A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, assinada em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), conquistou medidas adicionais de proteção aos trabalhadores de bancos privados demitidos em decorrência do fechamento de agências. O acordo prevê indenização complementar à já estabelecida na CCT, além de um programa de qualificação e recolocação profissional.
A conquista é resultado da Campanha Nacional dos Bancários 2026, marcada por 13 rodadas de negociação. Em um cenário de reestruturação do sistema financeiro, digitalização dos serviços e redução da rede de atendimento presencial, as medidas representam um avanço na proteção aos trabalhadores impactados pelas mudanças promovidas pelos bancos.
Indenização maior para quem perde o emprego
Uma das medidas conquistadas é o pagamento de uma indenização adicional aos bancários demitidos em virtude do fechamento de agências. O valor se soma à indenização adicional já prevista na Convenção Coletiva e varia conforme o tempo de vínculo do trabalhador com o banco.
Com a nova regra, o total da indenização adicional passa a corresponder a:
- Até 5 anos de banco: 3 salários;
- De 5 a 10 anos: 5,5 salários;
- De 10 a 20 anos: 7 salários;
- Acima de 20 anos: 9 salários.
Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, a conquista reforça a importância da organização coletiva na defesa dos empregos e dos direitos da categoria.
“Os bancos promovem o fechamento de agências e a transformação dos serviços, mas os trabalhadores não podem ser tratados como números nesse processo. Conquistamos uma indenização adicional e um programa de qualificação e recolocação para ampliar a proteção de quem for demitido em decorrência do fechamento de agências. São medidas importantes, fruto da negociação coletiva e da luta da categoria, mas seguimos defendendo o emprego bancário e a manutenção de uma rede de atendimento que atenda às necessidades da população”, afirma Neiva.
Qualificação e recolocação profissional
Além da compensação financeira, a nova CCT estabelece um programa de requalificação e recolocação profissional, que será desenvolvido com apoio da consultoria internacional Gi Group. O programa prevê a elaboração de planos individuais para os trabalhadores, com diagnóstico profissional, entrevistas e planejamento para a realocação no mercado de trabalho.
Os bancários também terão acesso a uma plataforma de cursos de qualificação e serão cadastrados em um banco de talentos. A ferramenta permitirá conectá-los a empresas interessadas em profissionais com suas competências.
Proteção ao emprego segue como prioridade
O fechamento de agências afeta não apenas os trabalhadores, mas também a população que depende do atendimento presencial, especialmente pessoas com dificuldades de acesso aos canais digitais. Para os bancários, a redução da rede pode significar perda de postos de trabalho, mudanças nas condições de trabalho e insegurança profissional.
Nesse contexto, a indenização complementar e o programa de qualificação e recolocação constituem mecanismos de proteção para os empregados atingidos pelos fechamentos. As medidas não substituem a necessidade de defender os empregos e impedir que a modernização dos serviços seja usada como justificativa para eliminar postos de trabalho sem considerar seus impactos sociais.
“A assinatura da Convenção não encerra a luta. Precisamos continuar mobilizados para defender o emprego, os direitos e condições dignas de trabalho. Cada conquista é resultado da organização coletiva, e é com essa força que podemos enfrentar as mudanças no sistema financeiro sem deixar os trabalhadores desprotegidos e a população sem atendimento”, destaca Neiva Ribeiro.