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Campanha Nacional dos Bancários

Bancários do BB discutem futuro da Previ e da Cassi, no segundo dia do 36º CNFBB

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Foto de Alencar Ferreira, diretor Administrativo da Previ, Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, e Luciana Bagno, diretora de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi

Alencar Ferreira, diretor Administrativo da Previ, Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, e Luciana Bagno, diretora de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (foto: Seeb-SP)

No segundo dia do 36º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), nesta quinta-feira (18), os delegados e delegadas de todo o país discutiram os futuros da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) e da Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil).

A Previ, maior fundo de previdência fechado do país, foi o tema da primeira mesa do dia. O diretor de Seguridade da Previ, Wagner Nascimento, traçou um rápido painel sobre o fundo. Ele explicou que a Previ é focada no equilíbrio e que alcançou a marca de R$ 300 bilhões de ativos totais, pela primeira vez na história. “Esse montante deve reduzir ao longo dos próximos anos e depois de um tempo volta a subir novamente. Isso é natural”, alertou.

Atualmente, a Previ tem mais de 198 mil associados, distribuídos entre o Plano 1 (o mais antigo e, portanto, com  o maior número de aposentados: 78,8 mil, e menor número de trabalhadores da ativa: 2.521) e o Previ Futuro (por enquanto com 3.906 aposentados e 74.426 funcionários da ativa).

Wagner também destacou que em 2025 se atingiu o maior número de centenários na Previ: são 175, quando em 2012 eram apenas 30. A previsão é que em 2050 sejam 2 mil associados com mais de 100 anos.

Quando à rentabilidade, a Previ também está bem: de janeiro a abril deste ano, a rentabilidade do Plano 1 foi de 6,4%, enquanto a do Previ Futuro foi de 5,62%.

Depois desse quadro resumido, o diretor de Seguridade alertou para a importância de os associados usarem as ferramentas de consulta e de transparência à disposição no site do fundo. “Temos o Painel de Desempenho, com gráficos interativos. Temos a Carta de Gestor, publicação mensal com análises de mercado e perspectivas para os perfis de investimento e um app importante como o Meu Benefício, através do qual o associado faz simulações para planejar melhor sua aposentadoria. Além disso, pelo Previx, o associado conta com diversos serviços pelo whatsapp, como consultar seu saldo, por exemplo. É fundamental, pessoal, que todos os associados consultem seus investimentos.”

Incorporados

Wagner Nascimento também destacou que a incorporação dos planos de funcionários de bancos incorporados é uma reivindicação importante que deve ser cobrada e negociada nas mesas com o Banco do Brasil. “Quando falamos de incorporação dos planos, tem muitos detalhes, por exemplo, o Previbep já está avançado nesse processo. Quanto ao Economus e outras fusões serão outro processo, mas não tem proposta que não passará pela mesa de negociação. É o movimento sindical e a Comissão de Empresa que têm que lembrar o banco sobre essa reivindicação histórica.”

Eleitos

Os diretores eleitos Alencar Ferreira, diretor Administrativo da Previ, e Lissane Holanda, diretora de Planejamento da Previ, antecederam Nascimento para agradecer ao engajamento do movimento sindical na eleição que deu a vitória para a Chapa 2 – Previ para os Associados, em abril deste ano.

Lissane falou sobre o projeto de Previ defendido pela chapa: “Queremos melhorar a cultura previdenciária, valorizar o conceito de mutualismo e do cuidado uns com os outros. Vamos conseguir seguir em frente e evoluir, estamos muito animados e bastante engajados em fazer a diferença.”

O diretor administrativo Alencar Ferreira, que encabeçou a chapa, destacou a necessidade de mudança na política do banco: “A estrutura de lideranças do BB está adoecendo os nossos colegas. Freud fala que há pulsão de vida e pulsão de morte; do fazer o bem e fazer o mal; a pulsão da parceria, do amor, da humanidade mas também o contrário disso. E essa estrutura do BB alimenta a pulsão de morte, doença, depressão. E está dentro da gente fazer essa mudança. Queremos que o movimento sindical possa mostrar para a direção do banco que é possível fazer uma política da vida e não da morte.”

Cassi

Os palestrantes da mesa 2, Alberto Alves Junior, diretor de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes da Cassi, e Luciana Bagno, diretora de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, apresentaram uma análise econômico-financeira da Cassi.

Luciana Bagno falou sobre a Cassi que se pensa para um futuro próximo, e citou que uma dos principais desafios será fortalecer a atenção primária à saúde. “Os nossos desafios como diretores eleitos foram construídos com base nas demandas de todo os participantes. E elas vão na direção de fortalecer nossa atenção primária à saúde, algo que vai muito além da estrutura física das Clinicassis. Significa fazer as pessoas se apropriarem disso e entenderem a importância de entrar nesse sistema.”

“Óbvio que a expansão das Clinicassis está na pauta, células de atenção primária para o interior e o Telesaúde, que já funciona em parte no interior, mas que é preciso trazê-lo também para as capitais. Mas é preciso fazer com que a nossa base passe a utilizar de fato os serviços de atenção primária, que infelizmente não é o que acontece hoje. O bancário vai procurar a Cassi quando ele já está adoecido, e as Clinicassis não podem funcionar como PS, mas de fato como atenção primária, como prevenção”, acrescentou.

Plano de Gestão

Alberto Junior, diretor de Planos e de Relacionamento com Clientes, apresentou alguns pontos do Plano de Gestão 2024-2028. “Queremos caminhar para um novo modelo de governança, totalmente voltado para o associado. Esse modelo de governança não existe nas demais operadoras, é único e é baseado em valor na saúde.”

Ele explicou que todas as operadoras focam em executar o trabalho, mas não em avaliá-lo. “Como avançar em melhorias sem saber se médicos ou laboratórios estão fazendo seu trabalho sem desperdício? Por meio de duas estratégias: avaliação de prestadores e avaliação de serviços hospitalares por desfecho. A partir dessas avaliações a Cassi acaba tendo poder de barganha maior com os prestadores e decidindo quais prestadores serão mantidos e quais não serão.”

NR-1: riscos psicossociais

Outra palestrante, a advogada Renata Cabral, assessora jurídica da Contraf-CUT junto à CEBB, falou sobre adoecimento no trabalho e o gerenciamento de riscos

“A OMS [Organização Mundial da Saúde] aponta que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão, e a maioria são mulheres. Em 2025, segundo dados do INSS, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais, sendo que 63,46% concedidos a mulheres, portanto há um recorte de gênero”, informou.

Diante desses dados alarmantes, a advogada situou as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1, que trata dos riscos psicossociais no trabalho, entre eles: metas excessivas, jornadas longas, falta de apoio, assedio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia, exigências contraditórias, falta de clareza nas funções, etc.

“Não por acaso houve uma mudança na NR-1, que passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, conforme portaria 1419/2024 do MTE [Ministério do Trabalho e Emprego]. Isso significa que todas as organizações devem avaliar e controlar todos os perigos e riscos existentes, incluindo os decorrentes de fatores de riscos psicossociais – como sobrecarga de trabalho, assédio e suas derivações – integrando-os ao inventário de riscos.”

E qual o papel dos trabalhadores quando a gente fala de NR-1? Renata destacou que, segundo o texto da BR-1, a organização deve adotar mercanismos para a participação de trabalhadores no processo de gerenciamento de riscos; para a consulta aos trabalhadores quanto à percepção de riscos operacionais; e comunicar aos trabalhadores os riscos consolidados no inventário de riscos e as medidas de prevenção previstas.

Discussões por grupo

As mesas ocorreram na parte da tarde e, na parte da manhã, os delegados e delegadas se reuniram em grupos para debater os seguintes pontos: Saúde; Previdência; Remuneração; Condições de Trabalho. As discussões nesses grupos servirão de base para o documento final do evento, a ser discutido e aprovado na plenária do 36º CNFBB, que encerra o evento nesta sexta-feira (19).

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