Linha 8 da CPTM, que, em 2022, passou a ser operada pela ViaMobilidade. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região manifesta apoio à greve dos ferroviários, mobilização legítima em defesa dos empregos, dos direitos dos trabalhadores e do patrimônio público.
A paralisação busca garantir compromissos formais de manutenção dos postos de trabalho dos empregados da CPTM que atuavam diretamente nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, concedidas à iniciativa privada em julho deste ano, além de denunciar o avanço das privatizações promovidas pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A experiência recente demonstra que a transferência de serviços públicos essenciais para a iniciativa privada não tem resultado em melhorias para a população.
Os exemplos são numerosos: as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM tiveram aumento significativo de falhas desde sua concessão, em 2022, à Via Mobilidade, assim como a linha 7-Rubi, entregue à TIC Trens em 2024. A Enel e a Sabesp confirmam o fracasso da entrega de serviços essenciais e sem concorrência à iniciativa privada
Processos de privatização e terceirização costumam resultar na precarização das relações de trabalho, redução de quadros, perda de direitos, piora das condições de atendimento e enfraquecimento da capacidade do Estado de garantir serviços de qualidade à sociedade.
Os trabalhadores ferroviários têm razão ao exigir garantias concretas de emprego. Não é aceitável que milhares de famílias vivam sob a insegurança provocada por um processo de concessão que coloca em risco o futuro de quem dedicou anos à prestação de um serviço essencial para milhões de paulistas.
O governo estadual tem acelerado um amplo programa de privatizações, atingindo áreas estratégicas para o desenvolvimento e o bem-estar da população. Essa política privilegia interesses privados em detrimento do interesse público, reduz a capacidade de planejamento do Estado e transforma direitos em oportunidades de negócio, muitas vezes sem oferecer garantias efetivas de melhoria dos serviços ou de preservação dos empregos.
Os bancários conhecem de perto os impactos dessa lógica. A busca incessante pela redução de custos, pela terceirização e pela substituição de trabalhadores por modelos mais precários de contratação tem provocado fechamento de agências, sobrecarga de trabalho, exclusão financeira e perda da qualidade no atendimento à população.
Por isso, reafirmamos nossa solidariedade aos ferroviários e defendemos que qualquer mudança na gestão de serviços públicos deve respeitar os trabalhadores, preservar empregos e colocar os interesses da sociedade acima da lógica do lucro.
A unidade entre as categorias é fundamental para enfrentar o desmonte dos serviços públicos e defender um Estado comprometido com direitos, desenvolvimento e justiça social.