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Chapéu
Mesa com o banco

Sindicato cobra do Santander esclarecimentos sobre o “Conduta Certa”

Imagem Destaque
Imagem de um bancário estressado em sua mesa de trabalho

Sindicato destacou aos representantes do Santander que bancários estão sobrecarregados pelas metas e que percebem o programa como algo implantado para puní-los

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, por meio da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, reuniu-se virtualmente, na quarta-feira (20), com representantes do banco para a apresentação do programa “Conduta Certa”.

A avaliação do movimento sindical é de que o banco trouxe uma apresentação superficial, sem detalhar adequadamente o funcionamento do programa e seus impactos práticos sobre os trabalhadores.

Apesar da tentativa do Santander de apresentar o programa como ferramenta de “qualidade” e “segurança”, a reação dos representantes dos trabalhadores foi de forte preocupação com o aprofundamento da cultura de cobrança, vigilância e punição dentro do Santander.

A diretora do Sindicato e coordenadora da COE Santander, Ana Marta de Lima, afirmou que os bancários enxergam o programa como mais um mecanismo de pressão e estão descontentes com a mudança.

“Mais uma vez o banco implementa uma mudança que afeta diretamente os trabalhadores sem nenhuma negociação com o movimento sindical. A sensação dos bancários é que este programa foi atualizado para impactar na remuneração variável que esses trabalhadores teriam que receber. Existe muita preocupação sobre como essas avaliações serão utilizadas no dia a dia e quais consequências poderão trazer para os funcionários”, afirmou Ana Marta.

A dirigente sindical também criticou o fato de o programa desconsiderar a realidade das agências e departamentos, onde os trabalhadores convivem diariamente com sobrecarga, redução de quadros e pressão intensa por resultados.

O diretor do Sindicato e um dos representantes de São Paulo na COE André Bezerra questionou os representantes do banco na mesa: “Os criadores e idealizadores do programa conhecem a realidade de uma agência, já trabalharam  na rede? Porque as informações que recebemos dos bancários e bancárias é que o ‘Conduta Certa’ veio para punir os trabalhadores.”

Relato de uma bancária

O relato ouvido de vários trabalhadores sobre o programa é deferente do apresentado pelo Santander. E aqui vamos reproduzir o de uma bancária:  “Eu trabalho em uma agência, sou Gerente PF alta renda.Se atinjo a meta de seguro, ganho 12 pontos, só que quando o cliente cancela, nosso redutor é muito grande. O banco não tem metas factíveis, o programa não é claro, percebemos que fomos apontados e seremos punidos, isso sem saber o que vamos ganhar de variável. Triste isso.”

Aumento das punições

A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e funcionária do Santander, Rita Berlofa, criticou o fato de o banco não ouvir os trabalhadores que estão na ponta. “Os trabalhadores das agências não estão sendo ouvidos e a satisfação deles não está sendo levada em consideração”, afirmou.

Rita também alertou para o aumento das punições e do clima de insegurança entre os funcionários. “O número de punições está muito alto e os trabalhadores estão reclamando muito disso. É uma pressão muito grande. O banco precisa ouvir o movimento sindical e os funcionários para buscar melhorias, e não apenas ampliar os mecanismos de controle”, disse.

A COE Santander vai continuar acompanhando a implementação do “Conduta Certa” e cobrando transparência, respeito às condições de trabalho e garantias de que o programa não seja utilizado como instrumento de perseguição ou aumento da pressão sobre os bancários.

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