2017/2020

Nova diretoria do Sindicato toma posse

Ivone Silva sucede Juvandia Moreira e é a segunda mulher a conduzir a entidade em 94 anos de existência; cerimônia foi marcada por homenagens e discursos que lembraram a importância do Sindicato na organização da categoria, da classe trabalhadora e na construção da democracia no país

  • Andréa Ponte Souza, Spbancarios
  • Publicado em 07/07/2017 15:45 / Atualizado em 10/07/2017 11:46

Posse da nova diretoria do Sindicato reuniu representantes de entidades do setor bancário e das maiores centrais sindicais do país

Foto: Juca Varella

São Paulo – Com garra e coragem mas, acima de tudo, com leveza, ternura e alegria. Foi assim que a nova presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região resumiu a disposição com que assume o cargo. Segunda mulher à frente de uma das maiores entidades representativa dos trabalhadores, Ivone Silva foi oficialmente conduzida ao cargo na manhã da sexta-feira 7, junto com uma diretoria composta por lideranças bancárias de instituições financeiras públicas e privadas (veja nomes abaixo).

“Me sinto honrada e muito feliz. Não sinto de forma alguma como um peso nos meus ombros”, disse Ivone, referindo-se às falas que lembraram do momento difícil pelo qual passa o país, de ataques à democracia e aos direitos dos trabalhadores e da população. “É uma honra para mim quando vejo todas essas lideranças que fundaram esse Sindicato, que ajudaram na luta dos trabalhadores. Para nós, bancários, essa luta sempre foi feita de forma leve. Nossos atos são feitos com humor, com teatro, com música...  Vamos continuar construindo essa luta com alegria”, acrescentou.

Ivone é formada em Ciências Sociais, com MBA em Finanças. Funcionária do Itaú, começou como diretora do Sindicato em 1997 e está à frente da secretaria-geral desde 2014, auxiliando na coordenação das Campanhas Nacionais Unificadas. Foi eleita presidenta em abril deste ano, com 78,76% dos votos válidos.

“Dizem que esse é um momento para ir às ruas, mas nós nunca saímos. Foi assim que conquistamos 13 anos consecutivos de aumento real. A diferença é que o governo anterior havia sido eleito e recebia os movimentos sociais e sindical, e agora estamos vivendo sob um governo golpista, que retira nossos direitos e ataca a Constituição de 1988, que estabelecia minimamente um Estado de bem-estar social. E contra tudo isso vamos continuar nas ruas. Não me vejo em outro lugar que não seja fazendo essa luta diária junto com todos que querem um mundo melhor”, afirmou Ivone, em discurso que concluiu a cerimônia de posse realizada no auditório azul do Sindicato, com a participação de lideranças da CUT, Intersindical, CTB, Contraf-CUT, Fetec-CUT/SP, Abaesp, Apcef, Afubesp, UNI Finanças Mundial e sindicatos de bancários de vários municípios paulistas.

Homenagem – Com uma fala emocionada, Juvandia Moreira se despediu da presidência da entidade, cargo que ocupou entre 2011 e 2017, sendo eleita para duas gestões. “Grande parte do que sou eu devo ao Sindicato. Aqui aprendi muito mais do que na faculdade. Aprendi sobre política, uma das coisas mais ricas e mais belas. A política é viva, transforma, é através dela que podemos mudar as coisas para melhor. Aprendi sobre Direito, Economia, sobre nossa categoria, sobre gente. Mas aprendi acima de tudo sobre mim mesma. E descobri que ainda tenho muito a aprender na vida”, disse.

> “Continuarei defendendo bancários e bancárias”

Ela lembrou de momentos felizes e tristes de sua trajetória como dirigente do Sindicato e agradeceu aos companheiros de luta, à categoria, aos funcionários da entidade. “Dei muito de mim, mas recebi muito mais”, afirmou Juvandia, que assume agora a vice-presidência da Contraf-CUT.

Antes de seu discurso, Juvandia foi homenageada com seresta do grupo Trovadores Urbanos, que cantaram Cartola, Gonzaguinha, Milton Nascimento e Pixinguinha, entre outros compositores brasileiros.

História de luta – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o bancário Vagner Freitas, que empossou oficialmente a nova presidenta, resgatou a trajetória de luta e a importância do Sindicato, que em abril completou 94 anos. “O Sindicato foi fundado pouco depois da primeira greve no Brasil, que completou 100 anos agora. E de lá para cá nada aconteceu no Brasil sem a participação do Sindicato. Nenhuma luta, nenhum movimento de vanguarda ou de resistência. Não é possível pensar a organização sindical brasileira sem esse Sindicato, que não é apenas um dos mais fortes do país, mas é um dos mais importantes do mundo. São raros os países em que a categoria bancária assume o protagonismo nas lutas sociais e nós somos protagonistas.”

Vagner também lembrou os discursos anteriores que apontaram os desafios da entidade na atual conjuntura de retirada de direitos, mas rebateu dizendo não lembrar de nenhum momento que tenha sido fácil no Brasil. “Vai ser sim um momento em que a luta de classes se mostra mais dura, mas qual não foi? E qual foi o desafio que este Sindicato não foi capaz de vencer?”

Empoderamento feminino – O presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, destacou o empoderamento feminino na categoria e no Sindicato. “Ivone é a segunda presidenta e é a primeira mulher negra que vai dirigir a entidade. Nosso movimento atinge um posto de maturidade na questão da diversidade”, destacou, lembrando ainda os avanços do movimento sindical bancário em relação a questão de gênero, dos LGBT, de igualdade de oportunidades e de respeito à diversidade.

Ausência – A ausência mais comentada, homenageado em praticamente todos os discursos, foi a do ex-presidente do Sindicato João Vaccari Neto que, apesar de inocentado, é preso político em Curitiba.

 



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