Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano, em decisão anunciada na noite desta quarta-feira 5.
A queda de 0,25 ponto percentual mantém o ciclo de redução iniciado neste ano, mas preserva a taxa no nível mais elevado do mundo, o que continua impondo custos elevados para trabalhadores, famílias e para a economia brasileira.
Embora represente um avanço em relação ao patamar anterior, o corte foi insuficiente diante da necessidade de estimular a atividade econômica, ampliar os investimentos e favorecer a geração de empregos. Com a Selic ainda em 14% ao ano, o crédito permanece caro para consumidores e empresas, dificultando o financiamento da casa própria, a compra de bens duráveis, o acesso ao crédito e a expansão dos negócios.
“Na prática, quem paga a conta são os trabalhadores. Juros elevados desestimulam investimentos produtivos, reduzem a abertura de vagas, pressionam pequenos e médios empreendimentos e comprometem a renda das famílias. Além disso, o custo das dívidas aumenta, tornando mais pesadas as parcelas do cartão de crédito, do cheque especial, do crédito pessoal e dos financiamentos. Isso reduz o poder de compra da população e desacelera a economia”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
A dirigente pontua que a manutenção de uma política monetária tão restritiva favorece a remuneração do capital financeiro, enquanto limita o crescimento da produção e do emprego.
“Em um cenário de desaceleração da inflação e maior previsibilidade econômica, uma redução mais consistente da Selic contribuiria para ampliar o consumo, incentivar investimentos e fortalecer o mercado de trabalho, sem abrir mão do compromisso com a estabilidade de preços”, reforça.
O próprio Banco Central reconhece que a política monetária deve considerar não apenas o controle da inflação, mas também seus impactos sobre o nível de atividade econômica e o emprego.
“No entanto, ao optar por um corte de apenas 0,25 ponto percentual, o Copom mantém a economia sob forte restrição, prolongando os efeitos negativos dos juros elevados sobre a vida da população”, enfatiza Neiva.
A expectativa agora é que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic nas próximas reuniões.
“Para trabalhadores e setores produtivos, uma queda mais acelerada dos juros é fundamental para estimular investimentos, fortalecer a geração de empregos, ampliar a renda e criar condições para um crescimento econômico mais sustentável e socialmente inclusivo”, finaliza a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.