestre de 2018, queda de 0,24 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2017.



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