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Chapéu
Meta, não se meta

Sindicato participa de ato que denuncia interferência da Meta nas eleições, e protesta contra bloqueio do seu canal no WhatsApp

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Imagem mostra protesto na frente da Meta para denunciar interferência no processo eleitoral

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região participou de um protesto realizado por organizações da sociedade civil em frente à sede da Meta, em São Paulo.

A manifestação, realizada na tarde desta segunda-feira (19), denunciou a interferência sistemática da big tech no processo eleitoral brasileiro, por meio de restrições ao perfil do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia surgiu a partir de relatos dos próprios funcionários da Meta, e foi noticiada pela Folha de S. Paulo.

O ato também alertou para o poder concentrado nas mãos das grandes empresas de tecnologia, que controlam plataformas digitais utilizadas diariamente por milhões de brasileiros e podem, por meio de decisões unilaterais, restringir a circulação de informações e prejudicar a atuação de organizações da sociedade civil.

Entre as entidades atingidas está o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que teve seu número de WhatsApp, utilizado pela Central de Atendimento aos trabalhadores, bloqueado pela Meta no dia 15 de outubro, sem nenhum aviso prévio ou justificativa.

A censura prejudicou o atendimento prestado aos bancários e financiários, comprometendo um importante canal de comunicação entre a entidade sindical e os trabalhadores de sua base de representação.

A mobilização recebeu o nome de “Meta, não se meta na nossa eleição” e foi articulada por organizações como CTRL+Z, Artigo 19, Sleeping Giants Brasil e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.

Sindicato denuncia perseguição e defende liberdade de organização

“Este bloqueio não pode ser tratado como um episódio isolado. A medida integra um cenário preocupante de restrições impostas pelas grandes plataformas digitais à atuação de organizações que defendem direitos trabalhistas, sociais e democráticos”, alerta Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Neiva Ribeiro: Não aceitaremos interferências no processo eleitoral ou restrições à atuação sindical

As plataformas digitais são utilizadas pelo Sindicato para organizar e defender a negociação coletiva de bancários e financiários, divulgar informações sobre direitos e conquistas da categoria e manter os trabalhadores informados sobre a conjuntura política, econômica e social do país.

Entre os temas abordados pela entidade nos seus perfis estão os riscos de propostas que fragilizam a negociação coletiva, como a substituição de acordos coletivos por negociações individuais entre empregados e empregadores, que podem ampliar a desigualdade nas relações de trabalho.

Imprescindível destacar que o Sindicato não cometeu nenhuma infração à legislação ou às diretrizes das plataformas digitais que justificasse o bloqueio de seu canal de atendimento.

“O Sindicato está sendo alvo de perseguição por defender os direitos dos bancários, financiários e de toda a classe trabalhadora, além da liberdade de expressão e do direito à livre organização sindical. E isso é inaceitável, ainda mais quando o bloqueio foi feito sem nenhuma explicação”, afirma Neiva.

Bloqueio do WhatsApp prejudica atendimento aos trabalhadores

O número bloqueado pela Meta era utilizado na plataforma de atendimento do Sindicato, permitindo que bancários e financiários entrassem em contato com a entidade para esclarecer dúvidas, buscar orientações e obter informações sobre seus direitos.

O bloqueio ocorreu sem comunicação prévia e comprometeu o funcionamento desse serviço. “Essa decisão demonstra os riscos de deixar canais essenciais de comunicação sujeitos a medidas unilaterais de empresas privadas, sem transparência e sem mecanismos efetivos de contestação”, alerta Neiva.

A entidade considera a suspensão arbitrária e destaca que seus efeitos ultrapassam os prejuízos ao atendimento da categoria, atingindo também o exercício da liberdade sindical.

Democracia e soberania nacional em debate

Durante o protesto, as críticas à atuação da Meta também colocaram em discussão a responsabilidade das plataformas digitais diante do processo eleitoral brasileiro e a necessidade de transparência nas decisões que afetam a circulação de informações.

Para as organizações mobilizadas, decisões de empresas de tecnologia que restringem canais de comunicação de entidades da sociedade civil precisam estar sujeitas a critérios claros, possibilidade de recurso e respeito à legislação brasileira.

“A liberdade de expressão e a livre organização dos trabalhadores são direitos fundamentais, e nenhuma empresa privada, principalmente estrangeira, deve exercer poder irrestrito sobre canais essenciais à participação social”, afirma Neiva.

Sindicato mais uma vez na rua pela democracia e soberania

O Sindicato continuará defendendo o restabelecimento de seu atendimento pelo WhatsApp e o direito dos trabalhadores de receber informações e se organizar livremente.

“O bloqueio do canal de WhatsApp do Sindicato representa uma medida arbitrária que prejudica bancários, financiários e a classe trabalhadora, além de levantar preocupações sobre a democracia brasileira e a soberania nacional, tese reforçada pelos relatos dos próprios funcionários da Meta. Não aceitaremos interferências no processo eleitoral brasileiro, e muito menos censura ou restrições injustificadas à nossa atuação sindical”, reforça Neiva Ribeiro.

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