Desligar o celular depois do expediente, aproveitar o fim de semana sem responder mensagens do trabalho ou passar as férias sem receber cobranças dos gestores agora são direitos previstos na nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária. Conquistada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e pelo Comando Nacional dos Bancários na Campanha Nacional 2026, a nova CCT, com vigência até 31 de agosto de 2028, é a única com abrangência nacional a incluir uma cláusula específica sobre o direito à desconexão.
A cláusula estabelece que bancárias e bancários devem ter seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado. Isso significa que o trabalhador não deve ser obrigado a atender ligações, responder mensagens ou receber cobranças relacionadas ao trabalho fora de seu horário, seja por parte de gestores ou em demandas relacionadas a clientes. O direito também se aplica aos períodos de intervalo, repouso, feriados, férias e licenças legais ou convencionais.
Tecnologia não pode transformar descanso em trabalho
A conquista ganha ainda mais importância diante das transformações pelas quais passou o trabalho bancário nos últimos anos. Com celulares, aplicativos de mensagens, computadores portáteis e o avanço do home office, as fronteiras entre o tempo de trabalho e o tempo de descanso ficaram mais difíceis de separar.
Na prática, uma mensagem enviada pelo gestor à noite, uma cobrança durante o fim de semana ou uma demanda recebida durante as férias pode fazer com que o trabalhador permaneça mentalmente conectado ao trabalho mesmo depois de encerrada sua jornada.
A nova cláusula deixa claro que avanço tecnológico e trabalho remoto não significam disponibilidade permanente. O fato de ser possível acessar o trabalhador a qualquer momento não significa que ele esteja obrigado a permanecer online.
Descanso também é saúde
Para os bancários, preservar o tempo de descanso é também uma medida de prevenção diante de uma realidade marcada por pressão por metas, cobranças, sobrecarga e intensificação do trabalho. Quando o expediente termina, é necessário que exista, de fato, um período em que o trabalhador possa se recuperar física e mentalmente.
“Não existe saúde mental sem descanso, sem tempo para a família, para os amigos, para o lazer e para cuidar de si. O direito à desconexão é uma conquista muito importante porque estabelece um limite necessário: terminou a jornada, terminou a obrigação de estar disponível para o trabalho. A tecnologia deve facilitar a vida do trabalhador, e não transformar cada minuto do seu dia em tempo à disposição do banco”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.