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Chapéu
8 de Outubro

Dia do Nordestino: Neiva e Juvandia e a força do nordeste no Sindicato

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Dia do Nordestino: Neiva e Juvandia e a força do nordeste no Sindicato

Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira na 114ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça | 09/06/26 (Foto: Seeb-SP)

Celebrado em 8 de outubro, o Dia do Nordestino é uma oportunidade para valorizar a cultura, a história e a trajetória de milhões de pessoas que ajudaram e ajudam a construir o Brasil. Criada em 2009, na cidade de São Paulo, por meio da Lei Municipal nº 14.952, a data também homenageia o centenário do poeta cearense Patativa do Assaré e celebra manifestações como o cordel, o forró, o frevo, o maracatu e o São João.

No Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a presença nordestina também está marcada na história da entidade. A atual presidenta, Neiva Ribeiro, piauiense de São Raimundo Nonato, e a ex-presidenta Juvandia Moreira, baiana de Nova Soure, carregam em suas trajetórias as marcas de uma origem que se encontrou com São Paulo e com a luta dos trabalhadores.

Neiva chegou ao setor bancário em 1989, no Banco Mercantil de São Paulo, em um período de intensa mobilização da categoria. Em sua primeira agência, encontrou trabalhadores que haviam acabado de participar de uma greve e que logo a apresentaram à importância da organização sindical.

“Quando entrei, já cheguei em uma agência muito combativa, que participava das mobilizações. No ano seguinte, participei da minha primeira greve. Quando você participa das manifestações e da greve, você já está automaticamente no Sindicato”, conta Neiva.

A partir dali, a atuação sindical passou a fazer parte de sua vida. Neiva participou de manifestações, greves, cursos e atividades do Sindicato antes de ingressar em sua direção, em 2000. Ao longo dessa trajetória, ocupou diferentes funções até chegar à presidência da entidade e à coordenação das negociações nacionais da categoria.

Ao lembrar de sua trajetória, Neiva destaca justamente como a presença do movimento sindical se tornou parte de sua formação: “Para quem era bancário na década de 1980 e 1990, o Sindicato era uma coisa normal nas nossas vidas. Não existia você não participar do Sindicato, você não se sindicalizar e você não participar do movimento.”

A história de Juvandia também é marcada pela saída do interior nordestino em busca de novos caminhos. Nascida em Nova Soure, no interior da Bahia, deixou sua cidade ainda adolescente. Primeiro, participou de um intercâmbio cultural no Canadá. Depois, mudou-se para São Paulo para continuar os estudos e, em 1992, tornou-se funcionária do Bradesco.

A mudança também significou enfrentar o preconceito contra quem vinha do Nordeste. Juvandia lembra que seu sotaque chegou a ser motivo de brincadeiras e piadas, mas que nunca enxergou sua maneira de falar como algo de que deveria se envergonhar.

“Eu cheguei a ouvir pessoas brincando com meu sotaque, algumas até transformando isso em piada. Mas eu tinha muita consciência de que não era feio o meu sotaque. Era apenas diferente. Feio é você achar feio o sotaque dos outros”, afirma.

A baiana que chegou a São Paulo sonhando em ser juíza encontrou no movimento sindical uma nova forma de lutar por justiça. Em 1997, ingressou na direção do Sindicato. Em 2010, tornou-se a primeira mulher a presidir a entidade, cargo que ocupou até 2017. Atualmente, é presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT.

Para Juvandia, o sindicalismo foi também um espaço de formação humana e política. “A minha maior escola, mais do que a faculdade, foi o Sindicato, foi o movimento sindical. A faculdade forma para o mercado, mas o Sindicato forma para a vida.”

As histórias de Neiva e Juvandia têm diferenças, mas também muitos pontos de encontro: duas mulheres nordestinas que construíram suas vidas em São Paulo, ingressaram no setor bancário e fizeram da organização coletiva uma ferramenta de transformação.

Neste Dia do Nordestino, celebrar essas trajetórias é também reconhecer a contribuição de tantos nordestinos e nordestinas para a construção de São Paulo e do Brasil. Assim como Neiva e Juvandia, muitos bancários e bancárias da base do Sindicato também migraram do nordeste para São Paulo e, com seu trabalho e esforço, ajudaram a construir o sistema financeiro nacional.

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