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Privatizada por Tarcísio, Sabesp causou explosão que destruiu casas e matou uma pessoa em São Paulo

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Privatizada em julho de 2024, Sabesp já acumula três "acidentes" com mortes em 2026 (Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil/TV Brasil)

Privatizada em julho de 2024, Sabesp já acumula três "acidentes" com mortes em 2026 (Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil/TV Brasil)

Uma explosão matou um homem e danificou 46 imóveis nesta segunda-feira 11, no Jaguaré, zona oeste da capital paulista. Dez dos 46 imóveis atingidos foram completamente destruídos. Estima-se que, ao todo, 160 pessoas foram afetadas.

A explosão foi provocada após uma equipe de manutenção da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) atingir uma tubulação de gás durante uma obra de remanejamento da rede de água. De acordo com a Sabesp, o serviço foi imediatamente interrompido e a Comgás acionada. Entretanto, durante a mobilização da equipe técnica para o reparo, a explosão ocorreu.

De acordo com reportagem do portal Metrópoles, moradores da região avisaram a equipe da Sabesp sobre a presença de uma tubulação de gás na área da obra, mas foram ignorados.

“Eles estavam fazendo uma perfuração na frente da minha casa. Uma vizinha avisou a eles que ali tinha uma tubulação de gás que corria risco de explosão. E o rapaz, ignorando completamente uma mulher que mora aqui há quase 40 anos, falou que sabia fazer o trabalho dele”, relatou a moradora Denise Faria em entrevista ao portal Metrópoles.

“Eles já estavam aqui na região por volta das nove da manhã. Então, eles já estavam, bem antes disso, mexendo na rua. E, por volta de umas três horas após o início do trabalho deles, começou a vir o cheiro de gás”, acrescentou.

Representantes da Sabesp e da Comgás, ambas empresas privatizadas, afirmaram em entrevista coletiva que trabalhavam “em conjunto” na obra que provocou a explosão. A Comgás foi privatizada em 1996. Já a Sabesp foi privatizada em julho de 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Além de se solidarizar com todas as vítimas deste absurdo, o Sindicato cobra assistência e justa indenização para todas as famílias afetadas. Quando Tarcísio privatizou a Sabesp – com ações vendidas por um preço 22% menor do que o de mercado –, a promessa, como sempre nesses casos, foi de melhoria do serviço e redução de tarifas. Hoje, as consequências são tarifas mais caras, torneiras sem pressão após 20h e serviço precarizado, inclusive com vítimas fatais”

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Desde que foi privatizada, Sabesp já acumula três “acidentes” com mortes

Rompimento de reservatório matou um trabalhador terceirizado da Sabesp em Mairiporã (Divulgação/Corpo de Bombeiros/Agência Brasil)

A explosão no Jaguaré não é o primeiro “acidente” fatal envolvendo a Sabesp desde que a empresa foi privatizada.

Em março deste ano, o rompimento de uma caixa d’água da companhia, em Mairiporã, matou um trabalhador terceirizado da Sabesp, deixou nove pessoas feridas e destruiu casas e veículos de moradores. Também em março, em Mauá, uma idosa de 79 anos morreu após uma tubulação da Sabesp se desprender durante uma obra e cair sobre sua casa.

Além dos casos envolvendo mortes, outros dois acidentes recentes envolvendo a Sabesp tiveram grande repercussão. Em abril, uma adutora da empresa se rompeu no Jardim Veloso, em Osasco, e a água invadiu quatro residências.

Já em abril de 2025, um vazamento provocado por obras da Sabesp abriu uma enorme cratera na pista da Marginal Tietê. O buraco ficou mais de 11 meses sem solução, prejudicando o trânsito em uma das principais vias da capital paulista, até ser finalmente reparado em março deste ano.

“A Sabesp, assim como a Enel, são exemplos perfeitos das consequências impostas à população quando uma empresa pública é privatizada, especialmente as que operam serviços essenciais. A partir do momento em que é privatizada, a empresa passa a ter como único foco a maximização do lucro. Não por acaso, enquanto a população sofre com a precarização do serviço e o aumento de tarifas, em meados de março a Sabesp aprovou a distribuição de juros sobre capital próprio aos acionistas no valor de R$ 583,6 milhões. Essa é a lógica privatista de Tarcísio de Freitas, na qual o lucro é privatizado e os prejuízos socializados”, conclui a presidenta do Sindicato.

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