Com a divulgação da inflação (INPC) de agosto, já é possível calcular o reajuste total da categoria bancária para 2026. Como o INPC de agosto teve variação negativa de 0,32% - impactado principalmente pela redução média nos preços dos itens alimentação, bebidas e habitação – o acumulado em doze meses (1º de setembro de 2025 e 31 de agosto de 2026) ficou em 3,98%. Desta forma, tendo em vista a conquista da reposição integral da inflação (INPC) mais aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, na Campanha Nacional Unificada dos Bancários, o reajuste total da categoria neste ano, para salários e demais verbas, aplicado a partir de setembro, será de 4,60%.
No total, o reajuste conquistado pelos bancários, para salários e demais verbas, injetará R$ 97 bilhões na economia até agosto de 2027, R$ 13,5 bilhões a mais em relação ao ano anterior.
O auxílio alimentação dos bancários, por exemplo, passa a ser de R$ 967 mensais. Considerando também a décima terceira cesta alimentação, o total pago em auxílio alimentação chega a R$ 12.571 por ano. Já o auxílio refeição passa a ser de R$ 1.227,23 mensais, totalizando R$ 14.726,76 por ano. Somados, o VR e o VA dos bancários passam a alcançar R$ 27,3 mil por ano, o equivalente a quase 17 salários mínimos.
“Após negociações muito duras, nas quais os banqueiros tentaram acabar com a nossa mesa única, dividir a categoria por faixa salarial, rebaixar o vale alimentação e impor um arrocho salarial para a categoria, a conquista do aumento real, em 2026 e 2027, além da manutenção de todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e avanços em cláusulas sociais, de saúde e proteção ao emprego, é fruto da nossa organização, mobilização e capacidade de negociação. Desde 2004, início da mesa única, já acumulamos um aumento real, acima da inflação, de 25%. Agradeço a cada bancário e bancária que fez e faz parte desta trajetória”, diz a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Confira abaixo o reajuste aplicado em cada verba
Valorização real dos bancários, mesa única e conjuntura política
Já considerando o aumento real de 0,6% para 2026 e para 2027, a categoria bancária passa a acumular um aumento real de 25% entre 2004 (início efetivo da mesa única de negociação) e 2027.
Essa valorização real não ocorreu de forma uniforme ao longo dos anos. Nos períodos em que presidentes de direita estiveram no poder, os bancários receberam valorização menor ou sofreram perdas salariais. Já nos governos progressistas e defensores dos direitos trabalhistas, a categoria registrou valorização significativamente maior, recompondo perdas anteriores.
A análise da trajetória de reajustes aponta, portanto, que tanto a proteção da mesa única de negociações quanto a conjuntura política favorável são fatores fundamentais para que a categoria conquiste aumento real. Veja abaixo:
- Durante os dois primeiros mandatos do presidente Lula (2003–2010), os bancários acumularam 7,55% de ganho real; e no governo de Dilma Rousseff (2011–2015), a valorização real foi de 7,7%.
- Já no período em que Michel Temer ocupou a Presidência, houve ganho acumulado de 0,82% (2016–2018), sendo que em 2016 houve perda real de 1,48%. No governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), os bancários tiveram perda salarial real de 0,68%.
- Após a eleição de Lula para o seu terceiro mandato (2023–2026), os bancários já acumulam 2,62% de aumento real. Esse percentual sobe agora para 2,73%, considerando o reajuste válido para o segundo ano da CCT agora vigente.
Cláusulas sociais
De todos os direitos conquistados definidos na CCT da categoria bancária, 85% são acima dos previstos na legislação brasileira para toda a classe trabalhadora. E muitos deles sequer estão previstos em lei.
“A categoria bancária é pioneira na conquista de direitos. Foi a primeira a ter o direito à PLR clausulada em sua Convenção Coletiva. E, até hoje, ainda lutamos para conquistar para as demais categorias muitos direitos que os bancários já possuem”, diz a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
“Neste ano, por exemplo, além do aumento real e de preservar 100% da nossa CCT, avançamos no debate sobre o monitoramento digital, na gestão ética da tecnologia, no direito à desconexão e nas discussões sobre a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1, do Ministério do Trabalho e Emprego), que aborda os riscos psicossociais e a construção de um plano de ação para evitar o adoecimento mental no trabalho”, completou.
A CCT dos bancários possui mais de 140 cláusulas que, além de questões econômicas, tratam também de diversas questões sociais, como adiantamento de salários em casos de afastamentos para tratamento de saúde, enquanto o INSS não paga o benefício; de igualdade de oportunidades para mulheres, negros, PCDs e LGBTs; e até de garantias econômicas e assistenciais para bancários que residem ou trabalham em áreas afetadas por tragédias naturais.