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Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa

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Imagem mostra o prédio do Banco Central

Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) interrompeu nesta quarta-feira (4) o ciclo de redução da taxa básica de juros iniciado em março deste ano, mantendo a Selic nos atuais 13,75%.

A decisão do colegiado formado pelos diretores do Banco Central prolongará os efeitos negativos dos juros elevados sobre o crescimento econômico, a geração de empregos, o consumo das famílias e o endividamento de empresas.

A manutenção da Selic ocorre em meio à pressão do mercado financeiro e de setores da imprensa para que o governo federal adote medidas de ajuste fiscal centradas no corte de gastos públicos, sob a alegação de conter a inflação, que acumula alta de 4,58% em 12 meses até setembro de 2026.

“Essa pressão, de caráter especulativo, procura transformar os interesses do mercado em exigências econômicas, desconsiderando os impactos sociais de uma política de austeridade”, alerta Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Ajuste fiscal deve preservar programas sociais

Para o Sindicato, o equilíbrio das contas públicas não pode ocorrer à custa do corte de investimentos em saúde, educação e programas sociais.

O debate sobre ajuste fiscal deve priorizar a revisão das desonerações tributárias concedidas a grandes empresas e ao agronegócio, o combate aos supersalários e a discussão sobre os recursos destinados às emendas parlamentares impositivas.

“Não é aceitável que os interesses do mercado financeiro fiquem acima do projeto escolhido pelos eleitores nas urnas. Se há necessidade de equilibrar as contas públicas, o caminho deve passar pela revisão das renúncias ficais e privilégios tributários, pelo combate aos supersalários e pela discussão das emendas parlamentares. Não é justo exigir sacrifícios dos trabalhadores enquanto setores privilegiados permanecem intocados”, afirma Neiva Ribeiro.

Setor financeiro lucra enquanto economia sofre

Enquanto trabalhadores e empresas enfrentam o crédito caro, grandes investidores obtêm rendimentos expressivos com aplicações financeiras e títulos públicos, sem gerar empregos ou produzir qualquer bem.

“O setor financeiro também precisa pensar no desenvolvimento do país, em vez de apenas defender seus próprios interesses. O Brasil precisa discutir o papel dos bancos e dos grandes investidores na economia, incluindo a rentabilidade das aplicações financeiras e o elevado custo do crédito”, desataca Neiva Ribeiro.

Selic elevada agrava inadimplência e crise no varejo

Os juros elevados encarecem empréstimos e financiamentos, reduzem o consumo e dificultam investimentos produtivos.

Também contribuem para o agravamento da inadimplência e das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas, incluindo grandes redes varejistas.

O crédito caro desestimula o investimento produtivo, limita os ganhos de produtividade e compromete a geração de empregos e renda. Com isso, enfraquece o dinamismo da economia e restringe o poder de compra das famílias.

“O combate à inflação deve caminhar junto com políticas de crescimento econômico, geração de empregos e distribuição de renda. O ajuste fiscal precisa enfrentar privilégios, preservar direitos sociais e evitar que os trabalhadores paguem a conta de uma política econômica que favorece a rentabilidade financeira em detrimento da produção”, finaliza a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

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