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Sindicato reafirma apoio à causa LGBT enquanto empresas abandonam patrocínio à Parada

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Sindicato reafirma apoio à causa LGBT enquanto empresas abandonam patrocínio à Parada

A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para o dia 7 de junho, na Avenida Paulista, será realizada em meio a uma expressiva redução do apoio empresarial. Em apenas dois anos, o número de marcas patrocinadoras e apoiadoras do evento caiu de 12 para três, provocando uma queda de cerca de 60% na receita obtida por meio de patrocínios privados.

Para a organização da Parada, o movimento reflete um cenário internacional de ofensiva conservadora contra políticas de diversidade e inclusão. O recuo também evidencia uma diferença fundamental entre instituições que tratam a pauta LGBTQIA+ como estratégia de mercado e aquelas que a defendem como compromisso permanente com os direitos humanos e a cidadania.

Enquanto parte do setor privado reduz investimentos e evita associações públicas com a pauta LGBTQIA+, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região reafirma seu compromisso histórico com a defesa da diversidade. Na sexta-feira, 5 de junho, a entidade participou, ao lado da CUT e de outras organizações do movimento sindical, da 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+, realizada sem o apoio de empresas, no centro da capital paulista, com o lema "Por direitos, democracia e trabalho digno para todas as pessoas".

Sindicato marca presença em Marcha LGBT do movimento sindical

A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, criticou a postura de empresas que apoiam a causa apenas quando ela gera retorno institucional.

"Os direitos da população LGBTQIA+ não podem ser tratados como uma campanha de marketing sujeita às oscilações do mercado ou às pressões políticas do momento. Muitas empresas exibiram a bandeira da diversidade quando isso era conveniente para sua imagem, mas agora recuam diante da ofensiva conservadora. O Sindicato continua ao lado da comunidade LGBTQIA+ porque nossa defesa da igualdade é uma convicção construída na luta e não uma estratégia publicitária."

Neiva Ribeiro

A contradição do setor privado também foi destacada pela cantora Pabllo Vittar, que criticou publicamente em suas redes sociais o desaparecimento de empresas que, em anos anteriores, utilizavam a bandeira da diversidade em campanhas e ações de marketing.

"Cadê as marcas esse ano, que já estiveram por aí com bandeira nos ícones nas redes sociais? Cobrem as marcas, vamos tentar fazer alguma coisa, não vamos nos calar diante disso. Não é só uma festa: é sobre vivência, nossos direitos. Não podemos retroceder", afirmou a artista.

Histórico de compromisso

Muito antes de a pauta da diversidade ganhar espaço nas estratégias corporativas, o Sindicato já atuava pela ampliação de direitos da população LGBTQIA+. Em 2009, a entidade conquistou na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários a extensão de direitos a casais homoafetivos, garantindo acesso a benefícios como plano de saúde, auxílio-funeral e indenização por morte.

O reconhecimento desse trabalho veio em 2011, quando o Sindicato recebeu o 11º Prêmio Cidadania e Respeito à Diversidade, concedido pela Associação da Parada do Orgulho LGBT+. Naquele período, a entidade também participava da mobilização nacional pela criminalização da homofobia, que passou a ser enquadrada como crime no Brasil por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2019.

Mais recentemente, a Campanha Nacional dos Bancários de 2024 garantiu avanços importantes para trabalhadores LGBTQIA+. O tema, que anteriormente aparecia em apenas uma cláusula da Convenção Coletiva, passou a contar com oito cláusulas específicas voltadas à diversidade, inclusão e proteção contra discriminações.

Entre as conquistas estão o reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual, a garantia do uso do nome social, a implementação de programas de diversidade nos bancos, medidas para inclusão de pessoas trans em programas de mitigação da desigualdade salarial e a criação da Mesa de Diversidade, Inclusão e Pertencimento.

Além disso, desde 2019, o Sindicato mantém o Projeto Basta, canal de acolhimento e encaminhamento de denúncias de violência de gênero, racismo e LGBTfobia, oferecendo suporte jurídico e fortalecendo o combate às diversas formas de discriminação no ambiente de trabalho.

Dirigentes do Sindicato reunidos durante 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+
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