PLC 38

Crise força relator a suspender reforma trabalhista no Senado

Diante da crise política, senadores de oposição também consideram superadas propostas de reforma trabalhista e da Previdência e exigem que sejam barradas

  • Redação Spbancarios, com informações da Agência Senado
  • Publicado em 18/05/2017 17:57 / Atualizado em 18/05/2017 18:30

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

São Paulo - O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relator da reforma trabalhista do governo Temer, parou o trâmite da proposta nas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS). Em nota oficial (leia abaixo) citou a crise institucional para suspender a agenda previamente anunciada, sem previsão para retomada das discussões.

Ferraço havia anunciado a entrega na CAE do relatório da reforma, prevista no PLC 38/2017, para terça-feira 23. Na CAS seria para o dia seguinte. A votação em plenário estava prevista, inicialmente, entre os dias 12 e 15 de junho

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A página do jornal O Globo na internet publicou, no blog do colunista Lauro Jardim, na noite desta quarta-feira 17, que os donos do frigorífico JBS gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. A informação dos empresários foi dada em delação à Procuradoria Geral da República.

Oposição - Para os senadores de oposição ao governo, as propostas de reforma trabalhista, já aprovada na Câmara, e da Previdência estão "superadas" e devem ser barradas no Senado. 

O Sindicato também cobra a suspensão de todas as mudanças feitas no governo Temer e cobra: O Brasil precisa de eleições diretas gerais; e é urgente.

"Essas matérias acabaram, até os parlamentares do PSDB já têm consciência que elas se encerraram. Ou seja, o objetivo do golpe foi por água abaixo", afirmou Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

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Paulo Paim (PT-RS) também entende que os projetos não se sustentam no atual cenário. "Fiz até um apelo para o relator da reforma da Previdência na Câmara para que tenha o mesmo gesto do senador Ferraço, que suspendeu a tramitação da reforma trabalhista enquanto não resolvemos essa crise política. Nós esperamos que o novo presidente eleito se debruce sobre esse tema e chame a sociedade para o debate."

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José Pimentel (PT-CE) foi ainda mais longe na análise sobre o momento vivido pelas instituições. "Eu sou daqueles que quando vejo o presidente de um partido, o PSDB, candidato à presidência da República, sendo afastado do seu mandato com um pedido de prisão feito pela Procuradoria, só isso é suficiente para paralisar o trabalho do Congresso Nacional."

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Leia a nota oficial divulgada por Ricardo Ferraço, relator da reforma trabalhista no Senado:

NOTA OFICIAL

A crise institucional que estamos enfrentando é devastadora e precisamos priorizar a sua solução, para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma trabalhista. Portanto, na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões anunciado está suspenso. Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário.

Ricardo Ferraço
Senador pelo PSDB-ES

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