A violência levou cerca de 900 meninas e mulheres diariamente a unidades de saúde de todo o Brasil em 2025. Os dados são do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). No total, foram 330 mil registros.
Os números, obtidos pela Folha de S. Paulo com ajuda do Ministério da Saúde, fazem parte de um levantamento baseado em notificações obrigatórias realizadas por profissionais de saúde em casos de violência interpessoal — situações que envolvem o uso intencional de força ou poder em relações diretas.
A determinação também se aplica a homens e outros grupos, como pessoas com deficiência e população LGBTQIA+. Mas as mulheres representam a maioria das vítimas: entre 2015 e 2025, elas corresponderam a 71% dos 2,3 milhões de casos registrados no período.
Ampliar debate é fundamental
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o enfrentamento à violência contra a mulher passa pelo fortalecimento do Estado visando a prevenção e o combate à violência de gênero — como leis, delegacias da mulher e casas de acolhimento.
“No entanto, também é fundamental ampliar cada vez mais o debate público e a educação no sentido de erradicar o machismo e a misoginia, e para isso, a educação e o debate público são fundamentais. O combate à violência contra a mulher é uma luta histórica do Sindicato, que atua também no debate junto à sociedade”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
Sindicato contra a violência de gênero
Entre as iniciativas, estão as cartilhas “Sexo frágil: um manual sobre masculinidade e suas questões" e "Como conversar com homens sobre violência contra meninas e mulheres", elaboradas respectivamente pelas ongs Instituto Maria da Penha e Papo de Homem. Os materiais discutem estereótipos e orientam trabalhadores e trabalhadoras a identificar e prevenir situações de violência.
Outro destaque é o curso “Paternidade e Maternidade com Relações Compartilhadas”, criado a partir da conquista da licença-paternidade estendida de 20 dias na categoria, em 2016.
As aulas reunem especialistas para discutir temas como divisão do trabalho doméstico, masculinidade, cuidado com os filhos e igualdade de gênero.
Ações e conquistas do Sindicato
A igualdade de gênero e o combate à violência contra a mulher também são uma pauta permanente nas negociações com os bancos.
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária hoje conta com inúmeras cláusulas específicas de prevenção à violência doméstica e familiar contra bancárias e mulheres em geral (cláusula 117 a cláusula 129).
Entre as principais conquistas previstas nestas cláusulas, estão:
- Canal de apoio, implementado pelo banco, de acolhimento e orientação à bancária vítima de violência;
- Realocação da bancária para outro local de trabalho, sendo assegurado o sigilo do novo local;
- Oferta de linha de crédito/financiamento especial;
- Canal de apoio, implementado pelo Sindicato, para acolhimento e orientação.
A CCT da categoria bancária ainda conta com cláusula sobre igualdade salarial entre homens e mulheres (cláusula 130); e as licenças-maternidade e paternidade ampliadas, de 180 dias e 20 dias respectivamente. Sendo a licença paternidade ampliada condicionada a realização de curso de Paternidade Responsável e Relações Compartilhadas.
Projeto Basta!: Proteção real para a bancária
O Sindicato também atua na vanguarda dessa luta por meio do Projeto Basta! Não irão nos calar!, iniciativa que oferece assessoria jurídica especializada a bancárias vítimas de violência doméstica.
O projeto presta apoio em ações como solicitação de medidas protetivas, processos de divórcio e disputas de guarda, reafirmando o compromisso da entidade com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento das violências para além do local de trabalho.
Atualmente, as bancárias contam com 14 canais para acolhimento e assistência jurídica especializada presentes nas cinco regiões do país, em 485 cidades atendidas.
Desde sua criação, em 2019, o canal já atendeu 542 pessoas, sendo 540 mulheres. Os dados revelam a gravidade do problema: em todos os casos, foram relatadas ao menos duas formas de violência (física, psicológica, patrimonial, moral ou sexual).
Como buscar ajuda
Se você é bancária e está passando por uma situação de violência, ou conhece uma colega que precise de apoio, o Sindicato oferece atendimento humanizado e sigiloso. A iniciativa não apenas orienta, mas garante que a trabalhadora consiga romper o ciclo de violência com respaldo jurídico especializado.
Para falar com o projeto Basta! Não irão nos Calar! - em São Paulo, Osasco e região - basta entrar em contato pelo WhatsApp (11 97325-7975).