Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de solenidade de celebrações do ProUni e da Lei de Cotas, no Anhembi. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que valores repassados para a educação não devem ser considerados gastos, mas investimentos.
A declaração ocorreu nesta terça-feira (31), em São Paulo, durante evento com milhares de estudantes para marcar os 21 anos do Prouni e os 14 anos da Lei de Cotas (12.711/2012).
“Governar é decidir todo dia. A primeira grande decisão que tomamos é que educação não é gasto, é investimento”, disse Lula, destacando o atraso histórico do Brasil na educação superior.
Atraso histórico e evolução
“Nenhum país evoluiu sem investir na educação. Estamos com quase 400 anos de atraso. O Brasil foi o último país da América do Sul a ter universidade federal”, afirmou o presidente.
Lula criticou a elite pelo atraso na educação: “Cabral chegou aqui em 1500 e a nossa primeira universidade federal só foi feita em 1920. Porque a elite brasileira não queria que vocês estudassem. [Para eles], vocês nasceram para cortar cana, nasceram para trabalhar. Estudar era coisa de gente fina. E por isso nós somos um país atrasado. Por isso a gente está atrás do Chile, da Argentina. Nós estamos tirando essa diferença (…) não tem mais volta”, afirmou Lula.
Anúncios do MEC para acesso à educação
O Ministério da Educação anunciou ampliações. Destaque para a Rede de Cursinhos Populares (CPOP): o edital 2026 apoiará mais de 800 cursinhos com investimento de R$ 290 milhões (antes estavam previstos 514 cursinhos com investimento de R$ 108 milhões). O foco é preparar estudantes de baixa renda para o ensino superior.
Foi instituída ainda a Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), integrando a cultura hip-hop à pedagogia pública. O programa inclui currículos, formação de professores e gestores, com R$ 50 milhões no período 2026-2027.
Dados e impacto do Prouni
Desde sua criação, em 2005, o Prouni teve 27,1 milhões de inscritos e 7,7 milhões de bolsas ofertadas (3,6 milhões ocupadas). Até 2025, 1,5 milhão de diplomados.
De 2023 a 2026, foram ofertadas 2,3 milhões de bolsas, com recorde de 594.519 em 2026. Mulheres e negros são o grupo majoritário.
Aprimoramentos na Lei de Cotas
A Lei nº 14.723/2023 refinou a reserva de 50% das vagas em federais para alunos de públicas. As principais mudanças envolvem a inclusão de estudantes quilombolas, a redução da renda familiar per capita para até 1 salário mínimo e a participação de cotistas na ampla concorrência, tornando mais justa a política de reserva de vagas.
“Foram políticas que colocaram milhões de estudantes de baixa renda, negros, quilombolas na universidade. Isso é revolucionário. Isso é uma grande política e a gente está muito feliz e está comemorando”, afirmou Neiva Ribeiro. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região representou a entidade no evento.