Abertura Solene Conjunta dos Congressos dos Bancos Públicos (Foto: Seeb-SP)
Foi realizada em São Paulo, na noite desta quarta-feira, 17 de junho, a Abertura Solene Conjunta dos Congressos dos Bancos Públicos, que acontecem até o dia 19 de junho, reunindo representantes dos trabalhadores da Caixa, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia, no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.
A tônica de todas as falas na abertura solene foi a defesa dos direitos dos bancários; dos seus planos de saúde e de previdência; de melhores condições de trabalho; do combate à sobrecarga de trabalho, às metas abusivas, ao assédio moral e ao adoecimento; e do fortalecimento dos bancos públicos e do seu papel para o desenvolvimento social e econômico do país.
Além dos desafios específicos dos bancários, também foi unânime nas falas a importância da eleição de um presidente, governadores e parlamentares comprometidos com os interesses da classe trabalhadora nas eleições de outubro, de forma que os bancos públicos sigam no caminho do fortalecimento e do respeito aos seus trabalhadores, e não no caminho do desmonte por aqueles que defendem sua privatização.
"Quero desejar excelentes debates a todos nós. Que, além de atualizarmos nossas reivindicações e estratégias de mobilização e comunicação, consigamos fazer uma boa leitura da conjuntura para vencermos os desafios que estão postos. Vamos fazer uma excelente Campanha Nacional com a nossa categoria, que tem muitas demandas e uma grande expectativa de melhor remuneração, melhores condições de trabalho, sem assédio e sem metas abusivas", disse a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, em sua saudação aos delegados presentes na Abertura Solene Conjunta dos Congressos dos Bancos Públicos.
"Sabemos que defender a democracia, a soberania nacional, o nosso direito à negociação coletiva e avançar em nossas pautas significa também fazer um debate com os trabalhadores e com a população sobre o projeto de sociedade e de país que queremos", acrescentou a presidenta do Sindicato.
Projetos em disputa
Por sua vez, na fala que encerrou a abertura conjunta dos congressos dos bancos públicos, a presidenta da Contraf-CUT, vice-presidenta da CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, reforçou a importância das eleições para os trabalhadores dos bancos públicos e para toda a sociedade brasileira.
"Ressalto a importância do momento em que estamos realizando nossos congressos e a Conferência Nacional dos Bancários. Temos duas grandes tarefas. Uma é renovar os nossos acordos coletivos e a Convenção Coletiva de Trabalho, com melhores condições de trabalho, conquistas e valorização. Outra grande tarefa é a eleição. Podemos fazer grandes acordos, mas, a depender do resultado da eleição, poderemos perder tudo o que foi conquistado", alertou Juvandia.
"Temos dois projetos em disputa. Um é o projeto do retrocesso, do mínimo para o povo e do máximo para a elite, um projeto de desestatização e privatizações. O outro é o projeto que defende a democracia, a soberania nacional, os bancos públicos, o fim da escala 6x1 e o PIX; um projeto no qual os trabalhadores têm aumento real de salário, podem lutar e se organizar. Temos de debater com a categoria as consequências práticas desta eleição. Essa grande tarefa dialoga com o nosso futuro (...) Vamos construir grandes campanhas e grandes vitórias. Viva os bancos públicos. Viva os bancários. E, assim, declaro abertos os congressos dos bancos públicos", encerrou a presidenta da Contraf-CUT.
Além dos representantes das comissões de representação dos empregados de bancos públicos e das entidades representativas desses trabalhadores, também fizeram uso da palavra na Abertura Solene Conjunta dos Congressos dos Bancos Públicos o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, e a coordenadora-geral do Sindicato Unificado dos Petroleiros dos Estados de São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul (Sindipetro Unificado) e diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira.
36º CNFBB
Em sua intervenção, Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil), destacou a importância da Campanha Nacional dos Bancários e também das eleições para o futuro dos bancos públicos e de seus trabalhadores.
"É um ano decisivo para as nossas vidas. Não dá para fingir que o futuro dos bancos públicos, dos seus trabalhadores e dos seus direitos não passa pela eleição (...) Temos aqui uma série de pautas, estamos fazendo uma mobilização séria, e tudo isso pode ser perdido diante de um processo de privatização. Temos muitos problemas a serem enfrentados no Banco do Brasil. Problemas relacionados às condições de trabalho, ao fechamento de agências e ao adoecimento. O banco público tem de atender a população e também cuidar dos seus trabalhadores. O que defendemos é respeito. Respeito com a população e com os funcionários do banco. Tenho certeza de que, todos juntos, vamos sair vitoriosos desta campanha."
Os trabalhos do 36º CNFBB começaram antes mesmo da abertura solene conjunta. Durante a tarde desta quarta-feira, 17, foi realizada a leitura do manifesto "Tolerância Zero para Casos de Violência e Assédio". Os delegados e as delegadas também votaram o regimento interno do congresso, que foi aprovado por 98,92% dos participantes. Na sequência, aconteceu a primeira mesa de debates, com o tema "Conjuntura e Papel do BB como Banco Público".
A programação do 36º CNFBB segue até sexta-feira, 19 de junho, quando será realizada a abertura da 28ª Conferência Nacional dos Bancários.
41º Conecef
Por sua vez, o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Felipe Pacheco, destacou os desafios dos empregados da Caixa e também reforçou a importância das eleições.
"Temos trabalhado para organizar mais de 500 propostas de colegas de todo o Brasil. Vamos renovar o nosso Acordo Coletivo de Trabalho e o acordo específico do Saúde Caixa. E vamos conseguir isso com a nossa força e unidade. Porém, não adianta arrumarmos a nossa casa se depois houver quem queira explodi-la ou vendê-la. E isso passa por um projeto político de país. Temos lutas importantes, como as relacionadas às condições de trabalho, ao SuperCaixa e ao 'Figital'. Temos desafios que vamos superar, mas também precisamos fazer o debate sobre as eleições com os nossos colegas", pontuou o coordenador da CEE/Caixa.
Os trabalhos do 41º Conecef também foram iniciados antes da abertura solene conjunta dos congressos dos bancos públicos. Além da leitura do manifesto da Contraf-CUT de Tolerância Zero para Casos de Violência e Assédio, foram apresentadas as teses das centrais sindicais e forças políticas e realizada uma mesa de debates com o tema "Conjuntura Política e Sistema Financeiro Nacional".