Deputados federais de ultra direita trabalham para barrar medidas do governo Lula contra misoginia digital; e gestão Tarcísio desmonta políticas de proteção
O Ministério das Mulheres divulgou um crescimento recorde de denúncias de violência contra mulheres no meio digital. De janeiro a maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), vinculada à pasta, recebeu 16.725 denúncias do tipo, contra 5.795 no mesmo período do ano passado. Houve, portanto, um aumento de 188,6%.
O dado mostra que a violência contra meninas e mulheres nas redes sociais, jogos online, aplicativos de mensagens e outros ambientes virtuais também cresce, assim como a violência no mundo físico.
Apesar disso, deputados de extrema direita no Congresso Nacional trabalham para barrar iniciativas do governo federal contra a misoginia digital. Segundo reportagem do Brasil de Fato, pelo menos 13 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) tentam derrubar o Decreto nº 12.976/2026, editado pelo governo Lula para estabelecer diretrizes de enfrentamento à violência contra mulheres no ambiente digital.
Alguns desses PDLs foram apresentados pelos deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Kim Kataguiri (Missão-SP) e Gilson Marques (Novo-SC).
É preciso destacar que o Decreto do governo federal foi construído no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, uma iniciativa entre os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) para agilizar medidas protetivas para as mulheres, fortalecer a rede de atendimento e promover mudança de cultura na sociedade brasileira.
Tarcísio desmonta políticas de proteção
Enquanto a ultra direita ataca políticas de proteção às mulheres no Congresso, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) faz o mesmo em São Paulo. Tarcísio cortou pela metade (54,4%) os recursos do orçamento da Secretaria de Políticas para Mulheres. Além disso, usou apenas R$ 10 milhões dos R$ 38,2 milhões previstos para ações de combater à violência contra mulheres no estado, segundo dados do próprio orçamento do governo.
Os números apontam que o governo Tarcísio gasta 18 centavos por ano para cada uma das 23,2 milhões de moradoras do estado com medidas de proteção.
E como resultado desse descaso, o estado de São Paulo apresentou o maior índice de feminicídio do país, durante a gestão Tarcísio. Em 2024 chegou a 266 o número de mulheres assassinadas, a maioria dos crimes em casa, praticados pelo parceiro ou ex. E apenas de janeiro a abril deste ano, já ocorreram 107 feminicídios e 2.942 estupros de vulneráveis.