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Chapéu
Nota de Pesar

Sindicato lamenta a morte de Amelinha Teles, escritora, feminista e militante dos direitos humanos

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(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região manifesta seu profundo pesar pelo falecimento, nesta terça (15), da jornalista ,escritora, feminista e militante pelos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, aos 81 anos.

O Sindicato se solidariza com familiares, amigos e companheiros de luta de Amelinha neste momento de profunda dor.

Amelinha Teles, presente!

Presa e torturada pelos militares

Referência na luta em defesa da democracia e do direito das mulheres, Amelinha iniciou sua militância política no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em dezembro de 1972, em um dos períodos mais duros da ditadura, Amelinha foi presa junto com o seu marido, César Augusto Teles, sua irmã Criméia e o militante Carlos Nicolau Danielli.

Nas mãos dos militares, Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli e sofreu torturas físicas, psicológicas e sexuais. Além disso, seus filhos, Edson e Janaína, à época com 4 e 5 anos, foram obrigados a vê-la machucada após as sessões de tortura.

Justiça e reparação

Décadas depois, Amelinha e sua família protagonizaram uma luta histórica por justiça e reparação, em ação contra o coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, o mesmo que foi homenageado pelo então deputado Jair Bolsonaro e chamado por ele de “terror de Dilma Rousseff” na votação que culminou no golpe parlamentar de 2016. Em 2008, a Justiça reconheceu Ustra como um torturador, sendo esta a primeira vez que um agente da ditadura foi classificado como tal.

Para além da sua luta pessoal por justiça e reparação, Amelinha atuou de forma decisiva por todas as vítimas da ditadura na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e assessorou a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.

Direitos das mulheres

Amelinha também foi um dos principais nomes do feminismo brasileiro. Em 1984, ajuda a fundar a União de Mulheres de São Paulo. Poucos anos depois, atuou no movimento conhecido como Lobby do Batom, que lutou para garantir os direitos das mulheres e a igualdade de gênero na Constituição de 1988.

Promotoras Legais Populares

19º Curso de Promotoras Legais Populares foi realizado com o apoio do Sindicato (Foto: Arquivo/Seeb-SP)

Em 1994, Amelinha cria o projeto Promotoras Legais Populares, que tinha o objetivo de formar mulheres, em especial da periferia, em temas como direitos, cidadania, enfrentamento à violência, feminismo, educação popular e participação política.

Em 2013, o Sindicato recebeu na sua sede e foi parceiro na realização do 19º Curso de Promotoras Legais Populares, que teve 30 encontros presenciais, divididos em quatro módulos formativos: Gênero, Feminismo e Sociedade; Economia e História Política Brasileira; Estado, Direito e Políticas Públicas; e Bandeiras Feministas e Lutas Democráticas.

Quem não enfrenta o passado está fadado a repeti-lo

Na última década, Amelinha usou sua voz e militância como um alerta para as novas gerações: se o país não enfrentar os fantasmas da ditadura, eles seguirão retornando para assombrá-lo.

E Amelinha apresentava este alerta a partir de fatos concretos: o retorno de discursos golpistas, da extrema-direita, a mentira como arma política, a violência política, o discurso de ódio e a ascensão de lideranças autoritárias.

“Um povo que não conhece a história está fadado ao fracasso eterno”, nos avisava e avisa Amelinha Teles.

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