Resistência

Empregados mobilizam-se contra o desmonte

Em plenária, bancários discutiram GDP, verticalização e reestruturação, que prejudicam trabalhadores, clientes e atacam a função social do banco; e apresentaram propostas para o Dia Nacional de Luta, na terça-feira 15

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 14/08/2017 11:19 / Atualizado em 28/09/2017 13:27

Plenária na sede do Sindicato, no centro de São Paulo

Foto: Seeb-SP

São Paulo – Reunidos na sede do Sindicato, bancários da Caixa debateram as medidas do governo Temer que visam ao desmonte do banco público e apresentaram propostas para a luta contra essas ações. A plenária discutiu GDP, verticalização e reestruturação, que estão sendo implementadas pela diretoria e prejudicam trabalhadores, clientes e reduzem o papel social do banco público. 

Os bancários presentes também apresentaram propostas para o Dia Nacional de Luta dos empregados da Caixa, que ocorrerá em todo o país na terça-feira 15, mesmo dia em que ocorre a mesa de negociação entre a Comissão de Empresa dos Empregados (CEE) e a direção do banco, em Brasília. 

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GDP – A Gestão de Desempenho de Pessoas, ou GDP, é, segundo o dirigente, um instrumento oficial de assédio moral. “Cada bancário com função tem uma meta e se não cumprir é estigmatizado. Ele recebe uma classificação de acordo com seu desempenho e se ficou longe da meta é rotulado como ‘incipiente’. É o assédio moral institucionalizado no banco.” 

Danilo lembra que a Caixa desrespeitou um compromisso na mesa de negociação ao expandir o GDP para todos os comissionados do banco.

Verticalização – Com a mudança nas carteiras de clientes – a chamada verticalização, que começou este ano –, a direção prejudica os correntistas com menor renda. “Os clientes com menor poder aquisitivo, que eram o foco da Caixa, ficarão sem gerente, e o banco está priorizando os clientes com mais produtos, ou seja, os de alta renda. Está adotando uma estratégia de mercado e descaracterizando o papel social da Caixa”, explica Danilo.

Segundo o dirigente, a verticalização poderá reduzir o número de funções gratificadas nas agências. “A exigência de um número mínimo de contas para manter a carteira é uma desculpa para descomissionar gerentes, reduzindo a remuneração dos empregados. É uma medida ruim para os trabalhadores e para os clientes.”

Reestruturação – Iniciada em julho, a reestruturação está reduzindo as áreas meio da Caixa e o número de funcionários e funções nessas áreas. As principais afetadas são as Gifug (gerências de Fundo de Garantia), Gigov (gerências que cuidam dos programas sociais) e as Cehabs, que se ocupam do crédito habitacional, uma das principais funções sociais do banco (a Caixa é responsável por 75% do crédito habitacional no país). “É o tripé social do banco que está sendo posto abaixo: FGTS, usado para ações sociais; os programas sociais; e o crédito habitacional. É claramente um ataque ao papel social da Caixa”, reforça o dirigente.

Com a reestruturação, o banco está reduzindo também as Giret (gerências de retaguarda). “São 76 Girets em todo o país e elas vão cair para 18. Isso ameaça os empregos de mais de 500 bancários, que atuam nessa área”, informa.

Danilo Perez reforça que as três medidas estão interligadas e significam a redução do papel da Caixa para o desenvolvimento do país. “Estamos sob um enorme ataque, talvez pior do que na década de 90, quando o banco foi preparado para ser vendido. Mais uma vez corremos o risco de ver a Caixa privatizada e mais do que nunca temos de nos unir e nos mobilizar ao lado do Sindicato”, conclama.



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