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UNI Global

Conferência mundial debate combate à violência de gênero 

Representantes do Sindicato relatam avanços sobre o tema no Brasil durante os governos Lula e Dilma e denunciam os retrocessos observados nos últimos dois anos com o golpe que alçou Michel Temer ao poder

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 18/06/2018 18:16 / Atualizado em 27/08/2019 14:16

A secretária da Mulher da Contraf-CUT e bancária do Bradesco Elaine Cutis lembrou os avanços no combate à violência contra as mulheres obtidos nos últimos anos no Brasil durante os governos Lula e Dilma

Foto: Divulgação

Além de ganharem menos do que os homens e dificilmente ocuparem cargos de diretoria nos locais de trabalho, o assédio sexual e a violência física também são práticas comuns contra as mulheres. Para combater esse cenário que se perpetua ainda nos dias atuais, 451 dirigentes sindicais mulheres de 166 países reuniram-se, nos dias 15 e 16 de junho, na 5ª Conferência Mundial de Mulheres da UNI Global.

> Como combater a desigualdade de gênero no mercado de trabalho

O combate à violência de gênero marcou o segundo dia da conferência organizada pela UNI Global, sindicato mundial que representa mais de 20 milhões de trabalhadores de 900 entidades do setor de serviços em diversos países do mundo, entre eles o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Também foram temas de debates os impactos das novas tecnologias, a redução dos postos de trabalho e as novas formas de organização sindical para proteger os trabalhadores do avanço tecnológico e garantir que os ganhos de produtividade com a modernização beneficiem também os trabalhadores. 

Durante a conferência, realizada em Liverpool, Reino Unido, a secretária da Mulher da Contraf-CUT e bancária do Bradesco Elaine Cutis lembrou os avanços no combate à violência contra as mulheres obtidos nos últimos anos no Brasil durante os governos Lula e Dilma, como a lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio como crime hediondo.

Feminicídio e Maria da Penha

Os resultados das leis contra o feminicídio nos diversos países que contam com essa legislação foram apresentados. Feminicídio significa a perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino, classificado como um crime hediondo no Brasil, desde 2013, graças a uma lei sancionada por Dilma Rousseff.

Desde 2006, quando a Lei Maria da Penha foi sancionada pelo então presidente Lula, o número de mulheres mortas dentro de casa se manteve estável. São 5,43 óbitos para cada 100 mil mulheres. O Ipea avalia que esse número seria hoje cerca de 10% maior sem a aplicação da lei, que garantiu mais assistência social para as mulheres, preservou os direitos patrimoniais delas, aperfeiçoou o atendimento da Justiça e criou regras mais duras para punir o agressor.

Desmonte

Entretanto, os avanços dos últimos governos estão sendo desmontados sob o governo de Michel Temer. Um exemplo disso é a recusa da atual gestão federal em dar informações sobre o combate a violência no trabalho para a Organização Internacional do Trabalho, que elaborou convenção para o combate à prática.

“Nós denunciamos que essa é a tônica do atual governo, que tem caráter machista, misógino e homofóbico, e é resultado de um golpe, que retirou do poder de forma ilegítima uma presidenta mulher eleita democraticamente”, relatou Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato e vice-presidenta da UNI Americas Mulheres. 

“Nós lamentamos que governos premiados pela política de combate a violência contra a mulher, com a aprovação da Lei Maria da Penha e do feminicído, e todo o apoio que o presidente Lula deu para a política de enfrentamento à violência de gênero terminasse dessa forma, com a sua sucessora, e que representava a continuidade dessas políticas, sofrendo violência simbólica na forma de misoginia e machismo por uma parte da população do país que não aceitou a sua vitória”, afirma Neiva. 

Direito de escolha

Na conferência, as dirigentes argentinas deram informes sobre a recém aprovada lei do aborto no país, resultado bastante comemorado, pois as mulheres querem ter o direito de escolha sobre seus corpos. 

Ao final do encontro, foi eleita a nova presidenta mundial da UNI Mulheres, a sul-africana Patricia Nyman. É a primeira vez que uma representante do continente africano preside o comitê mundial de mulheres. Ela foi escolhida pelo apoio visando empoderamento das mulheres africanas, e no trabalho conjunto para o avanço na igualdade de gênero e no combate a violência contra as mulheres.

A nova presidenta mundial da UNI Mulheres, a sul-africana Patricia Nyman (esquerda)
 

 


Nyman substituiu Denise McGuire, que comandou a Uni Mulheres durante uma década e é considerada uma grande companheira, que ajudou na construção das redes internacionais de defesa e união entre as mulheres de todos os continentes, que é proposta central da Uni Global Union.



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