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Chapéu
13,75% ao ano

BC corta Selic pela quinta vez seguida em meio a inflação controlada e redução do déficit primário

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Imagem detalhe da fachada do prédio do banco central do brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (16) o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando os juros básicos de 14% para 13,75% ao ano. A redução é a quinta consecutiva e ocorre diante da desaceleração da inflação.

“A queda é um passo importante, mas insuficiente em face do nível muito elevado dos juros no país. A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mesmo quando a redução chega ao consumidor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

O cenário econômico também reforça a necessidade de continuidade da redução. O IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22% em agosto, enquanto a atividade econômica vem perdendo força. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, registrou queda em junho e julho.

Juros altos custam caro ao país

O peso dos juros não aparece apenas no cartão de crédito, no cheque especial ou nos financiamentos das famílias. Ele também atinge empresas, que enfrentam maior custo para investir, produzir e contratar, e o próprio governo, que paga juros sobre uma parcela expressiva da dívida pública.

Segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, elaborado pelo Tesouro Nacional, divulgado nesta quarta-feira 16, para cada ponto percentual de redução da Selic, a economia potencial para a União pode ficar entre R$ 40 bilhões e R$ 55 bilhões por ano. Além disso, entre 49% e 53% da dívida pública prevista para 2026 está vinculada à Selic.

A própria evolução das contas públicas evidencia esse problema. Dados do Banco Central mostram que os juros nominais estão entre os principais fatores de pressão sobre o crescimento da dívida pública.

A redução da Selic ocorre em um ambiente no qual a política econômica do governo federal busca combinar redução da inflação, atividade econômica e equilíbrio das contas públicas. Dados do Ipea apontam redução do déficit primário do governo central de R$ 167,4 bilhões para R$ 126 bilhões em termos reais.

Para Neiva Ribeiro, a desaceleração dos preços e da economia cria condições para que o Banco Central avance no corte dos juros.

“O debate precisa ir além dos indicadores do mercado financeiro. Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o orçamento público. Com a Selic ainda em 13,75%, a pressão pela continuidade da redução permanece colocada, e a inflação controlada, aliada a uma política fiscal que persegue a redução do déficit primária reforçam a permanência no caminho da redução de juros”, afirma Neiva Ribeiro.

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