Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários (Foto: Seeb-SP)
A Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026 trouxe um alerta que não pode ser ignorado. Durante as negociações, a Fenaban voltou a colocar em xeque a mesa única de negociação, uma das maiores conquistas da categoria. Na quarta rodada, chegou a afirmar que as negociações poderiam ser encerradas naquele momento, em uma tentativa de separar os bancos públicos dos privados.
A reação do Comando Nacional dos Bancários foi imediata. A defesa da mesa única não é apenas uma questão de método de negociação, mas de preservação de um modelo que garantiu, ao longo de décadas, direitos, valorização e unidade para toda a categoria.
A negociação coletiva nacional dos bancários é reconhecida como uma das experiências mais bem-sucedidas do país. Foi graças à organização nacional dos trabalhadores que, em 1992, foi assinada a primeira Convenção Coletiva de Trabalho, assegurando salários e direitos iguais para os bancários dos bancos privados em todo o território nacional. Em 2003, essa conquista foi ampliada com a consolidação da mesa única, incorporando também os bancos públicos federais e fortalecendo ainda mais a capacidade de negociação da categoria.
Essa construção não foi simples. Foi resultado de anos de mobilização e resistência dos trabalhadores diante de um cenário extremamente adverso. Entre 1995 e 2003, os bancários sofreram perdas salariais expressivas: 8,6% nos bancos privados, 36,3% no Banco do Brasil e 40% na Caixa Econômica Federal. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a política econômica foi marcada pelo desemprego, pelas privatizações, pelo arrocho salarial e pela precarização das relações de trabalho, afetando toda a classe trabalhadora.
Foi justamente diante desse contexto que a unidade da categoria demonstrou sua força. Ao longo dos anos, a mesa única permitiu superar diferenças entre instituições, construir consensos e garantir avanços que beneficiaram trabalhadores de bancos públicos e privados. Essa unidade também foi decisiva para enfrentar os ataques aos direitos trabalhistas promovidos nos governos Temer e Bolsonaro. Foi ela que permitiu atravessar os desafios impostos pela pandemia, preservar empregos, manter direitos históricos e conquistar novos avanços em uma conjuntura extremamente difícil.
De 2004 a 2025, a mobilização e a organização dos trabalhadores garantiram aumentos salariais acima da inflação, assegurando, no período, ganho real de 23,44% nos salários. No piso, esse aumento foi ainda maior: 45,33%. Assim como nos vales-refeição (38,1%) e alimentação (39,7%). Os reajustes diferenciados nas cláusulas econômicas são resultados de negociações específicas que visam melhorar os direitos conquistados pela categoria.
Por isso, qualquer tentativa de fragmentar a negociação representa um retrocesso. Separar os trabalhadores significa enfraquecer sua capacidade de negociação e abrir espaço para a redução de direitos conquistados ao longo de décadas.
Defender a mesa única não significa ignorar as especificidades de cada instituição financeira. Pelo contrário. O modelo atual permite que exista uma Convenção Coletiva Nacional, garantindo direitos comuns para toda a categoria, ao mesmo tempo em que mesas específicas tratam das demandas próprias dos bancos públicos e privados.
É exatamente esse equilíbrio que faz da negociação dos bancários uma referência para o movimento sindical brasileiro. A Convenção Coletiva Nacional protege centenas de milhares de trabalhadores, oferece segurança jurídica às relações de trabalho e produz impactos positivos para milhões de famílias e para a própria economia do país.
A mesa única é fruto da organização coletiva, da mobilização e da capacidade de diálogo construída ao longo de décadas. Não é um privilégio, mas uma conquista histórica da categoria bancária.
Por isso, reafirmamos a defesa desse modelo de negociação. A unidade dos trabalhadores sempre foi a principal responsável pelas vitórias da categoria e continuará sendo o caminho para enfrentar os desafios do presente, manter direitos e construir novas conquistas.