Neiva Ribeiro: "Categoria não aceitará encerrar as negociações sem avanços concretos em temas fundamentais, como reajuste salarial, valorização da PLR e recomposição do VR e VA" (foto: Seeb-SP)
A Campanha Nacional Unificada dos Bancários chega à sexta rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), marcada para esta terça-feira (4), em um momento decisivo. Durante o mês de agosto, as negociações se concentram nas cláusulas econômicas, ao mesmo tempo em que aguardamos o retorno das discussões sobre as cláusulas sociais. É hora de os bancos demonstrarem, na prática, que reconhecem a contribuição dos trabalhadores para os resultados históricos do setor.
Desde o início da campanha, temos deixado claro que a categoria não aceitará encerrar as negociações sem avanços concretos em temas fundamentais, como reajuste salarial, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e recomposição dos vales refeição e alimentação. Essas reivindicações não surgiram por acaso. Elas refletem o que os próprios bancários apontaram na consulta nacional que orientou a construção da pauta de negociações: 93% dos participantes indicaram o aumento real dos salários como prioridade; 63% defenderam a ampliação da PLR; e 51% consideraram essencial um reajuste maior para o vale-refeição e o vale-alimentação.
Demandas dos bancários são viáveis
Os números do setor financeiro comprovam que essas demandas são plenamente viáveis. Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação. Apenas em 2025, os cinco maiores bancos registraram lucro de R$ 124 bilhões, destacando que o patamar de rentabilidade continua extremamente elevado e muito superior ao de outros segmentos da economia.
Os bancos seguem entre as atividades mais rentáveis do país. Em 2025, enquanto os patrimônios líquidos somados dos setores de eletroeletrônica e mecânica alcançaram R$ 48 bilhões, o patrimônio líquido do setor bancário chegou a aproximadamente R$ 1,2 trilhão — cerca de 25 vezes superior.
Vale-refeição maior
Outra reivindicação urgente diz respeito ao vale-refeição. O benefício perdeu poder de compra nos últimos anos e já não acompanha o custo da alimentação nas principais cidades brasileiras. Para restabelecer a mesma relação existente em setembro de 2019 entre o valor do benefício e o custo da cesta básica, seria necessário um reajuste de aproximadamente 40%, elevando o valor mensal de R$ 924,47 para R$ 1.293,73. Além disso, em cinco municípios que concentram cerca de metade da categoria bancária — São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — o custo médio de uma refeição já supera o valor diário de R$ 53,33 pago atualmente. Atualizar esse benefício significa preservar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Há ainda um aspecto que evidencia o desequilíbrio na distribuição dos resultados do setor. As receitas obtidas com tarifas bancárias, que representam uma fonte secundária de arrecadação, são suficientes para cobrir com folga toda a despesa com pessoal. Isso demonstra que existe ampla capacidade financeira para valorizar quem produz diariamente esses resultados.
Desigualdade na distribuição
Ao mesmo tempo, os dados revelam uma enorme desigualdade na distribuição da riqueza gerada pelos bancos. Segundo os Formulários de Referência encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a remuneração média anual dos integrantes das diretorias estatutárias de quatro dos maiores bancos do país alcança R$ 10,3 milhões por executivo. Esse montante equivale a aproximadamente 120 vezes a remuneração anual de um escriturário, considerando salários, 13º, férias, vales e PLR.
Os bancários contribuíram decisivamente para que o sistema financeiro brasileiro alcançasse níveis recordes de rentabilidade, mesmo diante de crises econômicas, transformações tecnológicas e mudanças profundas na forma de atendimento à população. Valorizar esses trabalhadores não é apenas uma questão de justiça. É reconhecer que a alta rentabilidade dos bancos é resultado direto da dedicação de milhares de profissionais que garantem diariamente o funcionamento de um dos setores mais lucrativos da economia brasileira.
Esperamos que, nesta nova rodada de negociações, a Fenaban apresente propostas compatíveis com essa realidade. A categoria bancária merece respeito, valorização e uma participação mais justa na riqueza que ajuda a construir.