Em visita aos locais de trabalho do Itaú, na terça-feira 5, dirigentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo constataram que, nas áreas comerciais, o trabalho presencial foi mantido e não houve autorização para o home office.
A determinação ocorreu em meio à nova paralisação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, desta vez deflagrada pelos trabalhadores da CPTM, e que voltou a impactar o deslocamento de milhares de trabalhadores, entre eles bancárias e bancários do Itaú.
Essa nova paralisação ocorreu poucos dias após uma falha na circulação de energia que interrompeu os trens das mesmas três linhas privatizadas recentemente, e que chegou a causar um incêndio em um dos trens.
Mesmo impossibilitados de chegar ao trabalho por conta deste incidente ocorrido em 23 de julho, bancários foram cobrados por alguns gestores.
Além da incerteza sobre as orientações, muitos trabalhadores relataram que o tempo de deslocamento praticamente dobrou durante a paralisação desta terça-feira 4 e quarta-feira 5.
Alguns bancários levaram entre duas e quatro horas para chegar ao trabalho, enfrentando baldeações, lotação e longas filas nas estações, o que aumenta o desgaste físico e emocional.
Tratamento desigual
Após cobrança do Sindicato, o banco informou que não haveria flexibilização do dia de presencial, alegando limitações de ocupação dos prédios. Também afirmou que os gestores foram orientados a agir com flexibilidade em relação aos atrasos provocados pela greve.
Na prática, porém, os relatos mostram um cenário diferente. Em algumas equipes, gestores autorizaram medidas para minimizar os impactos, como o custeio de transporte por aplicativo até estações em funcionamento ou o abono de atrasos. Em outras, trabalhadores não receberam o mesmo tratamento.
Insegurança e desconforto
A falta de uma orientação clara e uniforme tem gerado insegurança e desconforto entre os próprios gestores, que relatam dificuldades para conduzir a situação.
“Entre os bancários, a percepção é de desigualdade: enquanto alguns conseguem alternativas para chegar ao trabalho sem prejuízo, outros ficam sujeitos a decisões diferentes, mesmo enfrentando o mesmo problema”, destaca Gleice Pereira, diretora do Sindicato e bancária do Itaú.
Sindicato seguirá acompanhando
A dirigente acrescenta que situações excepcionais exigem diretrizes objetivas e isonômicas. “Não é razoável que a solução dependa exclusivamente da interpretação de cada gestor, criando diferenças de tratamento entre trabalhadores que vivem a mesma realidade.”
“O Sindicato continuará acompanhando o caso e orienta os bancários a relatarem situações em que a orientação institucional não esteja sendo aplicada ou em que haja prejuízos decorrentes da greve da CPTM. Os casos serão levados ao banco para cobrança de providências”, finaliza Gleice.