Bancários cobram que a Fenaban apresente uma proposta global, que contemple as reinvindicações da categoria (Foto: Seeb-SP)
Foi realizada nesta terça, 4 de agosto, em São Paulo, a sexta mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. Na mesa, os banqueiros não apresentaram uma proposta, adiando o retorno das reivindicações para a próxima negociação, em 13 de agosto.
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- Os lucros cresceram. Agora é a vez de valorizar os bancários
A Fenaban trouxe para a mesa de negociação uma argumentação sobre a concorrência com instituições financeiras não bancárias e uma análise sobre o impacto das reivindicações da categoria na lucratividade e na ROE dos bancos, o que, segundo os bancos, poderia gerar mais demissões e fechamento de agências no setor caso atendidas na íntegra, argumento rechaçado pelo Comando Nacional dos Bancários diante do lucro, rentabilidade e patrimônio líquido dos bancos.
A Fenaban também sugeriu que a PLR não deveria ter reajuste, uma vez que os bancos possuem programas próprios de remuneração variável. O Comando Nacional dos Bancários rebateu, deixando claro que a PLR não se relaciona com os programas próprios e que não abre mão da valorização.
Ainda que Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%.
O Comando Nacional dos Bancários ressaltou ainda que a minuta de reivindicações é unificada e foi construída de forma coletiva, refletindo as demandas da categoria em âmbito nacional.
Em relação às cláusulas econômicas, entre outros pontos, os bancários reivindicam 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.
Banqueiros podem atender às reivindicações
Em 2025, os cinco maiores bancos brasileiros tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Somente no 1º trimestre deste ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, no ano passado o setor bancário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, em 2025, que foram eletroeletrônica e mecânica, que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões.
Já a cobertura das despesas com pessoal com a receita de tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123% em 2025. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa com pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%.
"Os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações. Dos 7.858 reajustes salariais negociados até junho de 2026, 87,5% ficaram acima da inflação medida pelo INPC. Ou seja, com aumento real. Não há justificativa para que justamente um dos setores mais lucrativos do país se recuse a valorizar seus empregados", avalia Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
“Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego. A expectativa da categoria é grande por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos vales refeição e alimentação e no piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”, destaca a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Igualdade de Oportunidades
Retomando os debates da mesa sobre Igualdade de Oportunidades, realizada em 16 de julho, a Fenaban trouxe para a mesa de negociação a consultora Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She, iniciativa voltada à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina no mercado financeiro, que abordou propostas de desenvolvimento e recolocação profissional para mulheres no setor bancário. Entre elas, um curso de formação.
Após a apresentação, o Comando Nacional dos Bancários enfatizou que a participação das mulheres em todo o setor está em queda, que elas seguem subrepresentadas nos cargos de liderança e recebem, em média, menos do que os homens.
“A proposta de um curso de formação, sobretudo, quando acompanhada de construção de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban apresente, também, um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratações, igualdade de oportunidades, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, destaca a presidenta do Sindicato.
“As desigualdades entre homens e mulheres começam antes mesmo da contratação. As mulheres enfrentam mais barreiras para ingressar no setor, muitas vezes por conta da sobrecarga com o trabalho de cuidados. Depois de contratadas, convivem com maior rotatividade, maior incidência de assédio, violência e impactos mais intensos na saúde mental. Soma-se a isso o chamado 'teto de vidro', que dificulta o acesso aos cargos de liderança, a penalização da maternidade e a dupla jornada. Enfrentar essas desigualdades exige um plano de ação que contemple a inclusão, permanência e ascensão das mulheres no setor bancário", acrescenta Neiva Ribeiro.
Principais dados sobre a participação das mulheres no setor bancário
• Queda de participação: de 49,1% para menos de 47%, entre 2015 e 2025.
• Atualmente, em média, as mulheres bancárias ganham 18,4% a menos do que os homens.
• Se nada for feito e considerando o ritmo histórico e recente (entre 2016 e 2025) de evolução, levará 40 anos para as mulheres e homens ganharem igual no setor bancário.
• Em 2025, as mulheres ocupavam 47,7% dos cargos de liderança.
• Entretanto, a remuneração delas nesses postos é 26% inferior à dos homens em funções similares.
• Considerando o recorte racial, as pessoas negras (homens e mulheres) ocupavam 25,2% dos cargos de liderança.
• As mulheres negras (pretas e pardas) ocupavam 9,7% dos cargos de liderança.
Próxima negociação
A próxima mesa de negociação está agendada para o dia 13 de agosto.
“Cobramos que os banqueiros apresentem uma proposta global compatível com um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia. Estaremos mobilizados, em todo o país, bancários e bancárias de bancos públicos e privados, movidos pela valorização”, conclui a presidenta do Sindicato.
- Mesa 5: Diante dos lucros bilionários dos bancos, bancários cobram aumento real para salários e demais verbas
- Mesa 4: Fenaban ameaça mesa única e Comando Nacional reforça unidade na defesa da categoria
- Mesa 3: Comando Nacional cobra igualdade de oportunidades e medidas para combater discriminação, diferenças salariais e endividamento da categoria
- Mesa 2: Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
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