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Domingo, nosso encontro marcado com a democracia

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Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Domingo temos um encontro marcado com a democracia. Um compromisso com a nossa história, com o presente e, sobretudo, com o futuro que queremos construir para o Brasil.

É o momento de reunir tudo o que aprendemos, lemos, ouvimos, percebemos e vivemos. De transformar nossa experiência, nossa consciência e nossas convicções em uma escolha. Nosso voto expressa o país em que acreditamos e a sociedade que desejamos para as próximas gerações.

Temos a responsabilidade de defender nossos direitos, preservar as conquistas sociais e manter uma legislação que proteja os trabalhadores e trabalhadoras. Temos o compromisso de defender os povos indígenas, o Sistema Único de Saúde (SUS), o Pronampe, o Bolsa Família e as políticas públicas que promovem inclusão, dignidade e oportunidades.

Temos, ainda, o dever de defender as mulheres, diante de tanta violência; a população negra, diante do racismo e da discriminação; os idosos, as pessoas com deficiência e as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Uma sociedade verdadeiramente democrática não pode aceitar que a dignidade e os direitos de parte da população sejam excluídos.

Sim, temos a responsabilidade de votar em uma candidatura comprometida com esse projeto de país. Um projeto que coloque a vida, os direitos humanos, a justiça social, a igualdade de oportunidades e a democracia no centro das decisões.

Essa responsabilidade ganha ainda mais significado quando olhamos para a nossa história. O Brasil passou por mais de duas décadas de ditadura militar, entre 1964 e 1985, período marcado pela censura, pela perseguição política, pela restrição das liberdades e por graves violações de direitos humanos. A democracia não foi uma concessão: foi conquistada com muita luta, perseguição, morte, tortura, resistência e sacrifício de milhares de brasileiros e brasileiras.

Em 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente indiretamente pelo Colégio Eleitoral. Com seu adoecimento antes da posse, José Sarney assumiu a Presidência. Em 1988, a promulgação da Constituição Federal estabeleceu um novo marco para a democracia brasileira, reafirmando direitos e garantias fundamentais.

Mas foi em 1989 que a população brasileira voltou a escolher diretamente o presidente da República, na primeira eleição presidencial direta desde 1960. Aquele momento representou muito mais do que uma eleição. Simbolizou a retomada de um direito fundamental: o de escolher, pelo voto, quem conduziria o país.

E é justamente por isso que precisamos compreender o valor da democracia. Uma ditadura não prejudica apenas militantes, lideranças políticas ou pessoas que se opõem ao governo. Ela atinge toda a sociedade. Quando há censura, a imprensa perde a liberdade de investigar e denunciar. Quando as instituições são enfraquecidas, os mecanismos de fiscalização do poder ficam comprometidos. Quando as liberdades são suprimidas, a população perde instrumentos fundamentais para cobrar transparência, combater a corrupção e defender seus direitos.

A economia também sofre as consequências de decisões autoritárias, da falta de transparência e da ausência de controles democráticos. Durante a ditadura brasileira, o chamado milagre econômico, especialmente entre 1968 e 1973, foi acompanhado por forte concentração de renda. A partir de meados da década de 1970, o país enfrentou o agravamento dos desequilíbrios econômicos, o aumento do endividamento externo e a aceleração da inflação, que se tornou um dos grandes problemas da década de 1980.

Democracia é poder escolher, mas também é poder questionar, fiscalizar, reivindicar e participar. É ter liberdade para discordar, denunciar injustiças, organizar Sindicatos, defender direitos e lutar por melhores condições de vida. É garantir que ninguém seja perseguido por suas ideias e que as instituições públicas estejam a serviço da sociedade.

E há algo essencial nesse processo: cada voto tem o mesmo peso, independentemente da classe social, da renda, da profissão ou do lugar que cada pessoa ocupa na sociedade. Na urna, somos iguais em direitos políticos. Esse é um dos princípios mais importantes da democracia e uma conquista que precisa ser exercida com consciência e responsabilidade.

Não podemos tratar esse direito como algo banal ou garantido para sempre. A história nos ensina que conquistas democráticas exigem vigilância, participação e compromisso coletivo. Votar é uma forma de honrar aqueles e aquelas que lutaram para que pudéssemos escolher nossos representantes livremente.

Neste domingo, portanto, não estaremos apenas diante de uma urna. Estaremos diante da nossa história, das nossas responsabilidades e das nossas esperanças. Cada pessoa levará consigo suas experiências, suas dificuldades, seus sonhos e sua visão de futuro.

Que a nossa escolha considere não apenas promessas, mas também compromissos, propostas, trajetórias e o respeito às instituições democráticas. Que pensemos nas consequências das decisões políticas para a vida concreta das pessoas, especialmente daquelas que mais precisam da proteção do Estado e das políticas públicas.

A democracia não se resume ao voto, mas o voto é uma de suas expressões mais importantes. É por meio dele que participamos da construção dos rumos do país e reafirmamos que o Brasil pertence a todos e todas.

Domingo, nosso encontro é com a democracia. Que a consciência guie nossa escolha, que a memória fortaleça nossa responsabilidade e que o nosso voto defenda um Brasil com mais direitos, justiça social, igualdade e liberdade. Em defesa de um Brasil soberano, com bancos e empresas públicas fortes a serviço do desenvolvimento social, econômico e humano. Porque a democracia não é apenas uma conquista do passado. É uma responsabilidade que assumimos no presente e um compromisso que temos com o futuro.

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