A igualdade salarial entre homens e mulheres é uma das principais bandeiras históricas do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A entidade atua há décadas no combate às desigualdades de gênero, raça e em defesa da população LGBTQIA+ no sistema financeiro, defendendo melhores oportunidades profissionais, valorização das trabalhadoras e acesso a cargos de liderança.
Uma das principais frentes dessa atuação é a mesa de Igualdade de Oportunidades, espaço de negociação coletiva no qual o movimento sindical reivindica medidas para ampliar a participação feminina no mercado de trabalho, combater o assédio e a violência de gênero e eliminar barreiras à ascensão profissional.
O Sindicato também atua em conjunto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) para ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão e representação sindical.
Igualdade salarial e oportunidades para mulheres no setor bancário
Entre as reivindicações defendidas pelo Sindicato estão programas de inclusão e capacitação profissional, especialmente em áreas nas quais as mulheres ainda enfrentam dificuldades para conquistar espaço, como a tecnologia da informação (TI).
Na Campanha Nacional dos Bancários de 2026, a entidade voltou a apresentar propostas de qualificação e assessoria profissional para que as trabalhadoras possam disputar promoções e funções de maior remuneração.
“As iniciativas buscam enfrentar obstáculos estruturais que dificultam o crescimento profissional das mulheres, sobretudo das mulheres negras, e ampliar sua participação em cargos de liderança no sistema financeiro”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Lei da Igualdade Salarial: conquista enfrenta resistência patronal
O Sindicato participou da mobilização que contribuiu para a construção da Lei nº 14.611/2023, conhecida como Lei da Igualdade Salarial, que estabelece medidas para combater as diferenças de remuneração entre mulheres e homens que realizam trabalho de igual valor ou exercem a mesma função.
A entidade também participou da assinatura de um protocolo voltado à promoção da igualdade salarial no sistema financeiro, reforçando o compromisso com a aplicação da legislação.
Apesar dos avanços, a lei enfrentou resistência de setores patronais, incluindo questionamentos judiciais e contestações às obrigações previstas na legislação.
“Essa resistência representa um obstáculo à superação de uma injustiça histórica que não deveria persistir no século XXI. Outro desafio é a divisão desigual das responsabilidades domésticas e do cuidado com os filhos, tarefas que ainda recaem de maneira desproporcional sobre as mulheres e prejudicam suas trajetórias profissionais”, pontua Neiva Ribeiro.
Mudanças na Constituição podem ameaçar direitos das mulheres?
As declarações do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sobre a intenção de alterar a Constituição Federal causam preocupação.
Isto porque não se sabe quais direitos poderiam ser atingidos por eventuais mudanças constitucionais. “Qualquer alteração deveria ter como objetivo ampliar, e não restringir, as garantias sociais e trabalhistas”, afirma Neiva.
Entre os pontos que merecem atenção estão a preservação da licença-maternidade, a autonomia das mulheres, o combate à discriminação racial e a proteção das conquistas obtidas ao longo de décadas de mobilização.
O Sindicato ressalta que a licença-maternidade é um direito fundamental para assegurar proteção às trabalhadoras e condições adequadas de cuidado com as crianças nos primeiros meses de vida.
“Diante das propostas de mudanças na Constituição, é essencial que sejam esclarecidos seus objetivos e possíveis impactos sobre os direitos das mulheres e de toda a classe trabalhadora”, afirma a presidenta do Sindicato.
Além de ter anunciado mudança na Constituição Federal caso seja eleito, Flávio Bolsonaro prepara mais de 200 decretos para um eventual primeiro dia de governo, com mudanças trabalhistas, ambientais, econômicas e administrativas, além da revogação de medidas de Lula e privatizações. A informação é do Correio Braziliense.
Sindicato defende democracia e combate à discriminação
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a defesa da igualdade salarial está diretamente relacionada à preservação da democracia, dos direitos constitucionais e do respeito à diversidade.
A entidade reforça a importância da mobilização permanente dos bancários e financiários para impedir retrocessos e avançar na conquista de melhores salários, condições dignas de trabalho e oportunidades profissionais.
“Não existe democracia sem igualdade, assim como não existe sindicato forte sem democracia. A luta por melhores salários e condições dignas de trabalho exige o enfrentamento de todas as formas de discriminação”, sintetiza Neiva.
“A organização coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras é fundamental para preservar direitos e construir uma sociedade mais justa, sem discriminação de gênero, raça ou orientação sexual”, finaliza a presidenta do Sindicato.