São Paulo – Há cerca de dois anos o estado de São Paulo sofria com a maior crise de abastecimento de água da sua história, que por pouco não causou o desparecimento do sistema de reservatórios da Cantareira – o maior da região metropolitana que circunda a capital. O fim da estiagem salvou as represas do colapso e a população de conviver com o caos, mas especialistas afirmam que um problema estrutural persiste – resultado de décadas de falta de investimento do poder público –, e que foi apenas acobertado pelo aumento do volume de chuvas.
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A fim de evitar que a situação vivida em 2014/2015 se repita, o Coletivo de Luta pela Água realizará no dia 30, na sede do Sindicato (Rua São Bento, 413), a Assembleia Popular Paulista da Água. O evento reunirá entidades, sindicatos, movimentos sociais, ambientais, coletivos e comunidades para mapear as reivindicações e os conflitos existentes em relação à água e ao saneamento básico no estado de São Paulo.
O mapeamento servirá como base para organizar um movimento unificado e organizado de defesa da água que atuará em cada localidade do estado.
“A ideia é que essas entidades e pessoas se manifestem e apontem diagnósticos para que possamos construir ações a fim de reverter os problemas e conflitos relacionados à agua”, explica o coordenador do Coletivo de Luta pela Água, Edson Aparecido da Silva.
Fórum Alternativo Mundial da Água – Ao final da Assembleia, será lançado o comitê paulista de preparação para o Fórum Alternativo Mundial da Água – Fama 2018, que ocorrerá de 17 a 19 de março, na Universidade de Brasília.
O Fama será realizado como contraponto ao 8º Fórum Mundial da Água, promovido por grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água e estarão reunidos na capital federal na mesma data.
“Esse fórum potencializará a visão de tratar a água como mercadoria e que torna esse recurso inacessível a uma grande parcela da população undial”, alerta Edson, que é também coordenador nacional do Fama.