Fenaban não apresentou proposta de índice de reajuste salarial na sétima negociação da Campanha dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)
Na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, realizada nesta quinta-feira, 13 de agosto, a Fenaban (federação dos bancos), mesmo com o compromisso assumido em mesa de negociação anterior, não apresentou proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas.
Entretanto, trouxe para a mesa propostas que atacam a unidade e os direitos da categoria: modelo de reajuste diferenciado em três faixas salariais (menores salários, salários intermediários e maiores salários); reajuste dos vales alimentação e refeição também de acordo com três faixas salariais; e congelamento do piso de ingresso.
Diante da postura dos banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários orientou a convocação de assembleias em todo o país na segunda-feira 17 (saiba mais no final da matéria), para organizar a mobilização e responder a essa proposta da Fenaban de modelo de reajuste diferenciado em três faixas salariais, com congelamento do piso de ingresso; e sobre paralisação de 24h das atividades na quinta-feira 20.
“Vamos mobilizar toda a categoria. A divisão dos trabalhadores por faixa salarial representa um ataque à nossa unidade. Vamos intensificar a mobilização, com assembleias em todo o país, para que os trabalhadores possam discutir e deliberar sobre os próximos passos. Vamos levar às assembleias a proposta de uma paralisação de 24 horas na próxima quinta-feira. É fundamental que toda a categoria participe, se mobilize, rejeite esta proposta de modelo de reajuste e mostre aos bancos que não vamos aceitar retrocessos”, enfatiza a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Primeiras propostas dos banqueiros
No início da negociação, a Fenaban apresentou 13 “premissas” para que os banqueiros apresentem uma proposta global aos bancários sobre questões debatidas nas mesas de negociação anteriores.
São elas: saúde mental dos bancários; assédio, discriminação e violência; igualdade para as mulheres; monitoramento digital; direito à desconexão; garantia de compensação adicional aos trabalhadores afetados pelo fechamento de agências e postos de atendimento; atuação dos sindicatos e bancos contra assimetrias que prejudicam os trabalhadores; PLR; auxílio-alimentação e refeição; salário de ingresso; reajustes de salários; manutenção de benefícios e vantagens previstos nas Convenções Coletivas dos bancários; e compromisso com a conclusão dos acordos dentro do prazo, garantindo os pagamentos e a manutenção de benefícios.
Dentre as premissas apresentadas, algumas apresentam avanços construídos ao longo das negociações. Porém, ao entrar na pauta econômica, o tema do dia, a Fenaban apresentou suas primeiras propostas, que também atacavam os direitos dos bancários e a unidade da categoria.
Os banqueiros chegaram a propor reduzir os vales alimentação e refeição para bancários de municípios e estados menores, admitindo aumentar os valores apenas nas grandes capitais.
“Eles não querem aumentar o custo. Querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, criticou a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
A Fenaban chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação de hoje, recuou.
Reajuste por faixa salarial e salário de ingresso congelado
Após pausa para almoço, os banqueiros retornaram à mesa de negociação com novas propostas, mas que também dividem a categoria e atacam direitos:
- Reajuste diferenciado de acordo com a remuneração do bancário, separando a categoria em três faixas salariais: menores salários, salários intermediários e maiores salários, sem indicar o índice de reajuste aplicado a cada uma delas. O mesmo valendo para os vales refeição e alimentação;
- Piso de ingresso congelado. Ou seja, sem reajuste nenhum.
“Não aceitamos qualquer proposta de modelo diferenciado de reajuste que divida os bancários por faixa salarial, ainda mais sem apresentar o índice para cada uma das faixas. Os bancários e bancárias querem e merecem aumento real para todos; valorização do piso para todos; valorização da PLR para todos; valorização do VA e VR para todos. Defendemos a manutenção da nossa pauta de reinvindicações, com valorização para todos, sem diferenciação”, diz Neiva Ribeiro.
Banqueiros podem atender as reinvindicações
A Fenaban voltou a justificar a sua dificuldade em atender a reinvindicação dos bancários por aumento real apontando um cenário de concorrência com outros atores do sistema financeiro, juros altos e inadimplência.
O Comando Nacional dos Bancários rebateu a narrativa dos banqueiros destacando que o lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil e nas cooperativas R$ 173 mil, uma diferença de 153% em favor dos bancários. Em outras palavras, os empregados dos bancos são muito mais produtivos e lucrativos do que os empregados das cooperativas.
Além dos dados referentes à lucratividade dos bancos em 2025 – quando o setor bancário registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões e patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão – os balanços semestrais de 2026 também demonstram que os banqueiros podem valorizar a categoria com aumento real e melhores condições de trabalho.
Bradesco, Itaú e Santander, os três maiores bancos privados que atuam no Brasil, registraram lucro líquido conjunto de R$ 45,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e foi divulgado justamente em meio à Campanha Nacional dos Bancários 2026, quando a categoria reivindica aumento real para salários, demais verbas e melhores condições de trabalho.
Já o Banco do Brasil teve lucro de R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026. No segundo trimestre deste ano, o banco público registrou lucro de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% em relação ao trimestre anterior.
A Caixa ainda não divulgou seu balanço semestral. No primeiro trimestre do ano, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.
“O setor bancário lucro R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, destaca Juvandia Moreira, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou.
Assembleia na segunda-feira (17)
Diante da postura dos banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários – que representa a categoria nas negociações – convocou assembleias em todo país para a próxima segunda-feira, 17 de agosto, para deliberação da categoria sobre a proposta de modelo de reajuste diferenciado por faixa salarial apresentada pela Fenaban e sobre paralisação de 24h das atividades na quinta-feira 20.
Em São Paulo, a assembleia será híbrida, com plenária presencial (na sede do Sindicato) e virtual a partir das 19h da segunda 17, com votação exclusivamente virtual entre 20h e 23h. Em breve, será divulgado o edital com todas as informações para deliberação da proposta e o link para votação.
O Comando Nacional dos Bancários e o Sindicato orientam a rejeição da proposta da Fenaban de modelo de reajustes diferenciados por faixa salarial, com o congelamento do salário de ingresso.
“Quem faz a Campanha Nacional são todos os trabalhadores. Vamos juntos, movidos pela valorização, com aumento real; saúde; e melhores condições de trabalho; sem diferenciação entre os trabalhadores”, conclui a presidenta do Sindicato.
Encaminhamentos e datas
• 17/8 (segunda): assembleia para deliberação sobre proposta da Fenaban de modelo de reajuste diferenciado por faixas salariais, com congelamento do piso de ingresso; e para deliberação sobre paralisação das atividades no dia 20 de agosto.
• 18/8 (terça-feira): oitava negociação entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban.
• 20/8 (quinta-feira): proposta de paralisação das atividades.