Trabalhadores resistem

Santander aciona PM contra direitos dos bancários

Paralisação no call center do Vila é contra mudanças unilaterais que prejudicam trabalhadores; Sindicato cobra negociação e mantém resistência pacífica diante da pressão do banco que se recusa a negociar e usa polícia para barrar o protesto

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/01/2018 11:21 / Atualizado em 31/01/2018 14:54

Representantes dos bancários fazem resistência pacífica contra ação da PM no Vila Santander

Foto: Seeb-SP

São Paulo – Desrespeito às conquistas e também ao direito de mobilização dos trabalhadores. Essa é a verdadeira cara do Santander, revelada mais uma vez na quarta-feira 31, quando a Polícia Militar foi acionada diante do protesto dos bancários. O call center do Vila amanheceu fechado contra mudanças prejudiciais impostas aos empregados pela direção do banco.

> Santander é alvo de protestos em todo o país

Um bancário relatou um dos muitos problemas enfrentados na rotina do banco. “A gente tem que justificar as horas extras e mesmo se não concordarmos com alguma data, o banco obriga a assinar. Não existe negociação nenhuma e por causa dessa mudança nós não recebemos mais hora extra. Cabe a nós simplesmente aceitar essas novas regras, porque se não roda. Está todo mundo com medo.”

“É lamentável essa postura do Santander”, critica Rita Berlofa, presidenta da UNI Finanças Mundial e funcionária do banco espanhol. “Apelar para força policial em detrimento ao diálogo. Isso mostra que o Santander não respeita os trabalhadores, que tem uma postura antissindical. Não é possível que tente implementar medidas que retiram direitos e se negue a discutir esses temas com o Sindicato. Isso é desrespeitoso”, diz Rita, lembrando que o Brasil é o país responsável pela maior parte do lucro do banco no mundo. 

Resistência pacífica – Apesar da pressão da PM, a paralisação no Vila Santander continua contra a implementação dos horrores da reforma trabalhista. Representantes dos trabalhadores fizeram um tapete humano para evitar que os bancários fossem forçados a entrar para trabalhar sob escolta da polícia. 

“Não podemos aceitar que os trabalhadores sejam explorados, desrespeitados dessa forma. O fato de o Santander chamar a polícia mostra a postura do banco. Nós queremos negociar, nos chame pra negociar. O Sindicato reage e estamos reagindo a uma posição do Santander de se negar ao diálogo. E não adianta mandar comunicado para a rede dizendo que sempre foi aberto ao diálogo porque é mentira e os trabalhadores sabem disso. Estamos o ano inteiro aqui e eles respeitam o movimento sindical. Os trabalhadores se negaram a entrar apesar da força policial que teve uma postura decente. Santander, se não quer conflito, chame para dialogar, porque é isso que nós queremos”, ressalta a dirigente.

Acompanhe o protesto pelas redes sociais do Sindicato no facebook e twitter.

Reforma que é desmonte – “O Santander não convocou o Sindicato para fazer as negociações e tem implementado à revelia dos trabalhadores a reforma trabalhista. Para isso, eles precisam da força policial. Nós sabemos que o setor financeiro é o que mais lucra nesse país, então por que não pode fazer as coisas de forma negociada com o movimento sindical?”, questiona a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, que também está ao lado dos trabalhadores no Vila.

“Aí é o estado servindo ao sistema financeiro: é a polícia a serviço do banco, coagindo e constrangendo os trabalhadores que chegam aqui e não querem entrar, que estão ao lado do Sindicato, pois sabem que estão sendo lesados pela política do governo Temer”, relata o diretor do Sindicato Carlos Damarindo. “Nessas horas, o estado é importante para o Santander: os PMs estão caçando bancário para coagir e forçar a entrar para trabalhar. É muito estranha essa relação entre a PM e o Santander, mas já é algo costumeiro aqui para nós.”

“O Santander não negocia com os bancários e ainda chama a polícia quando protestam contra todo esse desrespeito do banco”, critica Maria Rosani, Comissão de Organização dos Empregados do Santander. “Os banqueiros, apoiadores do golpe, querem acabar com os direitos, com a organização dos trabalhadores e querem usar força policial para isso. Não vamos aceitar!”

 

 



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