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Chapéu
Violência contra a mulher

Feminicídio é tema de porta de fábrica, diz Lula; Sindicato destaca Projeto Basta!

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Imagem mostra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. Palácio do Planalto. Brasília (DF) - Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então. Diante deste cenário, os três poderes da República participaram nesta quarta-feira 4 do lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.

A iniciativa estabelece um compromisso integrado entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar a violência letal contra mulheres, com ações de prevenção, proteção, responsabilização de agressores e garantia de direitos.

Sindicatos contra a violência de gênero

Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a luta contra a violência de gênero deve ser abraçada por toda a sociedade, especialmente pelos homens.

“O que nós estamos dizendo para o movimento sindical brasileiro é que esse é um tema de porta de fábrica. Esse é um tema de assembleia de trabalhadores. O que nós estamos dizendo para os deputados e deputadas é que esse é um tema para todos os seus discursos. Não é apenas para o Dia Internacional da Mulher ou para uma passeata das mulheres. É lembrar que quando a gente estiver falando, a gente está tentando conscientizar uma criança. É dizer aos nossos professores e professoras que esse é um tema que vai da creche à universidade. Para saber se quando um jovem se forma doutor em uma universidade, se ele também pode ser um doutor em respeito à mulher”, afirmou o presidente.

O Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio entre os três poderes do Estado brasileiro foi assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Mota, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o defensor público-geral federal em exercício, Marcos Badeires.

Pioneirismo na proteção às trabalhadoras

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, destaca que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária é pioneira ao regulamentar a implantação de canais de denúncia voltados aos trabalhadores, reconhecendo esses instrumentos como mecanismos fundamentais de prevenção às violências e discriminações no ambiente de trabalho.

“Essa conquista é resultado de anos de reivindicação e negociação coletiva, impulsionadas, entre outros espaços, pela Mesa de Igualdade de Oportunidades, que em 2024 completou 23 anos de atuação contínua. Ao longo desse período, o movimento sindical bancário tem exigido das instituições financeiras a adoção de políticas efetivas de inclusão, orientação, prevenção e combate a todas as formas de discriminação, seja ela social, racial, de cor, gênero, idade ou orientação sexual (LGBTQIA+)”, destaca a dirigente.

Projeto Basta!: Proteção real para a bancária

O Sindicato também atua na vanguarda dessa luta por meio do Projeto Basta! Não irão nos calar!, iniciativa que oferece assessoria jurídica especializada a bancárias vítimas de violência doméstica.

O projeto presta apoio em ações como solicitação de medidas protetivas, processos de divórcio e disputas de guarda, reafirmando o compromisso da entidade com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento das violências para além do local de trabalho.

Atualmente as bancárias contam com 14 canais para acolhimento e assistência jurídica especializada presentes nas cinco regiões do país, em 485 cidades atendidas.

Desde sua criação, em 2019, o canal já atendeu 531 pessoas, sendo 529 mulheres. Os dados revelam a gravidade do problema: em todos os casos, foram relatadas ao menos duas formas de violência (física, psicológica, patrimonial, moral ou sexual).

“É inadmissível que mulheres sigam sendo agredidas e mortas diariamente diante de uma sociedade que falha ao se omitir. Uma sociedade que se cala frente a episódios recorrentes de abuso e violência. É fundamental afirmar com clareza: qualquer indício de maus-tratos nas ruas, gritos ou conflitos na vizinhança, abusos e intolerância no ambiente de trabalho — todo ato violento é um feminicídio em potencial. Não podemos permanecer em silêncio nem continuar nos omitindo, fingindo que isso não nos diz respeito ou repetindo a ideia de que em briga de marido e mulher ninguém deve intervir. Intervir é necessário, e vamos intervir, sim”, afirma Neiva Ribeiro.

Como buscar ajuda

Se você é bancária e está passando por uma situação de violência, ou conhece uma colega que precise de apoio, o Sindicato oferece atendimento humanizado e sigiloso. A iniciativa não apenas orienta, mas garante que a trabalhadora consiga romper o ciclo de violência com respaldo jurídico especializado.

Para falar com o projeto Basta! Não irão nos Calar! - em São Paulo, Osasco e região - basta entrar em contato pelo WhatsApp (11 97325-7975).

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