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Chapéu
Cultura

Bancário do BB lança livro sobre a história de grandes composições da música clássica

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Capa do livro A arte nos Sonha, de Carlos Netto

Após uma década de pesquisa, o escritor Carlos Netto, que foi bancário do BB por 36 anos, lança o livro “A Arte nos Sonha” - já disponível em pré-venda, com 20% de desconto, pelo site da editora Pusional - que apresenta a história de 13 composições de renomados autores: quais as motivações no tema e estética de obras como “Tristão e Isolda”, de Wagner, ou a Sinfonia no. 6 – Patética, de Tchaikovsky. 

“O livro não é de teoria musical. Ele reúne história, filosofia, psicologia e arte. Eu curto música clássica e sempre quando admiro uma música, eu procuro entender o que levou a composição da música daquele jeito. O que o compositor estava passando na vida, qual desafio o levou a compor. Isso é muito importante para mim, uma vez que eu parto do princípio de aquilo que a gente faz - independente da nossa área de atuação, médico, enfermeiro ou bancário - é resultado do que a gente é. A gente entrega ao mundo aquilo que a gente tem dentro da gente. Eu vivi muito tempo na vida bancária, 36 anos, e a gente sabe que o resultado do nosso trabalho é fruto do nosso íntimo, daquilo que a gente está passando”, explica o autor. 

“No livro eu conto treze histórias de composições e mostro o estado de espírito dos compositores, o que eles estavam enfrentando. Por exemplo, eu pego o Wagner, no prelúdio de Tristão e Isolda. Wagner se apaixonou por uma mulher casada, viveu um amor impossível, e trouxe isso para a música. Ele compõe um prelúdio totalmente angustiante. A paixão tem essa dimensão angustiante. Ou então Piazzola, em Oblívio, um dos capítulos do livro. Oblívio, em grego, remete a ideia da memória. O conflito do Piazolla é que ele está vivendo uma guerra das Malvinas, a perda do espaço do tango nas rádios argentinas para o pop norteamericano, o receio de uma perda da identidade, e uma ditadura militar em declínio, que precisa ser questionada e que arruma uma guerra para tentar unificar um país com rachaduras evidentes. Eu uso esse capítulo para fazer a diferença, por exemplo, entre golpe e revolução. Quando alguns querem trazer a ideia de uma revolução, como acontece em relação a 1964 no Brasil, mas na verdade foi um golpe militar. Então, o livro aborda política, história, psicologia, a expressão humana”, acrescenta. 

A obra - que conta com ilustrações de Elifas Andreato e texto de apresentação do maestro João Carlos Martins - é resultado de intensa pesquisa em fontes originais, entre cartas e registros nas partituras; e secundárias, com as biografias mais recentes publicadas no exterior. 

“A ideia do livro é levar o leitor a três coisas: primeiro, a esse entendimento de que o que a gente faz, cria, é resultado do que a gente sente; o segundo é qual o sentido e significado que a música tem para o leitor; e o terceiro é que a música nos ajuda a ter uma leitura mais sensível do mundo e do ser humano, e essas histórias mostram isso. Precisamos de mais humanidade, mais sensibilidade. Vivemos um momento do país de grito, de um manda e o outro obedece, de uma postura autocrática. Creio que a arte pode nos ajudar essa maior sensibilidade e humanidade com o outro, especialmente nesse momento de pandemia, em que a arte nos ajudou muito a ficar de pé”, diz Carlos Netto. 

Carlos conta que, ao longo das treze histórias do livro, ele também se coloca na obra, inclusive com uma passagem ocorrida durante seu tempo como bancário.  “Tive uma experiência com um amigo do banco, que perdeu o filho muito novo. Lembro que no dia que ele soube da morte do filho, a gente se abraçou, eu estava ao lado dele, e ele perguntava o porquê. Uma pergunta que não tem resposta. E isso aconteceu com um compositor francês, O Saint-Saëns, que perdeu dois filhos em um intervalo de seis meses. E ele encontra o consolo em um amigo, também compositor, e ele dedica uma sinfonia ao amigo que chorou com ele”.

Lançamento 

O lançamento do livro A arte nos Sonha acontece, de forma online, no próximo dia 4 de maio, às 19h30, nas redes sociais (Instagram: @inspirartescutural e @carlos_netto_br I Facebook: /inspirartescutural I Youtube: /inspirartescutural). O evento contará com leitura de trechos por Clarice Niskier, e Tibbor Fittel interpretando músicas, além de outros convidados. 

Doação

Carlos Netto, que realiza trabalhos sociais em Brumadinho, na Maré e Paraisópolis, entre outros localidades, doará 200 exemplares do livro para para orquestras jovens localizadas em regiões de risco social e cadastradas na plataforma, via web, no Projeto Orquestrando o Brasil (www.orquestrandoobrasil.com.br), lançado pelo maestro João Carlos Martins. O livro também servirá de base para um curso voltado para jovens músicos para que se aprofundem mais em aspectos da história dos compositores clássicos.

Sobre o autor

Carlos Netto é idealizador e coordenador do projeto cultural “A Arte Abraça Brumadinho”, organizando atividades culturais na cidade com artista como Orquestra Maré do Amanhã, Mário Adnet e família Jobim, Clóvis de Barros, Marcus Viana, entre outros. Foi Diretor de Pessoas e Estratégia do Banco do Brasil por 9 anos, tendo se desligado em dezembro de 2018. Dirigiu os Centros Culturais Banco do Brasil por 2 anos. É produtor cultural e fundou a Inspirartes Produções Culturais Ltda em 2019. No último ano realizou trabalhos culturais em favelas, como Paraisópolis (SP) e Maré (RJ). O autor ficou entre os 100 finalistas do Concurso Literário da Livraria Lello, do Porto (Portugal), em 2020. Foram 5.600 participantes de 39 países.