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Preconceito na pandemia

Idosos cobram respeito e menos violência da sociedade

Junho Violeta tem como objetivo chamar a atenção para o Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado no dia 15

  • Elenice Santos, Redação Spbancarios
  • Publicado em 16/06/2020 11:54 / Atualizado em 16/06/2020 15:52

Montagem: Linton Publio

Pessoas vulneráveis como crianças, mulheres e idosos têm sido alvos de violência doméstica, principalmente neste período de isolamento social por conta da pandemia de coronavírus.

Segundo os registros do Disque 100, desde o início de março até o dia 11 de junho, foram registrados mais de 16 mil ocorrências em todo o país, dentre elas 11.830 registros de ataques contra pessoas socialmente vulneráveis, isto é, idosos, crianças, pessoas com deficiência e mulheres.

Os dados mostram também que por estado São Paulo é o campeão, com 4.383 casos. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 2.050, e Minas Gerais, com 1.302 registros.

Alerta contra a violência aos idosos

O professor Rodrigo Caetano Arantes, pesquisador em Envelhecimento e Idosos, lembra que esses dados servem de alerta e não devem ser discutidos somente neste mês chamado de Junho Violeta pela Conscientização Mundial da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado no dia 15. 

"É preciso ter mais divulgação da violência sofrida pelos idosos, mas que não se limite somente a esta data. As pessoas idosas hoje em dia já representam 16% da população brasileira (33 milhões), segundo o IBGE 2019, e se faz necessário maior foco nas violações de direitos e violências sofridas nessa faixa etária. É necessário divulgar a valorização e uma cultura de respeito às pessoas idosas, e o quanto elas podem contribuir na sociedade, pelas experiências de vida e pela aprendizagem inerente também nas idades mais avançadas, pois nunca é tarde para adquirir novas aprendizagens", destaca.

Rodrigo Arantes ainda comenta que até o final da campanha federal, que visa incentivar as denúncias de violências sofridas no período de isolamento, os números devam ser ainda mais alarmantes.

"Na grande maioria das vezes, quem pratica a violência contra as pessoas idosas está no seio familiar (seja filhos, na maioria; netos ou sobrinhos) e isso faz com que os idosos tendem a acobertar situações de violências sofridas, no sentido de proteger quem as fez. E quando há uma campanha que incentiva a denúncia, o assunto se torna massivamente debatido dentro dos lares, o que acaba sendo muito importante para criar esse encorajamento. O ideal seria que não tivesse violência, mas se tem, é preciso conscientizar e não se tornar conivente com violações de direitos praticadas contra pessoas idosas” e completa. "Diariamente, os idosos na sociedade já são discriminados e sofrem preconceitos por serem considerados velhos inúteis e descartáveis. Com a pandemia, o preconceito cresce ainda mais”, finaliza. 

Preconceito com os bancários aposentados

O diretor de Relação Institucional e Educacional da Abaesp (Associação dos Bancários Aposentados do Estado de São Paulo), Cícero Augusto, também relata casos de preconceito sofridos pelos bancários aposentados.

“Recebemos uma notícia de que um morador da Morada São João foi retirado com suspeita de novo coronavírus. Os moradores ficaram receiosos, porque além de não terem informações concretas sobre o morador e nem se faz testagem para confirmar a doença, de que pudesse haver mais contagios no prédio. Isso é um absurdo. Além de ser sofrer preconceito por ser idoso, ainda sofre por ter contraído a Covid-19”, critica.

Ele ainda diz que devido à superficialidade dos noticiários sobre a doença, chegam diversas denúncias de bancários aposentados que estão confinados e que chegam a sofrer diversos tipos de agressões,  como a psíquica, a física e a de abandono, e critica a campanha superficial de denuncias por parte do governo federal.

 

 

“As estruturas não funcionam, estão aí apenas para notificar números duvidosos e não tem ação mais efetiva para erradicar esse problema. O que se pode esperar de um governo que destruiu um conselho e bloqueou articulações entre os idosos e a federação? Sem esse Conselho não há ação alguma e fica uma politica vazia. Por um lado, ele faz uma campanha de conscientização para que se faça denúncias de violência contra idosos, mas ao mesmo tempo temos um presidente que não faz nada pelos idosos, acha normal o número de mortes pela idade e ainda mantém na sua base uma pessoa que acha ‘ótimo isso acontecer porque com as mortes, não sobrecarregarão o INSS’. É válido ter uma campanha, sim, mas que de que fato parta de quem realmente se preocupa com essa população, que crie campanhas de valorização e que mude o discurso de que ao atingir certa idade, a pessoa não serve e é descartada por todos”, comenta Cícero.

Carta ao Papa Francisco

Perante o descaso por parte do governo federal e da falta de políticas públicas diante da maior crise sanitária, econômica e social, Cícero Augusto comenta que, por meio da Frente Nacional de Fortalecimento à Instituição de Longa Permanência para Idosos, composta pela Sociedade Brasileira de Gerentologia e Geriatria, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, entre outros, foi decidido enviar uma carta ao Papa Francisco no mês de maio.

A Abaesp concorda com essa iniciativa e ampliou a divulgação em defesa da pessoa idosa para que esse descaso pudesse alcançar novos interlocutores importantes fora do Brasil, além do Papa Francisco.

No documento, eles expõem a situação crítica do Brasil e questionam o direito ceifado de se envelhecer dignamente no país. A carta cita ainda os reflexos da crise causada pelo coronavírus no mundo, ao expor a face mais cruel da pandemia: abandono das pessoas idosas, falta de acesso a recursos na saúde e mortalidade elevada daqueles que vivem em abrigos e instituições.

E ainda pedem a intervenção do Papa junto aos órgãos de Direitos Humanos da ONU, para que no Brasil, a velhice não continue desamparada, nem fique invisível nas ruas, nas instituições que oferecem condições precárias de assistência, nas famílias que não têm recursos para cuidar delas, perante a falta de uma política nacional e integrada de cuidados para pessoas idosas.

Veja abaixo documento na íntegra.



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