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Chapéu
Censura Nunca Mais

Contra a perseguição e a censura, Sindicato se somará a protesto na sede da Meta nesta segunda (19). Participe!

Imagem Destaque
Reprodução

Na próxima segunda-feira, 19 de outubro, diversas organizações da sociedade civil e movimentos sociais e sindicais promoverão um protesto pacífico na sede da Meta (dona do Facebook, Instagram, Meta AI, Threads e WhatsApp), em São Paulo, para protestar contra a interferência da empresa nas eleições brasileiras.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, mais uma vítima da interferência da Meta nas eleições brasileiras, se somará ao ato e convoca a todos e todas a participarem da manifestação, com concentração a partir das 16h da próxima segunda-feira (19), no Prédio da Baleia (B32), localizado na Avenida Faria Lima, 3731, Itaim Bibi.

O objetivo do ato é exigir o fim dos banimentos e restrições injustificadas, mais transparência, reparação imediata dos danos e a criação de canais de apelação e proteção para jornalistas, movimentos sociais, sindicais e demais organizações da sociedade civil.

O protesto, denominado “Meta, não se meta na nossa eleição” é resultado da articulação conjunta das organizações CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil. As organizações entregarão uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil (leia mais abaixo).

O Instagram é o principal meio pelo qual quase 70% da população brasileira se informa, e 91% dos brasileiros usam o WhatsApp diariamente.

Sindicato tem conta no WhatsApp banida

O Sindicato foi mais uma das vítimas da conduta arbitrária por parte da Meta. Na última semana, a conta de WhatsApp da entidade foi banida de forma definitiva sem qualquer violação das diretrizes da plataforma e nem apresentação de justificativa pela Meta.

"O Sindicato está sendo perseguido por defender os direitos da nossa categoria e de toda a classe trabalhadora, além da liberdade de expressão e a livre organização dos trabalhadores. Utilizamos as plataformas digitais para organizar e defender a negociação coletiva de bancários e financiários e para manter os trabalhadores bem informados sobre a atual conjuntura e os riscos inerentes a propostas como, por exemplo, a negociação individual entre empregado e patrão. O Sindicato, em momento algum, violou qualquer lei eleitoral ou infringiu diretrizes das plataformas digitais. O banimento do nosso WhatsApp (entenda abaixo) é mais uma medida arbitrária da Meta, que lesa bancários, financiários, trabalhadores em geral, além da própria democracia brasileira e a soberania nacional. Não toleraremos censura e, por isso, estaremos em frente da sede da Meta nesta segunda (19)", enfatiza a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.

Funcionários da Meta reconhecem prejuízo à campanha de Lula

Matéria do jornal Folha de S.Paulo, publicada no dia 16 de outubro, revelou que funcionários da própria Meta reconheceram em comunicações internas que contas no Instagram do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, foram prejudicadas por restrições. Nas mensagens, os funcionários reconheceram ainda que o Instagram ⁠recomendava o perfil do candidato Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, assim como seu canal no WhatsApp.

Um juiz do Tribunal Superior Eleitoral determinou, no dia 15 de outubro, que a Meta não limitasse o alcance de conteúdo, de forma injustificada, de ambos os candidatos, até o final do segundo turno. Na decisão, também foi ordenado que a Meta AI, chatbot de inteligência artificial da ⁠Meta, não deve favorecer nenhum dos candidatos nos conteúdos gerados.

“A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, se avolumam denúncias de que a Meta – dona do Facebook, Instagram, Meta AI, Threads e WhatsApp – está interferindo nas eleições brasileiras. Ao longo das últimas semanas, várias organizações têm documentado milhares de denúncias de perfis banidos, posts censurados, queda súbita de alcance, funcionalidades restritas sem explicação, IA classificando e recomendando candidatos, anúncios irregulares pagos em moeda internacional. Os prejudicados, quase sempre, têm um lado: o de Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmam os organizadores do protesto em release enviado à imprensa.

O mundo está de olho

O tema da interferência das big techs já foi destaque no jornal New York Times; um ato foi realizado na sede internacional da Meta em Dublin, Irlanda, exigindo que a empresa não interfira nas eleições brasileiras; e mais de 100 entidades internacionais já assinaram uma carta que aponta violações de big techs ás regras eleitorais e reivindica monitoramento por parte da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

"Estamos vendo uma onda regressiva acontecendo no mundo, tanto com a ascensão da extrema direita em diversos países, quanto com uma aliança política entre a extrema direita e as big techs. A mobilização internacional é uma demonstração da relevância das eleições brasileiras no mundo, e também da imensa preocupação que a comunidade global tem com o lugar das big techs em processos eleitorais em geral", diz Daniela da Silva, diretora executiva da CTRL+Z e uma das organizadoras do protesto desta segunda (19).

Notificação extrajudicial

A notificação extrajudicial que será entregue ao diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, exigirá:

• Exibição de um anúncio na forma "Megafone" a todos os usuários brasileiros de Instagram explicitando que falhas durante as eleições de 2026 afetaram a distribuição e a disponibilidade de conteúdos de usuários e de campanhas no Brasil, prejudicando, em especial, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, com pedido de desculpas;
• Banimento imediato de anúncios eleitorais ilegais pagos do exterior; restituição de toda a receita proveniente de anúncios eleitorais irregulares, tornando público o montante e a destinação;
• Implementação de painel público de transparência, atualizado em tempo real, com o número de contas banidas, posts removidos e anúncios recusados/aprovados;
• Disponibilização de canal público de revisão conduzido por pessoas, com resposta imediata durante o período eleitoral, e restauração imediata dos conteúdos removidos e as contas banidas por manifestação política legítima;
• Fim da prática de shadowban e de redução seletiva de alcance; qualquer limite deve ser notificado, com motivo específico e canal de apelação;
• Realização de auditoria independente, abrangente e proativa dos algoritmos de recomendação;
• Fim das remoções em massa e sem recurso;
• Proteção especial a jornalistas, veículos de comunicação, movimentos sociais e organizações da sociedade civil;
• Preservação de todos os logs de moderação, registros de decisão e dados de entrega de conteúdo, mantendo-os disponíveis para auditoria pelo TSE, Ministério Público e sociedade civil.
• Instauração de apuração interna das violações já ocorridas, identificando os responsáveis, tornando públicos o resultado e as medidas disciplinares adotadas – incluindo a substituição ou renúncia dos envolvidos nas falhas graves.

Serviço

Meta, não se meta na nossa eleição – ato na sede da Meta em São Paulo

  • Local: Prédio da Baleia – B32
  • Quando: Segunda-feira, 19 de outubro
  • Concentração: 16h
  • Ato: 17h–20h
  • Site: www.naosemeta.com.br

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