Como seria a sua realidade salarial se o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região não existisse?
Para responder a essa pergunta, o Sindicato realizou um levantamento comparando dois cenários entre 2003 e 2026:
- O primeiro considera os reajustes inicialmente propostos pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que seriam aplicados caso não houvesse negociação sindical.
- O segundo considera os reajustes efetivamente conquistados pela categoria após as campanhas salariais e a atuação do movimento sindical nas mesas de negociação.
Os resultados mostram a importância da existência de um sindicato forte. As propostas iniciais dos bancos representariam um reajuste acumulado de 232% no período. Esse cenário seria o esperado em caso de negociação direta entre bancários e banqueiros, uma vez que os trabalhadores não contam com estabilidade no emprego e nem estrutura física/jurídica para recusar individualmente imposições dos bancos. Em contrapartida, os aumentos conquistados nas negociações coletivas chegaram a 381%.
A diferença se traduz em milhares de reais no bolso dos trabalhadores: partindo de um salário médio de R$ 3,3 mil em 2003, a remuneração média atual seria de R$ 10.922,05 no primeiro cenário, contra R$ 15.812,21 com os reajustes conquistados.
Isso representa R$ 4.890,16 a mais por mês para salário médio do trabalhador, diferença que chega a aproximadamente R$ 65,2 mil por ano, considerando 13º salário e o adicional de férias de um terço. Essas cálculos consideraram apenas o salário médio da categoria. Portanto, é importante que cada trabalhador faça sua própria projeção, considerando seu salário e também todos os benefícios impactados pelos reajustes negociados, como VA/VR, horas extras, PLR, abonos e auxílios em geral.

Reajustes conquistados superam a inflação acumulada
A comparação com a inflação reforça a importância dos resultados obtidos nas negociações. Entre 2003 e 2026, a inflação acumulada (INPC) foi de 304%. Nesse período, os reajustes correspondentes às primeiras propostas da Fenaban acumulariam 232%, resultado que representa uma perda de 18% em relação à inflação.
Já os reajustes conquistados nas negociações coletivas acumulam 381%, o que corresponde a um ganho real de 19% acima da inflação. Para a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, os números demonstram a importância da organização dos trabalhadores e da negociação coletiva para garantir melhores salários e direitos.
“Esses números mostram que sindicato forte faz diferença concreta na vida dos bancários. Se dependesse das primeiras propostas apresentadas pelos bancos, a categoria teria salários muito menores hoje. Cada reajuste conquistado acima da proposta inicial representa mais renda para os trabalhadores e suas famílias. Esses resultados não caem do céu: são fruto da mobilização da categoria, da força da negociação coletiva e de um Sindicato presente na defesa dos direitos dos bancários.”
Neiva Ribeiro
Presidenta do Sindicato
| Ano | Salário Médio sem Sindicato | Salário Médio com Sindicato | Reajuste sem Sindicato | Reajuste com Sindicato |
|---|---|---|---|---|
| 2003 | R$ 3.615,68 | R$ 3.701,14 | 10,00% | 12,60% |
| 2004 | R$ 3.923,01 | R$ 4.015,74 | 8,50% | 8,50% |
| 2005 | R$ 4.079,93 | R$ 4.256,68 | 4,00% | 6,00% |
| 2006 | R$ 4.161,53 | R$ 4.405,66 | 2,00% | 3,50% |
| 2007 | R$ 4.362,12 | R$ 4.670,00 | 4,82% | 6,00% |
| 2008 | R$ 4.689,27 | R$ 5.137,00 | 7,50% | 10,00% |
| 2009 | R$ 4.900,29 | R$ 5.445,22 | 4,50% | 6,00% |
| 2010 | R$ 5.110,51 | R$ 5.853,62 | 4,29% | 7,50% |
| 2011 | R$ 5.509,13 | R$ 6.380,44 | 7,80% | 9,00% |
| 2012 | R$ 5.839,68 | R$ 6.858,98 | 6,00% | 7,50% |
| 2013 | R$ 6.195,90 | R$ 7.407,69 | 6,10% | 8,00% |
| 2014 | R$ 6.629,62 | R$ 8.037,35 | 7,00% | 8,50% |
| 2015 | R$ 6.994,24 | R$ 8.841,08 | 5,50% | 10,00% |
| 2016 | R$ 7.448,87 | R$ 9.548,37 | 6,50% | 8,00% |
| 2017 | R$ 7.577,74 | R$ 9.810,95 | 1,73% | 2,75% |
| 2018 | R$ 7.864,17 | R$ 10.301,50 | 3,78% | 5,00% |
| 2019 | R$ 8.122,12 | R$ 10.745,49 | 3,28% | 4,31% |
| 2020 | R$ 8.122,12 | R$ 10.906,67 | 0% | 1,50% |
| 2021 | R$ 8.968,44 | R$ 12.103,14 | 10,42% | 10,97% |
| 2022 | R$ 9.490,41 | R$ 13.071,39 | 5,82% | 8,00% |
| 2023 | R$ 9.875,72 | R$ 13.670,06 | 4,06% | 4,58% |
| 2024 | R$ 10.187,15 | R$ 14.304,35 | 3,15% | 4,64% |
| 2025 | R$ 10.701,60 | R$ 15.116,83 | 5,05% | 5,68% |
| 2026 | R$ 10.922,05 | R$ 15.812,21 | 2,06% | 4,60% |
Sem sindicato forte, não há acordo forte
Os números também ajudam a entender o que está em jogo no debate político sobre os direitos dos trabalhadores. O candidato à presidência Flávio Bolsonaro explicita os ataques aos sindicatos e à classe trabalhadora em seu programa de governo ao defender que empregados negociem diretamente com os patrões, enfraquecendo o papel dos sindicatos e da negociação coletiva.
Os reajustes que elevaram os salários em 381% entre 2003 e 2026 não seriam os mesmos se cada bancário tivesse de negociar individualmente com os banqueiros. A negociação coletiva permite equilibrar essa relação e conquistar avanços.
A experiência dos bancários também demonstra que a conjuntura política é determinantes para os resultados. Durante os governos Lula 1 e 2 (2004 a 2010), o ganho real acumulado por período foi de 7,55%. No governo Dilma (2011 a 2015), chegou a 7,66%. Já durante o governo Temer (2016 a 2018), o ganho real acumulado foi de apenas 0,82%. No governo Bolsonaro (2019 a 2022), o resultado foi negativo: perda real acumulada de 0,68%.
Com o retorno de Lula à Presidência, entre 2023 e 2027, o ganho real acumulado indicado pelo levantamento é de 2,62%, incluindo o aumento real já conquistado para 2027. Agora, a extrema-direita tenta voltar ao poder com seu projeto de arrocho salarial e de privatização das empresas públicas. Cabe à categoria avaliar os dados e decidir seu futuro nas urnas.
"O exercício que fizemos mostra que a negociação coletiva e o Sindicato são muito importantes na vida dos trabalhadores. A depender do resultado das eleições, as conquistas da categoria bancária e da classe trabalhadora como um todo estarão em risco. Portanto, reflita sobre os dados e não use seu voto para prejudicar seus próprios interesses", conclui Neiva Ribeiro.