Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reconhece a contribuição das mulheres negras para a história, a cultura e a luta por direitos em toda a América Latina e no Caribe. A data foi criada em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, reunindo lideranças de diversos países para denunciar o racismo, o sexismo, a violência e as desigualdades enfrentadas por essa parcela da população e fortalecer uma agenda comum de mobilização.
Posteriormente, a data passou a integrar o calendário internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, o dia 25 de julho também é marcado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê, no atual estado de Mato Grosso, tornando-se um símbolo da resistência negra contra a escravidão e a opressão colonial.
No setor bancário, embora tenham sido registrados avanços nos últimos anos, os indicadores mostram que as desigualdades de raça e gênero ainda estão presentes. Dados do DIEESE apontam que as pessoas negras representam 28,6% da categoria bancária em todo o país, percentual superior aos 18,9% registrados em 2012. Entre as mulheres bancárias, 26,9% são negras.
As diferenças ficam ainda mais evidentes quando se observa a ocupação dos cargos de liderança. Em 2025, as mulheres respondiam por 47,7% dessas funções, mas as mulheres negras ocupavam apenas 11,5% do total, demonstrando que as barreiras para ascensão profissional permanecem significativas.
A desigualdade também aparece na remuneração. Enquanto a remuneração média de um homem branco na categoria é de R$ 15.179, a de uma mulher negra é de R$ 9.987, uma diferença de 34,2%. Considerando todas as bancárias, os salários médios seguem 18,4% abaixo dos recebidos pelos homens.
Sindicato cobra igualdade de oportunidades
Para a diretora executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ana Marta Lima, o recorte racial evidencia que as mulheres negras seguem sendo as mais prejudicadas nos momentos de reestruturação promovidos pelos bancos.
"As mulheres negras são as primeiras a sentir os impactos quando os bancos promovem demissões e reestruturações. Muitas acabam empurradas para o trabalho informal ou para ocupações mais precárias. Por isso, é fundamental que as instituições financeiras invistam de forma efetiva na formação e na capacitação dessas trabalhadoras, especialmente nas áreas de tecnologia da informação, que seguem em expansão e oferecem oportunidades de crescimento profissional. Promover inclusão também significa criar condições reais para que essas mulheres tenham acesso aos empregos do futuro", defende Ana Marta.
A defesa da ampliação da participação feminina na tecnologia ganha ainda mais relevância diante da transformação digital vivida pelo setor financeiro. Apesar do crescimento das vagas em TI nos bancos, a participação das mulheres nessas ocupações caiu de 31,9% em 2012 para 24,5% em 2025, reforçando a necessidade de políticas permanentes de incentivo, qualificação e inclusão. A Convenção Coletiva da categoria já prevê cláusulas de apoio à inserção de mulheres na tecnologia, mas o desafio continua sendo transformar esse compromisso em ações concretas.
Nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, o Sindicato tem reafirmado seu compromisso com o combate ao racismo, ao sexismo e a todas as formas de discriminação. Durante a mesa negocial dedicada à igualdade de oportunidades, a entidade cobrou valorização profissional e condições para que as mulheres negras possam ocupar todos os espaços, inclusive os de liderança e de inovação tecnológica.