Por trás da promessa de sociedade, existe uma realidade de exploração, jornadas excessivas e adoecimentos no BTG Pactual
O BTG Pactual construiu sua imagem com base em um discurso forte e amplamente difundido: “qualquer profissional de alta performance pode se tornar sócio”. Mas por trás da promessa de partnership, existe uma realidade de exploração, com trabalhadores extrapolando suas jornadas, adoecendo e sacrificando seu tempo livre.
Os relatos dos funcionários ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região apontam para jornadas excessivas (de 12 horas e, por vezes, até 18 horas diárias), pressão intensa por resultados, trabalho em finais de semana, ausência de controle de jornada e falta de pagamento de horas extras ou folgas compensatórias.
“Os lucros bilionários do banco são construídos às custas da saúde e do tempo de vida dos bancários e bancárias. E toda a dedicação dos funcionários não leva à tão propagada promoção. É o discurso de ‘meritocracia’ sendo usado como justificativa para retirar direitos”, denuncia o diretor do Sindicato Marcelo Gonçalves.
Isso porque, segundo os relatos, o acesso ao partnership é extremamente restrito; há ausência de critérios claros, públicos e auditáveis para a promoção; há relatos de avaliações subjetivas, possíveis favorecimentos e tratamento desigual entre perfis semelhantes; e a progressão no banco é limitada, até mesmo para profissionais experientes e com mais tempo de vida dedicado à empresa.
“Ou seja, a promessa de sociedade não se concretiza para a ampla maioria dos funcionários. A cúpula do BTG pratica a gestão do coelho atrás da cenoura: uma promessa sempre presente no discurso, mas distante na prática, utilizada como mecanismo controle de mentes para a exploração do trabalho em pleno século 21”, reforça o dirigente.
Relatos dos funcionários
Uma funcionária relata: “Tem hora para entrar, não tem para sair. Em diversos setores, sair às 20h já é visto como sinal de baixa entrega”.
“As horas extras são habituais, não são reconhecidas nem registradas, e não entram no cálculo de direitos como férias, 13º e FGTS. O que está sendo entregue não é só trabalho: é tempo de vida, saúde e dignidade”, conta outro bancário.
“Vendem a ideia de que trabalhar mais leva ao crescimento, mas é pressão para trabalhar de graça. Há também relatos graves de assédio”, denuncia um terceiro empregado.
Normalização da ultra exploração
Para Marcelo Gonçalves, os relatos são exemplos da ultra exploração dos profissionais no vale tudo pelo enriquecimento de alguns dos sócios e do dono do BTG.
“O tempo livre, o convívio familiar e até o descanso tornam-se secundários diante da pressão por desempenho a qualquer custo. O excesso de trabalho deixa de ser eventual e passa a ser estruturante, gerando uma espécie de coerção silenciosa, reforçada por práticas de gestão e pela própria dinâmica interna das equipes”, diz.
Adoecimentos
Os impactos na saúde dos trabalhadores são profundos. Casos de burnout (síndrome do esgotamento profissional), ansiedade, depressão, distúrbios do sono e fadiga crônica aparecem com frequência nos relatos dos bancários do BTG.
Cobranças do Sindicato
O Sindicato já discutiu esses problemas em diversas reuniões com o banco, cobrando que a instituição promova o controle das jornadas e o pagamento de eventuais horas extras.
“Os representantes do banco chegaram a afirmar que tudo seria regularizado e prometeram que uma parte dos empregados estaria, em breve, com o registro de jornada implementado. Mas até hoje isso não foi cumprido”, informa a secretária-geral do Sindicato, Lucimara Malaquias.
Diante disso, o Sindicato fez denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT).
“Vamos continuar acompanhando e cobrando que o BTG respeite as leis trabalhistas e os direitos dos empregados e empregadas”, diz Lucimara.