São Paulo, 19 de outubro de 2026 - A Meta desativou permanentemente o canal oficial de atendimento via WhatsApp do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, entidade que representa mais de 120 mil trabalhadores bancários. O bloqueio foi realizado em 15 de outubro, sem qualquer explicação sobre a suposta irregularidade cometida pelo Sindicato. Nesta segunda-feira (19), a entidade entrou com uma ação judicial na Justiça de São Paulo para exigir o restabelecimento imediato do canal.
Um canal a serviço dos trabalhadores
O número de WhatsApp é o principal canal de atendimento do Sindicato. Por meio dele, os bancários buscam orientação jurídica após demissões, solicitam a conferência de verbas rescisórias, agendam consultas sobre benefícios relacionados a acidentes de trabalho e recebem orientações sobre seus direitos.
Em 15 de outubro, a Meta desativou a conta do Sindicato na plataforma WhatsApp Business e classificou o número como “Banido”, alegando apenas uma genérica “violação dos Termos de Uso Aceitável”. Naquele exato momento, o próprio painel de controle da Meta classificava a qualidade do número como “Alta”.
O Sindicato apresentou recurso pela plataforma, entrou em contato com a equipe de políticas da Meta e solicitou uma nova análise. Todas as respostas recebidas foram padronizadas. Em 19 de outubro, a Meta rejeitou o último recurso, novamente sem identificar qualquer regra, mensagem ou conduta que justificasse a punição. A restrição vai ainda mais longe: impede que o Sindicato cadastre qualquer novo número na plataforma.
O bloqueio ocorre em meio às eleições gerais brasileiras, com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro. A atuação da Meta durante a campanha eleitoral está sob análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, em 16 de outubro, formou maioria para determinar que a empresa não aplique restrições a conteúdos políticos e eleitorais até o fim do segundo turno, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A Meta reconheceu falhas técnicas que afetaram a campanha do presidente Lula, mas nega ter interferido deliberadamente no processo eleitoral.
Agora, restrições opacas e sem explicação atingem uma entidade sindical. Na avaliação do Sindicato, o episódio faz parte de um ataque mais amplo à democracia brasileira, às suas instituições democráticas e às organizações de trabalhadores, representando um golpe direto à liberdade sindical e ao direito dos sindicatos de se comunicarem com os trabalhadores que representam.
“A Meta silenciou o canal que os bancários utilizam para entrar em contato com seu Sindicato e nunca nos disse o motivo. Nenhuma empresa pode impedir um Sindicato de se comunicar com os trabalhadores que representa por meio de uma resposta automatizada. Vamos lutar na Justiça e pedimos a solidariedade dos Sindicatos de todo o mundo”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Ação judicial
A ação foi ajuizada hoje na Justiça do Estado de São Paulo. O Sindicato solicita que a Meta seja obrigada a restabelecer a conta e o número em até 24 horas, incluindo a possibilidade de criar novas contas; que a empresa seja proibida de realizar novos bloqueios sem notificação prévia, devidamente fundamentada, e sem garantir o direito de defesa; e que seja condenada a indenizar a entidade pelos danos causados à sua imagem perante os trabalhadores que representa.
Um chamado à solidariedade internacional
O Sindicato convoca a UNI Global Union e suas entidades filiadas a denunciar publicamente o caso, levar a questão diretamente à Meta, dar conhecimento do episódio às autoridades e aos órgãos reguladores de seus respectivos países e relatar casos semelhantes envolvendo sindicatos e organizações de trabalhadores cujas contas nas plataformas da Meta tenham sido restringidas sem explicação.