Foto: Seeb-SP
A primeira rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta quinta-feira (2), marcou o início das negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Nesta primeira mesa, dedicada às cláusulas sociais, o movimento sindical apresentou suas reivindicações e cobrou compromisso dos bancos com a valorização da categoria. A Fenaban ouviu as propostas, mas ficou de apresentar seu posicionamento nas próximas negociações.
A regulamentação do sistema financeiro é um tema central para as reivindicações da categoria bancária. Nos últimos anos, os bancos têm concentrado seus modelos de negócios no atendimento ao segmento de alta renda, priorizando o aumento da rentabilidade e a redução dos custos administrativos, o que tem provocado o fechamento de agências e a diminuição dos postos de trabalho. Como consequência, a população de menor renda têm recorrido cada vez mais às fintechs e às cooperativas de crédito para acessar serviços financeiros. Para garantir um sistema financeiro verdadeiramente inclusivo, com atendimento de qualidade para toda a sociedade, é fundamental fortalecer a regulamentação do setor, definindo com clareza o papel de cada instituição e assegurando a manutenção da rede de agências e de empregos bancários.
Na primeira rodada de negociação, entre os principais temas defendidos pelo Comando Nacional estiveram a ampliação da inclusão de pessoas com deficiência (PCDs), a implementação da jornada de quatro dias de trabalho por três de descanso (4x3) sem redução de salário, a manutenção do teletrabalho com garantia do direito à desconexão e medidas efetivas para reforçar a segurança bancária diante do aumento das fraudes digitais.
Chamamos a atenção para a contradição existente no setor. Embora os trabalhadores com deficiência representam hoje 4,5% da categoria — percentual superior aos 2,4% registrados em 2012 —, os bancos voltaram a reduzir postos de trabalho destinados a esse público. Entre 2020 e abril de 2026, foram contratadas 7.840 pessoas com deficiência, enquanto 8.361 foram desligadas, resultando em saldo negativo de 521 vagas.
Diante desse cenário, a reivindicação é clara: ampliar as contratações, garantir oportunidades de crescimento profissional e assegurar o abono de faltas para trabalhadores PCDs e também para pais e mães de crianças com deficiência quando houver necessidade de consultas, exames ou tratamentos.
É importante destacar que a maior parte das pessoas com deficiência (PCDs) trabalha nas agências bancárias. Por isso, o movimento sindical manifesta preocupação com o contínuo processo de fechamento de unidades e redução dos postos de atendimento, que pode comprometer a inclusão desses trabalhadores, limitar oportunidades de emprego e dificultar sua permanência e desenvolvimento profissional no setor.
Voltamos a defender a implementação da jornada de quatro dias de trabalho por três de descanso, sem redução de salários. O avanço da automação, da inteligência artificial e da digitalização dos serviços bancários precisa resultar em melhores condições de trabalho e distribuição dos ganhos de produtividade, e não apenas no aumento dos lucros das instituições financeiras. Os estudos apresentados pelo movimento sindical apontam que a redução da jornada pode gerar mais de 429 mil novos empregos no setor, além de melhorar a qualidade de vida dos bancários sem comprometer a produtividade.
Outra reivindicação apresentada foi a manutenção do teletrabalho, considerado uma conquista importante da categoria desde sua regulamentação durante a pandemia. Além da preservação do home office, cobramos que os bancos respeitem o direito à desconexão, impedindo o envio de mensagens, cobranças e demandas de trabalho durante os períodos de descanso, férias, feriados, licenças e demais afastamentos.
A avaliação dos representantes dos trabalhadores é que os avanços tecnológicos não podem significar disponibilidade permanente do empregado, mas devem contribuir para melhorar a qualidade de vida e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O crescimento das fraudes digitais também foi levado à mesa de negociação. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 2023 e parte de 2026 foram registradas mais de 340 mil ocorrências de fraudes bancárias digitais, com aumento de 60,8% entre 2023 e 2025.
Para o movimento sindical, a estratégia dos bancos de reduzir agências e postos de trabalho, concentrando o atendimento nos canais digitais, tem deixado clientes mais vulneráveis aos golpes. A reivindicação é por investimentos em atendimento presencial, ampliação das equipes, fortalecimento dos mecanismos de segurança e maior responsabilidade das instituições financeiras na proteção da população.
Ao longo da reunião, o Comando Nacional apresentou as reivindicações construídas pela categoria, resultado da Consulta Nacional e das conferências estaduais e nacional dos bancários.
A expectativa do movimento sindical é que os bancos avancem nas discussões e apresentem respostas concretas às demandas da categoria.
As negociações continuam na próxima terça-feira, 7 de julho, quando o tema central será a defesa do emprego bancário. Vamos pressionar os bancos por medidas que enfrentem o fechamento de postos de trabalho, a redução das estruturas de atendimento e os impactos da digitalização sobre o emprego no setor, reafirmando que os ganhos obtidos pelos bancos com tecnologia precisam ser compartilhados com quem produz a riqueza da categoria.