Paralisação

Professores e alunos programam greve no dia 15 contra medidas de Bolsonaro

Congelamento de verbas da educação e "reforma" da Previdência são as pautas criticadas pelo movimento

  • Rede Brasil Atual, com Redação Spbancarios
  • Publicado em 08/05/2019 14:00 / Atualizado em 08/05/2019 17:47

Para a Fepesp, congelamento de verbas feito por Bolsonaro não debate mérito técnico, mas ideológico

Foto: UNE

Profissionais da educação do setor público e privado realizarão uma greve nacional, no dia 15, em todo o Brasil, contra a "reforma" da Previdência e o congelamento de verbas da educação, propostas do governo Jair Bolsonaro. No mesmo dia, as centrais sindicais se juntarão aos professores e estudantes e chamarão os trabalhadores de outras categorias para um Dia Nacional de Luta que, segundo os dirigentes sindicais, servirá como "esquenta" para a greve geral marcada para o dia 14 de junho, contra a PEC 6/2019, como tramita a proposta de reforma da Previdência na Câmara.

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Segundo reportagem da Rede Brasil Atual, o presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), Celso Napolitano, diz que as ações serão feitas nas ruas e dentro das instituições de ensino. "Em São Paulo, a federação está organizando os sindicatos para essa manifestação, que pode se traduzir por paralisação, atos, rodas de conversa", diz Napolitano ao repórter Jô Myiagui, da TVT.

A professora Andréa Luciana Harada Sousa explica que, atualmente, na rede privada de educação, para as mulheres são exigidos 25 anos de contribuição sem limite de idade. Já na rede pública, as docentes se aposentam com 50 anos de idade e 25 de contribuição. Com a reforma ambas terão de trabalhar até os 60 anos de idade e contribuir por 30 anos.

Reforma da Previdência é pior para mulheres

"Elevar o tempo de trabalho para as professoras é uma perversidade. A educação, a cada dia, ganha complexidade e uma nova dinâmica. O desgaste é profundo e o trabalho não se encerra na escola, continua em casa", relata.

Bolsonaro já afirmou várias vezes que o Brasil "gasta muito" com a educação e congelou cerca de 30% o investimento nas universidades federais, uma medida considera equivocada pelos professores.

"Esse jogo de contingenciar e entregar segue de acordo com o que ele pode considerar mérito das universidades. O conceito de mérito dele não é acadêmico, porque as três universidades que ele propôs cortes são instituições com mérito acadêmico e reconhecidas", critica o dirigente da Fepesp.

A greve nacional de educação, no dia 15 de maio, também contará com a participação de estudantes e pais de alunos, que estão indignados com o congelamento de verbas da educação feito pelo governo. "Veja como esse corte é seletivo, porque agora foi anunciado pelo governo Bolsonaro que os colégios militares ficam de fora do corte, então é realmente um viés ideológico", acrescentou Napolitano.

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A presidenta da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Laís do Vale, afirma que assim como os professores, os jovens também estão preocupados com a mudança de regras na aposentadoria. "A gente vai entrar na rua no dia 15, junto com os professores, com os sindicatos. É importante que os pais compreendam isso e também participem, porque a educação dos filhos também passa por eles."

Mobilização internacional

Mais de 11 mil acadêmicos de universidades de todo o mundo assinaram um manifesto contra a política de cortes na educação pelo governo Bolsonaro, principalmente nas áreas de Filosofia e Sociologia. Na lista estão intelectuais de Harvard, Princeton, Oxford e Cambridge, além de diversas instituições brasileiras.

O manifesto organizado pela Gender International, uma rede de pesquisadores, foi publicado no jornal francês Le Monde. O documento reforça que as Ciências Sociais e as humanidades não são luxo e defende que, nas sociedades democráticas, os políticos não devem decidir o que é "boa" ou "má" ciência.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT



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