CCT 2026/2028 garante aumento real, mantém direitos e avança em novas conquistas (Foto: Seeb-SP)
Nesta quarta-feira, 9 de setembro, o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban assinaram a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, com vigência até 31 de agosto de 2028. Com isso, os trabalhadores receberão a primeira parcela da PLR, referente ao adiantamento do exercício de 2026, até o final de setembro .
A nova CCT garante a reposição total da inflação (INPC) de setembro de 2025 a agosto de 2026 (que será divulgada pelo IBGE na sexta-feira, 11), mais aumento real de 0,60%, em 2026 e também 2027, uma valorização real acumulada de 1,2% nos dois anos , para salários e todas as demais verbas, incluída a PLR (tanto na regra básica quanto na parcela adicional), os vales refeição e alimentação e o auxílio-creche/babá; preserva todos os direitos ; e avança em novas conquistas relacionadas com saúde, cláusulas sociais e proteção ao emprego (veja detalhes abaixo).
“Foram 13 duras rodadas de negociação, repletas de ataques à nossa unidade, aos nossos direitos, com ameaça de judicialização do acordo por parte dos banqueiros, que tentavam nos impor um arrocho salarial. Juntos, enfrentamos cada desafio e agora, com o acordo assinado, garantimos, para além do aumento real, a preservação integral da CCT e novas conquistas”, diz a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
“A CCT dos bancários é uma referência para toda a classe trabalhadora. Das suas mais de 100 cláusulas, 85% garantem direitos acima do que determina a lei trabalhista. Porém, a CCT não é algo que está garantido sem que lutemos para defendê-la, atualizá-la e melhorá-la”, acrescenta.
Confira abaixo os pontos de destaque da CCT 2026/2028
Cláusulas econômicas: 2026 e 2027: INPC + 0,6% de aumento real.
Esse aumento será aplicado nos dois anos de vigência da CCT nos salários e em todas as remunerações, como PLR, vales alimentação e refeição, pisos, auxílios, etc.
Manutenção de todos os direitos: Todos os direitos previstos na CCT, dos quais 85% estabelecem garantias acima do assegurado pela legislação trabalhista, estão mantidos durante a vigência do acordo (1 de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2028).
Saúde e cláusulas sociais
Saúde mental: participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
Combate ao assédio: o banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral, sexual e racismo para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
Monitoramento digital: transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito a feedback, com o objetivo de estabelecer gestão ética e humanizada da tecnologia, para proteção aos bancários.
Direito à desconexão: para que bancários e bancárias tenham seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja para clientes, seja para gestores.
Programa de indenização, qualificação e recolocação: Em caso de demissão de bancários em virtude do fechamento de uma agência, ficaram acordadas duas medidas:
- Um programa de requalificação e recolocação profissional, com a contratação de uma consultoria internacional (Gi Group), que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de realocação individual. Os trabalhadores terão ainda acesso a uma plataforma de cursos e serão cadastrados em um banco de talentos, de forma a conectá-los com empresas que necessitem de suas competências.
- Indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:
Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu que o dia de paralisação será abonado para os trabalhadores das bases que aprovaram o acordo.
De acordo com a presidenta do Sindicato, a categoria precisa continuar fortalecendo a mesma unidade nacional que garantiu a proteção da CCT, avanços em novas cláusulas sociais e aumento real em todas as cláusulas econômicas para os próximos dois anos. “A luta da categoria não termina na assinatura da CCT. Também precisamos avançar na defesa de uma regulação do sistema financeiro que proteja os trabalhadores e trabalhadoras da terceirização predatória e dos efeitos nocivos da reforma trabalhista, que ampliou formas precárias de contratação, como a terceirização e a pejotização, entre outras práticas que afetam diretamente os trabalhadores”, avalia.
Ataques dos banqueiros
Durante todo o processo negocial entre Fenaban e Comando Nacional dos Bancários, os banqueiros fizeram diversos ataques e ameaças aos direitos e à própria organização da categoria bancária.
Já nas primeiras rodadas de negociação, os banqueiros sugeriram o fim da mesa única, uma tentativa de separar trabalhadores de bancos privados e públicos, dividindo a força da categoria. Propuseram também dividir a categoria por meio de reajustes diferenciados por faixa salarial. A todo o momento, a Fenaban ameaçava ainda judicializar a renovação dos acordos, prática que trouxe diversos prejuízos, por exemplo, para os trabalhadores dos Correios.
Estes ataques – além das diversas propostas com arrocho salarial, que também congelavam a PLR, rebaixavam o VA e VR, e retiravam direitos – foram rechaçados e derrotados nas mesas de negociação pelo Comando Nacional dos Bancários.
A Fenaban apontava ainda, a todo o momento, que cada 1% de reajuste significa um acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais dos bancos; que o setor bancário vive hoje um contexto de ampliação da concorrência e assimetria setorial, com desvantagens em relação às cooperativas de crédito, instituições de pagamento, fintechs e outros atores não bancários inseridos no sistema financeiro; e colocava cada reivindicação da categoria como potencial risco à manutenção dos empregos.
“Dentro do cenário desafiador que enfrentamos hoje, de reestruturação do sistema financeiro, avanços tecnológicos e as tentativas dos bancos de impor perda salarial, conseguimos garantir um aumento acima da inflação por dois anos, não só nos salários, como em todas as verbas remuneratórias. Serão em torno de R$ 6,9 bilhões, a cada ano, acrescidos no bolso dos bancários . Além do aumento real e de preservar 100% da nossa CCT, avançamos no combate às metas abusivas, na gestão ética da tecnologia e nas discussões sobre a NR-1, que aborda os riscos psicossociais e na construção de um plano de ação para evitar o adoecimento mental no trabalho”, afirma a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Fim da ultratividade
O processo negocial deste ano, ao contrário das campanhas realizadas entre 2003 e 2016, teve como um dos principais desafios o fim da ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação), aprovado na Reforma Trabalhista, durante o governo de Michel Temer, com amplo apoio de parlamentares da direita.
Ou seja, com o fim da ultratividade, todos os direitos dos bancários não assegurados em lei não estão automaticamente garantidos a partir do fim da vigência do acordo (1 de setembro).
Ao recusarem um pré-acordo de garantia da ultratividade, os banqueiros adotaram a estratégia de levar a apresentação de uma proposta passível de ser deliberada em assembleia para uma data cada vez mais próxima da data-base da categoria.
“Por um lado, os banqueiros se valeram do fim da ultratividade para endurecer as negociações, atacar a mesa única e a nossa unidade, além de propor retirada de direitos, arrocho salarial, ameaçar levar para a Justiça a renovação dos acordos e postergar a apresentação de uma proposta com valorização real. Por outro lado, o Comando Nacional dos Bancários enfrentou estes ataques e não se curvou às ameaças, esgotando o processo negocial com firmeza, responsabilidade e transparência”, destaca Neiva Ribeiro.
Valorização real dos bancários e conjuntura política
Já considerando o aumento real de 0,6% para 2026 e para 2027, a categoria bancária passa a acumular um aumento real de 25% entre 2004 (início efetivo da mesa única de negociação) e 2027.
Essa valorização real não ocorreu de forma uniforme ao longo dos anos. Nos períodos em que presidentes de direita estiveram no poder, os bancários receberam valorização menor ou sofreram perdas salariais. Já nos governos progressistas e defensores dos direitos trabalhistas, a categoria registrou valorização significativamente maior, recompondo perdas anteriores.
A análise da trajetória de reajustes aponta, portanto, que tanto a proteção da mesa única de negociações quanto a conjuntura política favorável são fatores fundamentais para que a categoria conquiste aumento real. Veja abaixo:
• Durante os dois primeiros mandatos do presidente Lula (2003–2010), os bancários acumularam 7,55% de ganho real; e no governo de Dilma Rousseff (2011–2015), a valorização real foi de 7,7%.
• Já no período em que Michel Temer ocupou a Presidência, houve ganho acumulado de 0,82% (2016 -2018), sendo que em 2016 houve perda real de 1,48%. No governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), os bancários tiveram perda salarial real de 0,68%.
• Após a eleição de Lula para o seu terceiro mandato (2023–2026), os bancários já acumulam 2,62% de aumento real. Esse percentual sobe agora para 2,73%, considerando o reajuste válido para o segundo ano da CCT agora vigente.
Banco do Brasil e Caixa
Os bancários do BB da base do Sindicato, que aprovaram a proposta do banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico, em assembleia encerrada em 4 de setembro, aguardam a resolução das novas assembleias que acontecerão em outras bases para a assinatura do acordo.
“Avançamos até o final na mesa de negociação com o Banco do Brasil e conquistamos importantes resultados. Mas a luta não acaba aqui. Precisamos preservar a unidade e manter a mobilização, porque nenhuma conquista é permanente sem organização e luta. Os trabalhadores do Banco do Brasil sabem que só avançamos quando estamos unidos e mobilizados para defender nossos direitos e conquistar novas vitórias”, destaca a presidenta do Sindicato.
Por sua vez, os bancários da Caixa da base do Sindicato, que rejeitaram a proposta do banco para renovação do ACT específico e aprovaram a greve, também em assembleia encerrada em 4 de setembro, paralisam suas atividades a partir desta quinta-feira, 10 de agosto, por tempo indeterminado. Os debates com o banco público foram retomados nesta quarta-feira (9). Porém, a negociação terminou sem avanços e retorna nesta quinta (10), as 8h da manhã.
“A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa. A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita. A Caixa precisa rever sua posição e apresentar uma proposta que realmente responda às demandas dos trabalhadores. Do jeito que está, a proposta não atende às expectativas e não será capaz de tirar os empregados da greve”, conclui Neiva Ribeiro.