Não à retirada de direitos

Santander é alvo de protestos em todo o país

Banco implementa medidas que prejudicam trabalhadores e bancários reagem com atos e paralisações; em São Paulo, call center do Vila está fechado

  • Contraf-CUT, com edição de Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/01/2018 10:22 / Atualizado em 31/01/2018 12:02

Vila Santander, na zona norte de São Paulo, amanheceu fechado; protestos paralisam o call center do banco

Foto: Seeb-SP

São Paulo - O Santander é alvo, mais uma vez, de protestos realizados por bancários em todo o país. As paralisações foram motivadas pela implementação de medidas que prejudicam os trabalhadores, sem consulta aos funcionários ou seus representantes sindicais. No dia 20 de dezembro o banco já havia sido alvo de protestos.

“Depois dos protestos do dia 20, enviamos um ofício ao banco solicitando negociações, mas sequer obtivemos resposta. Por isso, estamos novamente nas ruas protestando contra as medidas arbitrárias que retiram direitos da categoria e contra o desrespeito do banco pelos trabalhadores”, explica Maria Rosani, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.

O banco implantou um sistema para forçar a assinatura em um Acordo Individual de Banco de Horas Semestral. “Essa medida é inconstitucional e mostra o total desrespeito do banco espanhol com trabalhadores e representantes sindicais”, afirma Mario Raia, secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e funcionário do banco espanhol.

Antes dos protestos, os trabalhadores já haviam se reunido com o banco para questionar a arbitrariedade do banco e solicitarem a suspensão do sistema até que houvesse negociação sobre a implantação da medida. O banco manteve a intransigência e disse que não haveria negociações.

> Santander aciona PM contra direitos dos bancários

Outras arbitrariedades - Também sem nenhuma negociação, o banco informou a alteração da data de pagamento dos salários, do dia 20 para 30, e os meses de pagamento do 13º salário, antes março e novembro, agora passam a ser maio e dezembro. “O desrespeito aos trabalhadores e à sua organização é uma prática antissincial que o banco tenta aplicar repetidamente”, critica Mario Raia.

Os trabalhadores também sofrem com os aumentos abusivos do plano de saúde, que causa dificuldades para muitos deles bancarem os custos. Outro problema constante no banco é o grande número de demissões. Nos últimos dias, o banco dispensou 200 funcionários. “Não bastasse tudo isso, o Santander já informou que vai aplicar o parcelamento das férias. Que ninguém se iluda que esse parcelamento será negociado. Como podemos ver, negociação não é uma característica do banco”, completa o dirigente sindical da Contraf-CUT.

Hora de mobilizar - A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários tem vigência até 31 de agosto de 2018. No Santander há também um Acordo Aditivo. “Se não reagirmos a esse ataque agora, assim que terminar a vigência do acordo e da CCT, podem ter certeza de que o banco espanhol vai cortar todos os direitos dos trabalhadores que a nova lei trabalhista lhe permite. Ou cruzamos os braços agora ou vai piorar depois”, ressalta Maria Rosani.

Para Rita Berlofa, presidenta da UNI Finanças Mundial, também funcionária do banco espanhol, o que está acontecendo no Santander pode acontecer também com os demais bancos e também nos outros setores. “Todos os trabalhadores precisam estar alertas e apoiar os protestos. Hoje é o banco espanhol que desrespeita e corta os direitos dos brasileiros, mas essa reforma foi feita por encomenda dos empresários. Eles vão querer colocar em prática todo o massacre que ela prevê. Ou a classe trabalhadora se levanta e luta unida desde já, ou quando pensar em fazer isso pode ser muito tarde.”



Voltar para o topo