19ª Conferência Nacional

Bancários definem plano de lutas contra retirada de direitos

Com reajuste salarial definido por campanha de dois anos fechada em 2016, trabalhadores farão mobilização nacional em defesa dos bancos públicos, contra terceirização, contratos precários de trabalho e retirada de direitos imposta pelas reformas trabalhista e da Previdência

  • Cláudia Motta, Spbancarios
  • Publicado em 30/07/2017 13:38 / Atualizado em 31/07/2017 18:10

Aprovação do plano de lutas fechou a conferência dos bancários

Foto: Anju

São Paulo – Os bancos que não tentem usar a reforma trabalhista para terceirizar empregos bancários, impor contratos precarizados, retirar direitos. Reunidos na 19ª Conferência Nacional, 696 bancários representando trabalhadores de todo o Brasil, definiram, no domingo 30, planos de lutas em defesa dos empregos, dos bancos públicos e para se opor à retirada de direitos imposta pelas reformas trabalhista e da Previdência.

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Esses temas estiveram no centro dos debates nos três dias da Conferência, entre 28 e 30 de julho, em São Paulo, assim como a defesa dos bancos públicos e dos empregos bancários frente às novas tecnologias. Houve, também, o painel Análise de Conjuntura Nacional e Internacional.

“Vamos manter uma mobilização nacional na defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores, será uma resistência permanente”, afirma a presidenta do Sindicato, Ivone Silva. “Esses três dias de debates deixaram ainda mais claro para os trabalhadores as injustiças por trás de dessas reformas que estão sendo feitas de encomenda pelo setor financeiro, maus empresários e industriários para engordar ainda mais seus lucros.”

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Por isso, explica a dirigente, a luta será conjunta, não somente entre os bancários de todo o Brasil, mas também ao lado de trabalhadores de outras categorias e movimentos sociais. “Toda a sociedade brasileira está perdendo com essas reformas que estão acabando com o mercado interno, enfraquecendo o país e nos tornando novamente reféns do capital internacional”, critica a presidenta do Sindicato.

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Um documento será entregue à federação dos bancos (Fenaban), no dia 8 de agosto, explicitando ponto por ponto a oposição dos bancários à reforma trabalhista. “Não aceitaremos qualquer alteração nos contratos de trabalho e queremos respeito a todas as cláusulas da nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”, avisa o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten. “Não aceitaremos, por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado que tem o objetivo de retirar direitos. E queremos garantias de respeito aos empregos e direitos da categoria.”

Acordo de dois anos – A Campanha Nacional Unificada 2016 garantiu aos bancários, após 31 dias de greve, um acordo com validade de dois anos para todos os trabalhadores de bancos públicos e privados do país.

A estratégia mostrou-se ainda mais acertada, diante do agravamento da política de retirada de direitos com o governo Temer. “Os bancários têm direitos previstos e garantidos na CCT até 31 de agosto de 2018. Não aceitaremos desrespeito a nenhum desses direitos. Além disso, num ano em que a perspectiva de reajuste é muito ruim, os bancários têm garantida, a partir de 1º de setembro, reposição total da inflação mais 1% de aumento real para salários e todas as demais verbas, inclusive a PLR”, explica Ivone. “Assim, todo foco da nossa mobilização estará voltado para a defesa dos bancos públicos, dos direitos e empregos bancários, pelo fortalecimento do movimento sindical ao lado dos trabalhadores. Só essa luta conjunta poderá fazer frente aos ataques contra a classe trabalhadora.”

Principais pontos do documento que será entregue aos bancos

  • Não à terceirização
  • Não ao contrato temporário
  • Não à contratação de autônomos
  • Não ao contrato intermitente de trabalho
  • Não ao teletrabalho sem negociação com os sindicatos
  • Não ao termo de quitação das obrigações trabalhistas
  • Não à jornada 12 x 36 horas
  • Não ao parcelamento da PLR em mais de duas vezes
  • Manutenção das homologações feitas pelos sindicato para fiscalizar o devido pagamento dos direitos dos demitidos
  • Não à rescisão do contrato de trabalho em comum acordo, na qual os trabalhadores só perdem
  • Não ao limite à liberdade de expressão dos sindicatos e dos trabalhadores
  • Contra prêmios e bônus que não integrem os salários
  • Garantia dos centros de realocação e requalificação
  • Respeito à jornada de trabalho dos bancários como forma de preservação da saúde
  • CCT válida para todos os trabalhadores dos bancos
  • Que todos os trabalhadores da atividade-fim dos bancos sejam representados pelos sindicatos de bancários
  • Assinatura de termos de responsabilidade por parte do empregado não eximirá o empregados da responsabilidade com a saúde dos trabalhadores
  • Livre acesso dos dirigentes sindicais às agências digitais
  • Garantia da ultratividade (validade) da CCT até a celebração de novo acordo
  • Garantia de que as gratificações de função sejam incorporadas apos 10 anos de recebimento


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